Vírus nas veias da RepúblicaA entrevista do governador Jackson Lago ao G1, portal de notícias da Rede Globo reporta-se a um Estado que vem sendo sucessiva e impunemente saqueado durante muitos anos. Mas quando fala em pôr fim à roubalheira, como fez na Prefeitura Municipal de São Luís, traz à lembrança episódios que não podem ser esquecidos. Como o do incêndio proposital da prefeitura, a partir do setor de comunicação, assim que assumiu a prefeita Gardênia Gonçalves. A história foi queimada naquele episódio. Uma longa história de corrupção, provavelmente de lavagem de dinheiro e assaltos ao patrimônio público.
Para vergonha nossa, o jornalista de O Globo coloca o governador do Estado de frente com os perturbadores índices de desenvolvimento humano, com a nossa inadmissível taxa de analfabetismo e a execrável taxa de mortalidade infantil. São, todos esses índices, sem nenhuma dúvida, fruto de uma política de lesa-pátria que arrasou o Maranhão e que teve como mentor maior o cacique da ditadura militar José Sarney.
Todo método, cubano ou não, todas as saídas são válidas para buscar a redução do índice de analfabetismo nesse Estado. E quanto à mortalidade infantil, ela explica, expõe até que ponto a corrupção, a apropriação indébita dos bens públicos, o vício da improbidade podem degradar o ser humano. A mortalidade infantil, no Maranhão, é precisamente o dobro da mortalidade infantil do Brasil. E essa vergonha, como deixou claro o governador do Estado, foi construída pela política de concentração de terra, de renda e poder que Sarney ungiu de braços dados com os generais a partir de 1965.
Quem conhece a história da crueldade do êxodo rural no Maranhão, com multidões de trabalhadores rurais sendo tangidos como gado para que, passado o estouro da boiada, promovessem invasões e mais invasões fundando praticamente um bairro por dia em São Luís e outras cidades, sabe que o Governo Sarney começou isso.
Quem conhece essa história viu o arame farpado se estendendo por milhões de hectares e uma imensidão de terras que poderiam ser cultivadas tornar-se objeto de especulação imobiliária. Por algum motivo que desconhecemos, ao suceder seu pai, muitos anos depois, Roseana voltaria a atacar os lavradores desmontando todo o Sistema de Agricultura do Estado, extinguindo até mesmo a Secretaria do setor agropecuário.
Assim deram os primeiros passos para criação do “Governo Empresarial”, uma mistificação absurda que pretendeu impor sociedade a todo e qualquer empreendimento que se quisesse instalar no Maranhão. Alguns aceitaram, mas a maioria dos empreendimentos se instalou em estados onde os acionistas não eram obrigados a dividir com membros do Governo o capital de suas empresas.
O governador ainda cunhou na entrevista uma frase que dilui a hipocrisia de um grupo que se utiliza de “laranjas” e “testas de ferro” como malfeitores dessa arquejante política de dominação: “os raios caem muito perto dos Sarney. Não é fácil enfrentar um Império de 40 anos”.
Não é fácil. Eles estão inoculados como vírus e bactérias nas veias do Estado e da República. E talvez que a única saída seja a vacina tríplice, em massa, contra o tráfico de influência, a corrupção e a tirania. Ou, como prefere o governador Jackson Lago, acabar de uma vez por todas com a roubalheira no Estado. A roubalheira que todos nós muito bem sabemos quem institucionalizou.
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