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Mais de 16% dos alunos da Ufma estão fora do peso, diz pesquisa

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Data de Publicação: 13 de janeiro de 2008
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POR JÔICE BORGES

Estagiária

Falta de atividade física e má alimentação fazem com que estudantes engordem

Uma pesquisa realizada por alunos de vários períodos do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) e um grupo de enfermeiros, com a supervisão da professora de Enfermagem e Obstetrícia e enfermeira Elba Gomide Mochel, constatou que 16,1% da população universitária pesquisada – 985 alunos –, que ingressaram no ano de 2006, apresentam peso acima do normal ou estão obesos. De acordo com a professora, a idéia da pesquisa surgiu após observar que alguns alunos ingressavam magros na universidade, e quando se formavam estavam acima do peso.

“Durante as matrículas para ingresso do primeiro e segundo semestres de 2006 montamos um estande no núcleo de inscrições para acompanhar os alunos, se perderam, se mantiveram ou ganharam peso. Medimos a pressão arterial de cada um que quis participar, aplicamos um questionário e fizemos uma coleta de dados antropométricos (verificação de peso, altura, cintura)”, explicou Elba Mochel.

A equipe trabalha com a hipótese de que a mudança na rotina das refeições – comer fora de hora, alimentos não-saudáveis ou gordurosos, e a falta de prática esportiva ajudam para que os estudantes ganhem um peso que pode prejudicar sua saúde. Segundo dados fornecidos pela pesquisa, um terço dos universitários estudados comem fora de casa.

Aproximadamente 2% da população pesquisada apresentam hipertensão arterial (pressão alta) que pode ter sido adquirida por fatores genéticos ou pela rotina que cada um leva como estresse, falta de alimentação adequada e desregular. Elba Mochel garantiu que a hipertensão pode ser controlada com uma mudança no estilo de vida, como praticar esportes e fazer uma reeducação alimentar.

A pesquisa tem como foco principal a verificação de como a pressão arterial pode afetar na saúde dos alunos com sobrepeso e obesidade a médio e longo prazo, ou seja, saber quais os danos pode causar à saúde dos alunos. Conforme a professora, o Índice de Massa Corporal (IMC), que é medido pelo peso dividido pela altura ao quadrado (P/A²), é que vai determinar se o indivíduo está abaixo, acima do peso ou com o peso adequado.

Números da pesquisa - Dos 985 alunos pesquisados 423 (42,9%) são homens e 562 (57,1%) são mulheres. Em relação à cor 29% se consideram pertencentes à cor morena, e 29,4% à cor branca. A cor parda foi referida em 28% dos casos e 13,7% disseram pertencer à cor preta. Segundo a procedência, a maioria dos pesquisados é da capital (67,6%) e os demais são provenientes de outras localidades (32,4%).

Quanto ao peso 70,8% apresentam um peso adequado para a altura. 11,1% apresentam baixo peso para a altura e 12,7% dos alunos estudados apresentam índice de sobrepeso e 3,4% apresentam obesidade. Elba Mochel afirmou que, entre os pesquisados, não existe nenhum caso de obesidade mórbida.

A pesquisa é predominada por indivíduos adolescentes e adultos jovens. 72,9% da população encontra-se com idade entre 16 e 20 anos; 26,8% possuem idade entre 21 e 40 anos; sendo que apenas 0,2% possuem idade entre 40 e 51 anos.

Foto:G.FERREIRA
Para a professora Elba Mochel, sedentarismo e má alimentação deixam alunos acima do peso

Raiminsandra Cutrim se sente prejudicada com seu sobrepeso

Sarah Ferreira é exceção à regra: perdeu 12 quilos após sua entrada na Ufma

Sobrepeso na universidade - A aluna de Serviço Social, Raiminsandra Cutrim, 21 anos, não participa da pesquisa, mas percebeu que ganhou peso com sua entrada na universidade. “Quando entrei no primeiro ano do ensino médio tive que escolher entre praticar esporte ou estudar para passar no vestibular”, disse ela que ganhou cinco quilos desde que entrou na universidade. Raiminsandra tem um IMC de 25,91 kg/m² o que caracteriza sobrepeso. A estudante contou que se sente prejudicada tanto emocional quanto psicologicamente já que cansa com facilidade nas obrigações diárias. Seus hábitos alimentares também ajudam para que ela ganhe peso. Constantemente ela consome comida fora de casa em lanchonetes e restaurantes fast-food. “Só almoço em casa durante os fins de semana. Teve um dia em que almocei um pastel com Coca-cola”, afirmou Raiminsandra.

