PSDB pede afastamento de Renan após manobra para arquivar processo O PSDB decidiu ontem, 3, pedir o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Casa enquanto durar o processo que há contra ele por quebra de decoro parlamentar. Para o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), Renan perdeu credibilidade para continuar no cargo após a manobra de ontem do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética, para atrasar o processo.
“Esse processo só vai ficar transparente quando o Renan se afastar. Muito menos pelos gados, mas por essas manobras, ele perdeu credibilidade para ficar na presidência enquanto durar esse processo”, disse Tasso após reunião da bancada do partido.
A oposição se irritou com a decisão unilateral de Quintanilha de devolver o processo para a Mesa Diretora, o que remete a tramitação para a estaca zero. Para Tasso, Renan quebrou o “decoro parlamentar” ao promover sucessivas manobras protelatórias no Senado. “Se havia dúvida de quebra de decoro, agora não há”.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que defende que Renan tenha amplo direito de defesa nas investigações, mas que ele precisa se afastar da presidência. “Só se conseguirá a legítima defesa do senador e a investigação verdadeira se o presidente Renan se afastar enquanto durar o processo”.
O PSDB também decidiu se posicionar contra a manobra de Quintanilha. O partido defende que o processo volte para o Conselho de Ética.
Tiro no pé – A tentativa de Quintanilha de postergar as investigações acabou piorando a situação de Renan. Agora, PSDB e DEM defendem o afastamento do presidente do Senado. Juntos, os dois partidos somam 30 senadores. Além deles, outros senadores da base governista – como Jefferson Peres (PDT-AM) e Pedro Simon (PMDB-RS) – têm a mesma posição.
Renan é acusado de usar a contrutora Mendes Júnior para pagar aluguel e pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.
Uma perícia da Polícia Federal verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma “diferença” de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.
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