Edison Lobão Filho, o Edinho, de 43 anos, é o mais velho dos três filhos do senador Edison Lobão. Diz ter começado a vida de trabalho, aos 18 anos, como dono de uma padaria em Serra Pelada, no auge da exploração do garimpo de ouro na década de 80. Quando o pai governou o Maranhão, de 1991 a 1995, ele foi seu secretário particular. Com o aval do pai, supervisionava todas as secretarias do governo do Maranhão. Foi nessa época que começou sua carreira de empresário bem-sucedido, bombardeada pelos adversários políticos do pai no Maranhão. Logo no primeiro ano do governo Lobão, Edinho comprou a TV Difusora, retransmissora do SBT em São Luís. Na ocasião disse ter pago a aquisição com um empréstimo bancário – hoje ele é dono de duas emissoras de TV e de uma rádio. A família Lobão já era dona de uma emissora de TV em Imperatriz, a maior cidade do interior do Maranhão. O Ministério Público Federal do Maranhão investiga a denúncia de que essa emissora teria sido arrendada ilegalmente por uma ONG do Rio de Janeiro. A família Lobão nega o arrendamento.

Edinho diz ser dono de uma construtora, uma fábrica de gesso e várias empresas em diversos setores, hoje inativas. Um de seus empreendimentos foi uma distribuidora da cerveja Schincariol no Maranhão. É uma empresa com capital social de R$ 3 milhões, registrada na Junta Comercial em nome de duas mulheres: Maria Vicentina Pires da Costa, de 79 anos, sócia majoritária, e Sílvia Maria Gomes Muniz, de 47.
Mãe de duas funcionárias da distribuidora, Sílvia mora em uma casa humilde de um bairro pobre da periferia de São Luís, onde o esgoto corre a céu aberto.
Sílvia disse que nem sequer sabia ser sócia da distribuidora. Na versão de Edinho, ele saiu do negócio há quase dez anos. Ao desfazer a sociedade, diz ter assinado um contrato que, em vez de transferir suas cotas para os antigos sócios, repassou sua parte para duas mulheres. “Eu não as conhecia, mas meus ex-sócios disseram que elas eram de confiança. Só depois soube que uma delas era uma empregada doméstica”, afirma Edinho.
Com a entrada na área de comunicação, Edinho passou a competir com as empresas da família Sarney. Mas, ao contrário do discreto concorrente Fernando Sarney, Edinho Lobão sempre gostou de exibir poder e dinheiro. Até pouco tempo atrás, ia de casa para o trabalho em seu helicóptero – um luxo para uma cidade pequena como São Luís. Mudou de transporte em março do ano passado, quando o aparelho em que voava se destroçou ao se chocar com um poste. Ele escapou ileso. “Era um helicóptero barato”, diz Edinho. “Custava cerca de R$ 1 milhão.”
Edinho é suplente do pai. Se Lobão for mesmo para o ministério, ele assumirá sua cadeira no Senado Federal. Pela lei, ele terá de se afastar da direção das emissoras de rádio e TV da família. Nas avaliações internas feitas pelo grupo político de Sarney, os negócios de Edinho sempre foram motivo para preocupação. Mas, como o pai Lobão está há 12 anos sem exercer cargos executivos, os aliados de Sarney acreditavam que a vida empresarial de Edinho não chegaria a ser um obstáculo no caminho para a retomada do Ministério de Minas e Energia. O Palácio do Planalto ainda está na expectativa de que essa previsão se confirme.
(Da Época)