A professora Elba Mochel disse que o uso de bebidas alcoólicas também ajuda no ganho de peso desses alunos. “Durante as calouradas os estudantes ingerem bebidas alcoólicas, que motivam o organismo a querer comida, com isso, o ganho de peso é esperado”, confirmou a professora.

Casos como o de Dayvid Pires Carvalho, 20 anos, estudante de química, também são comuns. Quando entrou na Ufma o estudante pesava 83 kg e agora pesa 90 kg. Dayvid Carvalho acha que a falta de prática de esportes ajudou para que ele conseguisse alcançar este peso. Ele tem o IMC de 29,1 kg/m², e está dentro do padrão de sobrepeso.

A rotina do estudante contribui para que ele adquira um peso acima do normal. Ele chega às 14h na universidade e só volta para casa à noite, chegando a sua residência às 23h. Nesse horário, faz uma refeição e vai dormir, ou seja, não gasta as calorias ingeridas em nenhum tipo de esporte. “No começo do curso até praticava natação, mas com o intervalo curto entre o esporte e a aula parei. Quando fazia natação saía de lá às 13h não dava tempo de eu tomar banho e almoçar para ir para a aula, que começava às 14h”, disse Dayvid.

Michel Alysson Furtado, estudante de Economia, afirmou que ganhou 8 kg desde que ingressou na universidade. Assim que entrou, Michel Furtado pesava 70 kg e hoje tem um IMC equivalente a 26,37 kg/m². Além do curso que faz na universidade, o estudante trabalha durante o dia e se alimenta em restaurantes fast-food e lanchonetes. Assim como Dayvid Carvalho, Michel Furtado deixou de praticar esportes, devido à falta de tempo.

A estudante de Biblioteconomia, Irajayna Lage Lobão, também está nos parâmetros de indivíduos que possuem peso acima do normal. Com IMC equivalente a 27,71 kg/m², além de não praticar esportes, Irajayna Lobão dificilmente faz as refeições diárias em casa, se alimenta com freqüência no restaurante universitário, já que depois das aulas ela vai para o estágio, à tarde, e para uma outra faculdade, à noite.

Exceção - Um caso diferente é o da aluna de História, Sarah Ferreira, 24 anos, que ainda está acima do peso adequado apresentando um IMC de 27,31 kg/m², mas que já perdeu 12 kg desde sua entrada na universidade. Sarah Ferreira que pesava 90 kg, agora pesa 78 kg.

A estudante faz academia e mantém uma dieta regular que ela mesma preparou. “Tinha o hábito de não comer com salada. Agora não vivo sem uma salada, sem maionese é claro”, contou. Sarah disse ainda que a sua reeducação alimentar, a prática de esportes, a força de vontade e determinação ajudou para que ela controlasse seu peso. Quando começou a fazer esforço físico na academia a aluna sentiu dificuldades, mas depois se adaptou e agora controla seu peso constantemente.

O Restaurante Universitário da Ufma (RU), responsável pela alimentação de mais de dois terços da população universitária, é uma opção para os alunos que permanecem por tempo diurno ou integral na universidade. O cardápio do RU, segundo a nutricionista do restaurante, Laura Soares Marques, o cardápio oferecido por ele leva em conta os hábitos alimentares da clientela, a safra e os hábitos regionais.

Laura Marques afirmou que não teve conhecimento do início da pesquisa e que fatores pré-vestibular, como ansiedade e a falta de costume de praticar uma atividade física; e pós-vestibular, como o relaxamento depois de ter entrado na universidade, contribuem para que esses alunos ganhem peso. “Estamos oferecendo vagas para estagiários do curso de Nutrição no próximo período, para fazer uma pesquisa com os alunos que freqüentam o RU a fim de coletar dados dos alunos e traçar um cardápio adequado à nossa demanda”, informou Laura Marques.

Entendendo o IMC

Para verificar o índice de massa corporal basta dividir a altura ao quadrado pelo peso. O valor que é considerado peso normal tem que resultar entre 18,5 kg/m² a 24,9 kg/m². Se o resultado for abaixo de 18,5 kg/m² o indivíduo tem o peso abaixo do normal. O resultado sendo de 25 kg/m² a 29,9 kg/m² pode ser considerado sobrepeso.

A obesidade de grau I corresponde a indivíduos que possuem IMC entre 30 kg/m² a 34,9 kg/m². Indivíduos com obesidade de grau II apresentam o índice de massa corporal entre 35 kg/m² e 39,9 kg/m². Já a obesidade de grau III, ou obesidade mórbida, é representada por indivíduos que possuam IMC acima de 40 kg/m².

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