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ArtigosSÃO LUÍS, NOSSO LAR

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11 de agosto de 2007
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Pedro Fernandes

“Não há lugar melhor que o lar”.

Assim suspirava a encantadora garotinha Dorothy Gale, personagem do filme “O Mágico de Oz” (1939), imortalizada pela interpretação de Judy Garland na adaptação para a tela do livro de L. Frank Baum.

Dorothy/Judy estava certíssima: é no lar, na companhia de nossos entes queridos, na doce abnegação de nossos pais, no amadurecimento do convívio com os irmãos, no apoio infalível dos amigos, que encontramos conforto e energia para perseguir nossos projetos, superar as agruras do cotidiano, aprender a cooperar e competir, enfim, crescer como seres humanos e como cidadãos.

Como seria bom se pudéssemos transplantar esses valores e adaptar alguns desses bons hábitos ao plano mais amplo da comunidade e da cidade em que vivemos!

É óbvio que não estou me referindo aos vícios anti-republicanos do patrimonialismo, conceito criado pelo sábio alemão Max Weber (1864-1920) para descrever o comportamento daqueles maus governantes que se apropriam dos bens públicos (dinheiro, cargos, instalações, veículos) em proveito próprio ou de seus parentes e cupinxas. Repito: nada menos republicano, uma vez que república (do latim, res pública, ou bem comum) é o regime em que os governantes são controlados pelo consentimento dos governados, e não aquele em que as autoridades transformam o Estado em casa da mãe Joana.

Refiro-me sim, ao fortalecimento da coesão e da solidariedade das pessoas, famílias, vizinhanças, grupos e organizações sociais em torno do objetivo geral de cuidar com carinho da cidade como fazemos com os nossos lares, afim de transformá-la em um lugar mais bonito, mais limpo, mais seguro, mais humano, em uma frase, melhor para viver.

Para concretizar este sonho, precisamos, antes de mais nada, combater a velha mania de pensar que tudo aquilo que é público não é de ninguém, podendo ser abandonado, depredado, esquecido. Não! O público é de todos, sem distinção de renda, origem, cor.

A escola pública pode ser um bom exemplo. Que tal se todos – governo e cidadãos; pais; mestres; diretores; funcionários; empresários locais; meios de comunicação; polícia etc. – Assumíssemos o compromisso de ajudar os alunos da escola próxima de nossa casa a melhorarem suas notas, a lerem mais livros, a aprimorarem seus resultados nas futuras avaliações oficiais periódicas de desempenho em matemática e ciências dos estudantes de São Luís, do Maranhão, do Brasil, a se sentirem mais seguros dentro da sala de aula e nas ruas das imediações?

É possível (re)pensar nesses mesmos moldes todos os demais setores da vida pública de um município. Afinal, em um lugar sadio, onde as pessoas se amam e respeitam, elas se reúnem para discutir os problemas que afetam a todos e todos participam da solução, debatendo alternativas, dando sugestões, contribuindo com seu talento especial, dando sua cota de sacrifício, tirando partido das diferenças naturais de temperamento e opinião, compensando deficiências mútuas em benefício de um todo maior e melhor. Com muita sinceridade, transparência e ampla circulação das informações que permitem a tomada da decisão correta e eficaz.

Reza o velho adágio que a união faz a força, e é da força desta união que precisamos para fazer de São Luís um lugar tão bom como o nosso lar.

(*) deputado federal pelo PTB/MA.

O sábado é livre para discutir os problemas do Maranhão. Artigos podem ser enviados para drpeta@box.elo.com.br ou redacao@jornalpequeno.com.br

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