Revendedores de gás doméstico reclamam da limitação das vendasCategoria se diz obrigada a obedecer às ordens da Butano, que delimitou a venda do produto, de acordo com bairros específicos da capital
Por: Aurelio Carvalho

Revendedores de botijão de gás estão revoltados com a distribuidora Nacional Gás Butano, que teria limitado as áreas de revenda. Com a demarcação, iniciada em julho de 2007, só pode existir um revendedor por área. O problema, segundo a denúncia, é que a medida não foi democrática e privilegiou algumas pessoas. “Há revendedores que sua área de atuação atinge cerca de nove bairros; e outros, apenas três. E ainda têm aqueles que ficaram sem poder revender, como aconteceu com um dos pontos da Areinha. No meu caso, o prejuízo tem sido de 50% mensais, além do constrangimento com a clientela”, disse um revendedor de gás, que preferiu não se identificar.
Segundo abaixo-assinado, que teria sido elaborado pela Gás Butano, e assinado sob pressão pelos revendedores, ficou proibida a invasão de área predeterminada para distribuição; e em caso de clientes habituais, os mesmos deverão ser repassados ao novo revendedor. “Isso constrange o consumidor. Já houve casos em que clientes antigos ligaram para cá ou vieram até aqui comprar gás e eu tive que dizer que não iria vender porque ele não mora na mesma área onde fica o meu ponto de revenda. Isso não tem lógica. É um absurdo o que estão fazendo com a gente”, disse um dos prejudicados.
Butano – No texto do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), elaborado pela Butano, a empresa se defende dizendo que as finalidades da regulamentação da revenda de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) são: disciplinar as relações de comercialização da marca Nacional Gás; reduzir o espaço geográfico de atuação de cada representante, com vistas a diminuir o custo de distribuição; melhorar a margem de lucro dos revendedores, sem aumento ao consumidor final; fidelizar clientes por meio de um atendimento mais ágil e personalizado; e padronizar o sistema de revenda entre os revendedores.
No documento, a distribuidora explica que a escolha das áreas de atuação dos revendedores, levou em consideração o volume atual de vendas de cada local.
Revenda – Existem hoje em São Luís, 16 revendedores da Nacional Gás Butano. Alguns deles disseram ao Jornal Pequeno que a situação de revenda de gás na capital é grave, mas está sendo ignorada pela Butano, em decorrência de lucro desenfreado.
Segundo autores da denúncia, são engarrafados em São Luís 200 mil botijões de gás de 13kg por mês. Destes, cerca de 120 mil estariam sendo comercializados ilegalmente, vendidos para mercearias, bares, restaurantes, farmácias e etc. “É a chamada venda clandestina para ‘postecos’ – que compram o produto e revendem a preços exorbitantes. Isto sim, é falta de segurança. Por que a Butano não gasta o seu tempo fiscalizando esse tipo de comércio, ao invés de prejudicar quem está trabalhando de maneira honesta?”, disse um revendedor legalizado.
Outro problema seria o transporte desses botijões. Enquanto o correto seria a comercialização em caminhões, que fazem rotas diárias com segurança, as motos estariam ganhando cada vez mais espaço, carregando até quatro botijões de uma só vez, causando risco à população.
Por essas razões e outras razões, o botijão de gás de cozinha vendido no Maranhão se tornou o segundo mais caro do nordeste. Mas apesar da Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirmar que o grande responsável pelo alto preço do produto no estado, é o ICMS cobrado em cima da mercadoria, os revendedores discordam. “O ICMS é retido na fonte. Aqui no Maranhão o produto não sofreu aumento nenhum. O nosso gás vem direto da Baía de Campos, no Rio de Janeiro, e apenas os impostos federais é que são pagos aqui no Maranhão. Essa justificativa do ICMS é uma forma de favorecer distribuidoras como a Butano, e nos prejudicar com essas regras impostas sem fundamento”, argumentou um revendedor.
Em São Luís o preço do botijão custa R$ 36 por meio do tele-entrega e R$ 35 para revenda nos postos.
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