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JP TurismoENTREVISTA COM O SR. NERIVALDO PINHEIRO, NATURAL DE ALCÂNTARA- MA, NASCIDO A 10 DE JUNHO DE 1953 E MEMBRO ATIVO DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA DE ALCÂNTARA, QUE FAZ PARTE DA DIOCESE DE PINHEIRO.

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24 de agosto de 2007
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Paulo Melo Sousa – Desde quando o senhor participa da Festa de São Benedito?

Nerivaldo Pinheiro – Desde o ano de 1977 que eu faço parte, diretamente, das atividades comunitárias e pastorais do meu bairro, que se chama Caravela. Hoje, a comunidade sediada recebeu o nome de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos por conta do nome da igreja deste bairro, na qual está sendo festejado São Benedito, de 27 a 30 de agosto, e também São Raimundo Nonato, no dia 31 deste mês. Foi desde aí que eu passei a me envolver com esta festividade. De um modo geral, na paróquia e, especialmente, na minha comunidade.

Paulo Melo Sousa – Com quem foi que o senhor aprendeu a ladainha, quem passou essa incumbência para o senhor ?

Nerivaldo Pinheiro – Aprendi com o convívio com os padres canadenses que estavam por aqui, na época, e com os outros que se seguiram, todos eles missionários canadenses, e com as irmãs, também canadenses. Naquela época eram elas que comandavam a Escola Paroquial Nossa Senhora de Fátima. Daí é que veio o colégio do Estado. E com esse meu interesse em querer saber das coisas, escutando os rezadores mais antigos da minha comunidade, então eu fui aprendendo e fui me agrupando com outros rezadores que vinham de São Luís para cá. Depois, eu me dediquei. Mas só que eu rezava a ladainha em português, não sabia em latim. Aí eu deixava a ladainha em latim para os músicos, que tinham mais experiência. Mas, em vista da necessidade dos organizadores dos festejos, que achavam a ladainha em latim mais bonita do que a executada em português, então nós aprendemos a ladainha em latim.

Paulo Melo Sousa – O senhor começou a cantar em latim desde quando?

Nerivaldo Pinheiro – Já fazem muitos anos, eu não me lembro da data com precisão...

Paulo Melo Sousa – Mas, antigamente, a ladainha era cantada em latim, não é isso?

Nerivaldo Pinheiro – É, já se fazia, mas eu só assistia ou nem participava.

Paulo Melo Sousa – Como é que o senhor conseguiu o texto em latim?

Nerivaldo Pinheiro – Foi através de um missal que havia na igreja.

Paulo Melo Sousa – Essa ladainha em latim é dedicada a qual santo?

Nerivaldo Pinheiro – À Nossa Senhora, e é utilizada na Festa de São Benedito e em todas as outras festividades religiosas. Mas cada santo possui a sua ladainha, o seu bendito e o seu hino. São Benedito deve possuir a sua ladainha em latim, mas só que nós não a conhecemos. Todas as rezadeiras antigas já se foram e as que ainda existem sentem dificuldade de locomoção, de tal forma que eu sou o único homem que é rezador, aqui na minha cidade. Então, só se usa esta ladainha. Neste caso, nós estamos atuando mais ativamente a Maria, mãe de Jesus, que também é a mãe de todos os servos, de todos os religiosos, de todos os que foram santos, na vida ou na morte.

Paulo Melo Sousa – Como é organizada a cerimônia no primeiro dia dedicado a São Benedito, que é na sexta-feira ?

Nerivaldo Pinheiro – Naturalmente, é feita a abertura oficial dos festejos. Eu falo acerca da vida dele, desde quando era cozinheiro, passando pela sua entrada no convento, enfim, sobre toda a sua vida, para que o povo fique sabendo disso. Depois , eu começo a invocar o Espírito Santo, do qual sou devoto, para em seguida entrar na ladainha. Ao encerrar a ladainha, eu canto o bendito ao Santíssimo Sacramento, e depois disso eu rezo o Pai Nosso e três Ave-Marias. Eu também faço uma oração dedicada a São Benedito e, para encerrar, depois da novena do primeiro dia, como abertura, eu canto o hino de São Benedito.

Paulo Melo Sousa – Mas essa celebração não é uma missa...

Nerivaldo Pinheiro – Não, essa celebração apenas é feita por mim, que sou leigo, engajado na Igreja, e tenho a função de substituir o vigário quando este se ausenta ou quando está de férias. O vigário é o padre René Bruno. Após a celebração, acontece a parte de Tambor- de-Crioula, de largo, enfim, de tudo que faz parte da cultura relacionada à festa. Esta mesma celebração acontece na segunda-feira, mas só que, neste dia, é a noite dos pescadores, para se resgatar a antigüidade, mas eu só darei um apoio, pois existe uma outra comunidade responsável, que é a da Santíssima Trindade, que caminha sob as normas da minha comunidade, a de Nossa Senhora do Rosário. E, no sábado, na segunda novena, acontece a santa missa, às 20:30 h, com o padre Antônio Jorge, que é da paróquia de Palmeirândia. Ele foi convocado por mim para que nos desse uma força e para dar sentido aos festejos, pois se trata de uma festividade religiosa. E depois disso, acontece o mesmo procedimento do dia anterior, só que a igreja e o largo ficam mais cheios, mais alegres, e com mais devotos de São Benedito. No terceiro dia da festa, no domingo, a missa acontecerá por volta das 9 horas da manhã. Ao término da mesma, acontecerá a benção e a distribuição dos pães, da farinha e dos demais gêneros alimentícios que serão distribuídos às pessoas carentes, às crianças e às pessoas mais necessitadas. Isto faz parte do ritual porque S. Benedito gostava de dar as coisas às pessoas mais necessitadas. Continuando a programação, nós teremos a procissão às 17 horas, com duração de aproximadamente duas horas. Após o encerramento da procissão, nós teremos outra missa, com o padre Daniel. Na segunda-feira, haverá a repetição da ladainha e o encerramento da festa, pois na terça-feira nós já iremos celebrar São Raimundo Nonato, também na mesma igreja. Nossa Senhora do Rosário, que é a padroeira da nossa comunidade, por sua vez, será festejada, também na mesma igreja, no dia 7 de outubro.

Paulo Melo Sousa – Como acontece a festa de São Raimundo Nonato ?

Nerivaldo Pinheiro – Está preparada pela equipe paroquial, formada em conseqüência da viagem do vigário, visando amarrar as responsabilidades dentro de toda a programação festiva. Então, teremos uma celebração. O encarregado da organização da festa é um candidato a vereador, que é devoto de São Raimundo Nonato. Ele herdou esse encargo dos antepassados dele, que gostavam de comemorar a data relativa a esse santo. Ele mora em São Luís, mas tem residência aqui em Alcântara, e gosta de celebrar esse santo, no dia 31 de agosto. Então, essa é a programação religiosa na festa. Nós fazemos a nossa parte dentro da nossa paróquia, sem interesse algum. Aí só Deus é que nos recompensará !

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