Envolvidos na morte de Gerô pedem habeas-corpus à JustiçaO sargento Sérgio Henrique Mendes e os soldados José Expedito Ribeiro e Paulo Roberto Almeida Paiva, que se encontram presos sob a acusação de terem assassinado o cantor e compositor Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, ingressaram na Justiça com um pedido de habeas corpus. Os três acusados, que estão há quatro meses presos no quartel do Comando Geral da Polícia Militar, no Calhau, alegam que há excesso de prazo na decisão judicial que os mantêm na cadeia.
O pedido de habeas corpus, que já tem o desembargador Joaquim Figueiredo como relator, deverá ser julgado na 3ª Câmara Criminal no próximo dia 10 ou 17 de setembro. Na quinta-feira passada, dia 30, o juiz da 7ª Vara Criminal, José Luís Almeida, recolheu o depoimento de mais uma testemunha de acusação: o bombeiro militar Luís Carlos Júnior, que reafirmou a denúncia de que Gerô foi torturado na porta do 1º Distrito Policial, na Rua da Palma.
Em seu depoimento, o bombeiro militar, que também é músico, afirmou que ouviu a vítima gritando: “Não me matem; eu sou Gerô, o compositor”. Luís Carlos Júnior ressaltou diante do juiz que até hoje tem a sensação de estar ouvindo esta frase.
Como parte da instrução criminal relacionada com a morte de Gerô, assassinado no dia 22 de março passado, a promotora de justiça Márcia Maia e os assistentes da Promotoria, Carlos Antônio e Pedro Jarbas, promoveram o aditamento da denúncia, conseguindo incluir também como réu no processo o tenente Carlos Alessandro. O juiz acatou a denúncia e o tenente será ouvido, já na condição de réu, no próximo dia 4 de outubro.
A Justiça já tomou o depoimento do soldado Paulo Roberto Almeida Paiva, também denunciado pela prática de crime de tortura contra o artista negro. Os depoimentos estão sendo acompanhados pela promotora Márcia Moura e pelos advogados habilitados, como assistentes de acusação.
No começo do mês de maio, o juiz José Luís Almeida decretou a prisão preventiva do sargento Sérgio Henrique Mendes, um dos envolvidos no assassinato de Gerô. No mesmo despacho, o juiz indeferiu o pedido de relaxamento da prisão dos dois militares autuados em flagrante: José Expedito Ribeiro e Paulo Roberto Almeida Paiva, principais acusados pela morte do compositor, por crime de tortura.
Acatando denúncia formulada pela promotora de Justiça Márcia Moura, o juiz José Luís Almeida decretou a prisão preventiva do sargento Sérgio Henrique Mendes, que estava de carona na viatura administrativa ocupada por Expedito e Paulo, e os soldados Estrela e Alberto, que trabalhavam no Terminal de Integração da Praia Grande. Os três, segundo testemunhas, também teriam espancado Gerô. O primeiro em frente ao 1º Distrito Policial (centro) e os outros dois enquanto a vítima esteve custodiada na cela do terminal.
A representante do Ministério Público solicitou também a prisão de outro militar, o tenente Nildson Lenine Rabelo Pontes, que era quem estava de serviço no dia 22 de março, quando Gerô foi espancado até a morte. O juiz não acatou o pedido de prisão do tenente Lenine. Dos dois acusados ainda em liberdade, o juiz entendeu que a prisão preventiva, no momento, só se justifica em relação ao sargento Mendes, o qual, diante da situação a que Gerô fora submetido e já estando no comando das ações dos seus subordinados - os também acusados José Expedito e Paulo Roberto - no segundo momento, ou seja, depois que o cantor foi deixado no Terminal de Integração, além de nenhuma providência adotar para fazer cessar as agressões protagonizadas por dois inferiores hierárquicos, delas ainda participou, do que resulta que teve participação decisiva para o desenlace fatal – ativa e passivamente.
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