O ministro nomeado de Minas e Energia também revelou que vai reiniciar Angra 3
Nomeado ministro de Minas e Energia, o maranhense Edison Lobão (PMDB-MA), de 71 anos, concedeu entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Ele preferiu ser genérico ao tocar em assuntos ligados ao setor elétrico. Questionado sobre se era favorável à construção de mais usinas nucleares, afirmou ser “inteiramente favorável”. Acrescentou: “Vou defender isso. Estamos com a autorização do presidente Lula para reiniciar Angra 3 e vamos construir outras usinas nucleares em outros estados do Brasil. (...) No Nordeste, certamente”.
Lobão também afirmou que não haverá dificuldades de fornecimento de energia em 2008. Classificando como “especulações” o suposto veto de Dilma Rousseff, a ministra-chefe da Casa Civil, ao seu nome, Lobão disse que já se reuniu duas vezes com ela no Palácio do Planalto. A primeira ocorreu minutos depois de ser confirmado no cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Vou consultá-la sempre”, disse.
O ministro nomeado só demonstrou irritação quando questionado sobre as denúncias contra o seu filho, Edison Lobão Filho (DEM-MA), o Edinho, que também é seu suplente. A principal delas é de que ele teria usado “laranjas”. Leia a entrevista:
Como foram as primeiras conversas com Dilma?
Esclarecedoras. Pedi que ela me fizesse um relato sobre a questão energética no país e, sobretudo, a participação do ministério no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. A ministra foi autora do modelo energético atual, que está em prática. Portanto ela é uma fonte que deve ser considerada e consultada sempre que necessário. Não tenho nenhuma vaidade. Vou consultá-la sempre que precisar.
Num discurso no Senado, em julho do ano passado, o senhor disse que haveria um risco iminente de apagão. O senhor mudou de opinião?
Hoje, inteirando-me melhor dos planos estratégicos do governo, estou convencido de que não haverá dificuldade no fornecimento de energia em 2008.
O risco oficial tolerável é de 5%, mas o mercado avalia que o risco está na casa de 20% para este ano. Quais são os números do governo?
Os números do governo são exatamente esses 5%, o risco mínimo. Não estamos trabalhando com outros números.
Quanto de energia o país precisa agregar ao parque gerador para sustentar um crescimento de 5% ao ano?
Nós teremos até 2030 uma elevação substancial na produção de energia com as novas hidrelétricas que estamos já construindo e outras que serão licitadas. Neste ano e no próximo.
Qual é a capacidade máxima de produção de energia no país?
Só no Norte do Brasil, nós temos ainda cerca de 130 mil megawatts por construir. Nossa capacidade é ampla em matéria de hidrelétricas. Nós temos de buscar outras alternativas.
O senhor é a favor da construção de mais usinas nucleares?
Inteiramente favorável. Vou defender isso. Estamos com a autorização do presidente para reiniciar Angra 3 e vamos construir outras usinas nucleares em outros Estados do Brasil.
Em que parte do país?
Isso haveremos de localizar, mas no Nordeste certamente.
Como o senhor avalia essas notícias de que existe uma guerra entre o PT e o PMDB sobre os postos no setor elétrico?
Não há nenhuma guerra. Há o interesse de indicar pessoas qualificadas. Tanto o PT faz indicações como o PMDB e outros partidos poderão fazê-lo.
Em alguma medida, essas informações que saíram a respeito de seu filho [o Ministério Público estadual investiga, no Maranhão, se duas empresas pertencem ao suplente de senador Edison Lobão Filho (DEM) e se, em nome de laranjas, foram usadas em esquema de sonegação] têm a ver com essa disputa?
Não encontraram absolutamente nada contra o meu nome e partiram então para ferir a minha família. Meu filho é inocente. Ele disse que pretende se licenciar para não ter imunidade parlamentar e cuidar de sua defesa.
O senhor chegou a falar com ele sobre a distribuidora de bebidas Bemar?
Eu não quero falar sobre esse assunto. Isso é uma questão que ele vai explicar definitivamente. Esse assunto não me pertence [ameaça parar a entrevista].
O senhor já fez várias declarações positivas sobre o presidente Ernesto Geisel. Como o vê em relação ao presidente Lula?
Cada qual deles têm a sua característica. O presidente Geisel tinha a noção exata de como deveria se proceder o avanço econômico e industrial do Brasil. A energia nuclear, por exemplo, foi uma iniciativa dele. O presidente Lula... eu não preciso falar sobre ele porque o Brasil inteiro conhece os êxitos do governo dele.
Houve confusão na audiência com Lula? O sr. foi chamado, mas depois foi remarcado?
Não houve exatamente confusão. O presidente chegou cansado [de Cuba] e aventou a hipótese de adiar para hoje [ontem]. Depois, ele mesmo encontrou uma possibilidade e me chamou.
Para o senhor, um ministro não precisa ter conhecimento profundo do setor?
Qualquer cadeira ministerial é exercida politicamente. É da natureza. (Adriano Ceolin e Humberto Medina, da Folha de S.Paulo)