SEBASTIÃO NERYO ANEL DO BISPO
Rio – Alencar Furtado era candidato a deputado federal pelo MDB do Paraná, em 1970, nos horrores do AI-5. Fazia campanha com Maurício Fruet, candidato a estadual. Foram a um comício em Assis Chateaubriand, no oeste do estado. Tinham que atravessar o rio Piquiri, mas não havia ponte.
Era preciso pegar uma balsa. Puseram o carro na fila, esperando a balsa. Alencar, cansado, exausto, com frio, enrolou-se em um capote preto e dormiu no fundo do carro. Maurício, brincalhão incorrigível, que perdia um amigo, mas não perdia uma brincadeira, saiu do carro e começou a conversar com as outras pessoas da fila. De repente, pediu que não fizessem barulho:
- Por favor, falem baixo para não acordar o senhor bispo.
- Que bispo?
- O novo bispo de Assis Chateaubriand. Chegou para assumir.
- Onde é que ele está?
- Está dormindo ali naquele carro.
O pessoal, silenciosamente, cercou o carro. Alencar dormia como um bispo. Por mais que falassem baixo, fizeram barulho, Alencar acordou. Os fiéis abriram, afoitos, a porta do carro e viram Alencar vestido com seu capote preto e com seu belo anel de advogado. Só podia ser o anel do bispo.
Começaram a beijar o anel do falso bispo. Alencar não entendia o que era aquilo, deu um grito, saiu do carro em pânico. Lá longe, Maurício ria.
LULA
Imprensa e políticos perguntam como se explicam os permanentes 60% de apoio a Lula nas pesquisas. Muito simples. O desvalido povão brasileiro, atrasado, alienado, abestalhado e carente, precisa e adora um novo bispo, qualquer que ele seja, mesmo que seja o “bispo” Macedo ou a “bispa” Sônia.
Lula é o novo bispo do país. Já está até com cara de arcebispo, gordo, os cabelos grisalhos, a barba branca e a voz de sacristia. Tudo que fala, o povo acredita. Se diz que não sabe de nada, o povo acha que, coitadinho, foi traído.
Lula não descobriu a fórmula, porque é velha e universal, mas a aplica com a maior competência: comprou os banqueiros, a “imprensa amiga” e o povo pobre. Pôs a maioria do país na gaveta. Não há oposição que o derrote.
A receita é antiga. Getúlio fez assim, Perón fez assim. Chavez faz assim.
Enquanto os banqueiros receberem R$ 600 bilhões de juros, só de juros, em quatro anos (de 2003 a 2006, segundo o vice-presidente José Alencar), enquanto só o governo federal pagar mais de R$ 1 bilhão de publicidade à imprensa, como em 2006, e der R$ 100 por mês do Bolsa Família para 12 milhões de famílias (50 milhões de pessoas), Lula continuará imbatível.
É o anel do senhor bispo. Corruptos e miseráveis continuarão beijando.
RORIZ
Roriz, gordo, barrigudo e renunciado, voltou para casa carregado pelo povo. Foi o primeiro comício da quinta eleição para governador de Brasília, em 2010. Creio que o Hélio Fernandes, sempre seguro nas previsões políticas, desta vez deve errar. Ele acha que “Roriz não ganha”. É difícil Roriz perder.
Roriz é um Lula 15 anos antes, cheio de anéis para beijar. Desde 88, quando foi nomeado por Sarney governador de Brasília, ele lançou o Bolsa-Lote. Nos quatro mandatos, ele criou uma meia dúzia de cidades satélites, asfaltou, pôs eletricidade e postos de saúde e doou lotes aos milhares.
Brasília mesmo, o Plano Piloto, pode votar unânime contra ele, como quase sempre fez, mas seu eleitorado é 20% das cidades satélites, onde ninguém derrota Roriz. Nem Paulo Otavio nem o PT. Só a Justiça.
SERGIPE
Só 8% passaram no exame da OAB, no Rio. Em Sergipe, 40%. O sergipano será tão mais inteligente que o carioca? É que no Rio, escola de Direito é como farmácia e botequim. Há uma em cada esquina. Em Sergipe, são duas excelentes universidades: a Federal e uma particular (Tiradentes).
OMBUDSMAN
Gustavo Alves, de “O Globo Boa Viagem”, viajou no trenzinho de São João Del Rei a Tiradentes, “o único museu móvel do mundo”. Adorou o “recuo de mais de cem anos no tempo”. Mas advertiu sobre os charreteiros da cidade:
- “Não se esforce em prestar atenção nas explicações históricas dadas pelos charreteiros durante o passeio: geralmente estão cheias de datas falhas e histórias inverídicas” (pág. 10).
Mas é bom que o leitor também “não preste atenção nas explicações históricas” do Gustavo. Logo depois de criticar os charreteiros, ele escreve:
- “Atrás da igreja, no cemitério, há um túmulo ligado à volta da democracia no Brasil: o de Tancredo Neves, tio (sic) do governador Aécio Neves, que deveria ter sido o primeiro presidente civil desde 64, mas morreu”.
Se o Gustavo tivesse perguntado a qualquer charreteiro de São João Del Rei, teria ficado sabendo que Tancredo Naves é avô e não tio de Aécio Neves.
OMBUDSMAN (2)
No “Tiroteio” da página 4, embaixo do excelente “Painel” da Renata Lo Prete, a “Folha” publica frase de “Paulo Delgado (sic), deputado do PSB de Minas”, sobre Renan, Lula e o PT. Não é Paulo Delgado, o que foi deputado, aliás, ótimo, do PT de Minas e não se reelegeu. Esse do PSB é Júlio Delgado.
www.sebastiaonery.com.br
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