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EditorialInfância roubada

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20 de setembro de 2007
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Já faz algum tempo que a humanidade só concebe a presença de crianças em escolas, praças de esportes e parques de diversões. Crianças quebrando pedras, tossindo em carvoarias, esmolando nas ruas, são deturpações de uma sociedade consumista desorganizada que não se sustenta em seus próprios pés.Uma sociedade que está roubando um bem inalienável: a infância.

O Brasil é o terceiro país da América Latina que mais explora o trabalho infantil e só perde em exploração generalizada de crianças para a Nicarágua. Enquanto isso, o Maranhão é o segundo estado do país com maior incidência de trabalho infantil.

É incompreensível, dentro desse prisma, que prefeitos maranhenses estejam se negando a assinar um termo de Ajustamento de Conduta comprometendo-se a programar em seus municípios políticas de erradicação do trabalho infantil, conforme está sendo exigido pela Delegacia Regional do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho.

Esta é uma luta justa, se pensarmos que 7,6 milhões de crianças no Brasil estão envolvidas em algum tipo de atividade e que dessas cerca de 733 mil fazem trabalhos domésticos. No mundo, são 200 milhões de crianças trabalhando sob os olhares impunes dos adultos.

O trabalho infantil é uma forma de violência. Mas por aqui as crianças são ambulantes, flanelinhas, estão nos lixões, nas pedreiras, nas carvoarias etc. O maior entrave para a erradicação do trabalho infantil é que elas contribuem para o sustento de seus pais, quando não são a principal força de trabalho em muitas residências.

Não bastassem as imagens de crianças acorrentadas nas fábricas, forçadas à prostituição ou coagidas a participar de forças militares de seus países, temos que lidar com o trabalho infantil abusivo, ou seja, a exploração de crianças forçadas a trabalharem para garantir o sustento de adultos.

A Agência Carta Maior denuncia deformações corporais, traumas emocionais e baixa escolaridade como conseqüência do trabalho infantil. Não dá para aceitar crianças sendo utilizadas em atividades perigosas, insalubres, penosas ou degradantes. Mas estamos convivendo com isso.

O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil é um programa contra a covardia e cria uma função social específica para prefeituras de todo o país. Uma das saídas encontradas para aliviar a culpa em territórios onde famílias miseráveis não podem prescindir do trabalho dos filhos, foi o Bolsa Criança Cidadã, destinada a famílias com renda de até ½ salário mínimo. Mas há uma pergunta que inda não foi respondida: o que fazer com as crianças que são resgatadas do trabalho infantil se seus pais vão continuar sem poder levá-las à escola, às praças de esportes e aos parques de diversões?

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