Grávida perde o bebê e acusa maternidade por negligênciaPor Jully Camilo
Na manhã de ontem, Maria de Nazaré Pereira, mãe de Viviane Pereira, 26 anos, grávida de nove meses e nove dias, residente na Cidade Operária, acusou de negligência médica a Maternidade Marly Sarney e a médica Alzenira Barros. Maria Pereira informou que desde sábado (1º), a filha dela teria feito uma intensa peregrinação na tentativa de se internar e dar à luz ao seu bebê, mas não obteve êxito em nenhuma delas, o que acabou provocando a morte da criança.
Segundo Maria Pereira, por volta de 1h da madrugada de ontem (3), Viviane Pereira retornou com muitas dores à maternidade e ao chegar lá foi atendida pela médica de plantão Alzenira Barros, que teria lhe aplicado uma injeção de Buscopan. Ainda de acordo com a mãe da parturiente, a médica teria mandado Viviane para casa, pois a mesma não tinha dilatação suficiente para dar à luz. “Retornamos pela manhã e o médico que acompanhou o pré-natal dela, o doutor Fabrício, disse que se fosse ele a teria internado imediatamente. Não entendo, se uma pessoa que teve pressão alta durante toda a gravidez, estava completamente inchada e não tinha dilatação, pudesse tomar um remédio para contornar a dor. Sendo que uma grávida precisa de dor para parir. No mínimo eles deviam ter providenciado uma cesariana, mas ouvimos nos corredores que não tinha leitos, por isso sempre nos mandavam voltar”, declarou a mãe.
Maria Pereira informou que depois das várias idas e vindas, Viviane foi à maternidade Benedito Leite acompanhada de alguns familiares, e a médica que lhe atendeu solicitou uma ultra-sonografia. Os familiares afirmaram que antes da jovem receber a dose da injeção, a criança chutava e mexia. Após a medicação o bebê não fez mais nenhum movimento. “De posse do ultra-som a médica da Benedito Leite nos certificou que o bebê estava morto. Internaram minha filha e fizeram o parto de uma criança sem vida. Minha filha sofreu muito, está apática e transtornada, ela iria ter um menino e já havia preparado todo o quarto do meu neto. Estava tudo pronto, faltava apenas ele. Mas isso não vai ficar assim, vamos acionar juridicamente os médicos que a atenderam e o hospital por negligência”, afirmou Maria Pereira.
Outro lado - A assessoria de Comunicação da Maternidade Marly Sarney, em nota enviada ao Jornal Pequeno, informou que Viviane Pereira, que se encontrava com 41 semanas de gestação, deu entrada naquele hospital no domingo (2), às 12h31, e que em relação à denúncia de que houve óbito fetal por conta de uma injeção de Buscopan informou que não há estudos científicos que comprovem riscos fetais na utilização deste medicamento, feito à paciente em dose preconizada, não podendo servir como argumento para a determinação do óbito fetal em questão.
Foi informado ainda que em que pese a paciente ter sido atendida na madrugada de domingo, ela não apresentava nenhuma intercorrência clínica justificadora de risco materno ou fetal. Valendo dizer que a mesma apresentava sinais vitais normais sem antecedentes de hipertensão, diabetes ou qualquer outra afecção. Desta forma, foi orientada para o acompanhamento ambulatorial de pré-natal.
A nota esclarece que durante a consulta ambulatorial no próprio pré-natal, pela manhã, não foi evidenciado batimentos cardio-fetais, o que ao ver da equipe médica, tratou-se efetivamente de fatalidade imprevisível, na exata medida em que nada havia a sugerir a possibilidade de risco de óbito fetal. A assessoria finalizou explicando que nesse sentido, cumpre destacar, que durante a passagem da paciente na maternidade, a mesma, foi atendida em conformidade com os preceitos de atendimento profissional, ético e de humanização, consoante tem sido a tônica do hospital.