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A virgindade dos partidos políticos (Parte 4)
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A virgindade dos partidos políticos (Parte 4)

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Data de Publicação: 3 de junho de 2007
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Felinto Ribeiro*

felintoribeiroescritor@yahoo.com.br

A União Democrática Nacional (UDN) foi um partido político brasileiro fundado em 7 de abril de 1945, frontalmente opositor às políticas e à figura de Getúlio Vargas e de orientação liberal.

Concorreu às eleições presidenciais de 1945, 1950, e de 1955, postulando o brigadeiro Eduardo Gomes nas duas primeiras e o general Juarez Távora na última, perdendo nas três ocasiões. Em 1960 apoiou Jânio Quadros (que não era filiado à UDN), obtendo assim uma vitória histórica.

Seu principal rival nas urnas era o Partido Social Democrático. Até as eleições parlamentares de 1962 a UDN era a segunda maior bancada do Congresso Nacional, atrás apenas da bancada pessedista. Neste ano, o Partido Trabalhista Brasileiro roubou este segundo lugar da UDN. Como todos os demais partidos, a UDN foi extinta pelo governo militar que assumiu o poder em 1964.

Presidentes da UDN

(1945-1947) Octávio Mangabeira (Bahia), (1947-1949) José Américo de Almeida (Paraíba), (1949-1951) Prado Kelly (Rio de Janeiro), (1951-1953) Odilon Braga (Minas Gerais), (1953-1955) Artur Santos (Paraná), (1955-1957) Milton Campos (Minas Gerais), (1957-1959) Juracy Magalhães (Bahia), (1959-1961) José de Magalhães Pinto (Minas Gerais), (1961-1963) Herbert Levy (São Paulo), (1963-1965) Olavo Bilac Pinto (Minas Gerais), (1965) Ernani Sátiro (Paraíba).

Os partidos políticos brasileiros têm uma particularidade marcante, a UDN era composta de uma seara que figurava como uma elite de intelectuais e de moralistas. O prestígio conquistado por este partido no seio da sociedade mais politizada atraiu a simpatia das forças armadas, porém a sua força política estava no seio da comunidade de maior expressão econômica, política e cultural.

As forças armadas, após o regresso do campo de batalha, em 45, canalizaram para a UDN as suas pretensões de mudanças. Entendia as forças armadas que a UDN era um partido que merecia a maior credibilidade naquele momento e assim fez gestões em comum acordo com a cúpula udenista no sentido de depor Getúlio e trazer para o Brasil uma realidade de civismo e democracia.

A UDN tinha um conceito invejável perante o Brasil. Entre as figuras mais expressivas da UDN estava o brigadeiro Eduardo Gomes, herói do levante dos 18 do forte de Copacabana de 1922, no governo de Epitácio Pessoa, comandado pelo capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente da República, presidente do Clube Militar em 1922.

Eduardo Gomes ficou célebre pela sua frase “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

A UDN ficou conhecida como o partido da vigilância em decorrência da frase de Eduardo Gomes.

Outro episódio marcante da vida do brigadeiro ocorreu na rua dos Toneleiros que culminou com o assassinato do major Rubens Florentino Vaz.

O brigadeiro, após o assassinato do major, assim se pronunciou “pela honra da Nação este crime não poderá ficar impune”. O assassinato do major Vaz, em 5/8/54, culminou com o suicídio do presidente Vargas em 24/8/54.

O ex-governador Milton Soares Campos, (1900-1972), político brasileiro. Deputado estadual e federal, senador e governador de Minas Gerais, de 1947 a 1951, fundador da UDN, se candidatou duas vezes à vice-presidência e também ministro da Justiça no governo Castelo Branco.

O personagem marcante de Milton Campos entrava em conflito frontal com os costumes políticos reinantes. Ele, como governador mineiro, colocou em prática o princípio da honestidade, honorabilidade e respeito aos direitos do cidadão, embora contrariasse o seu próprio partido.

Era uma figura inolvidável. Passou pelo governo de Minas deixando bom exemplo, lamentamos que esta figura impoluta não deixou seguidores, pelo contrário, foi esquecido pela sua legenda, porque o exemplo de pureza não se coaduna com os costumes políticos.

A elite fundadora da UDN em 45 foi um foco de sabedoria e de luz.

O Dr. Milton Campos, em meu conceito, ocupa um lugar especial, como governador de Minas foi solicitado a transferir uma professora para atender conveniências políticas partidárias, ele recebeu a proposta e determinou uma sindicância junto à Secretaria de Educação a respeito da professora em causa.

O secretário de Educação fez um levantamento da vida profissional da professora em causa e constatou que se tratava de uma excelente educadora que havia prestado e continuava prestando relevantes serviços à educação em determinada cidade mineira.

O secretário, ao prestar as informações para o governador, declarou que seria um equívoco muito grave afastar aquela educadora da direção de um colégio aonde vinha desempenhando, a contento, um papel de grande realce no campo da educação da juventude daquela cidade mineira.

Afastar uma educadora com esses atributos era praticar um crime de conseqüências irreparáveis para a educação, razões políticas não devem, em qualquer circunstância, intervir no bom andamento do trabalho da educadora em causa.

O governador, ao ouvir o relatório do secretário de Educação, declarou, “prefiro renunciar a vida pública, de que praticar um ato de covardia contra uma professora deste quilate”.

O estado emocional do governador provocou copiosas lágrimas. Só ficarei na vida pública enquanto tiver condições de seguir os bons propósitos, respeitando o direito dos fracos e abdicando de perseguições políticas.

Dr. Milton Campos foi ministro da Justiça do presidente Castelo Branco, renunciou ao cargo para não abonar com a sua assinatura os atos institucionais que cassavam a vida pública de várias lideranças.

Este exemplo ficou no esquecimento de muitos, e eu trago através das colunas deste bravo jornal este episódio para estimular aqueles que comungam com os mesmos ideais de Milton Campos e, que, hoje, se encontra no mundo dos anjos, talvez reconhecido por Deus pelas virtudes que é detentor.

José Eduardo Prado Kelly nasceu em Niterói (RJ), no dia 10 de setembro de 1904. Bacharelou-se em ciências jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Obteve seu primeiro mandato legislativo em 1933, elegendo-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte na legenda da União Progressista Fluminense (UPF). No ano seguinte elegeu-se deputado federal pelo estado do Rio. A partir de então passou a fazer oposição parlamentar ao presidente Getúlio Vargas (1930-1945), tendo seu mandato interrompido no ano de 1937 em razão do golpe do Estado Novo.

Retomou suas atividades políticas no fim de 1944, participando das articulações em torno da criação de um partido que congregasse as forças favoráveis à redemocratização do país. Em 1945 colaborou para a elaboração dos estatutos da recém-criada União Democrática Nacional (UDN). Poucos meses depois foi eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte.

Em agosto de 1948 tornou-se presidente da UDN. Retornou à Câmara dos Deputados em 1955, após ficar afastado durante a legislatura anterior. Em abril deste mesmo ano assumiu a pasta da Justiça e Negócios Interiores, tendo sido nomeado pelo presidente Café Filho (1954-1956). Sete meses mais tarde foi exonerado do cargo em função de seu apoio às pretensões golpistas do presidente em exercício Carlos Luz. Encerrou sua carreira parlamentar em janeiro de 1959, no término de seu mandato legislativo.

Em 1960 foi eleito presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Tomou posse em novembro de 1965, como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma das cinco cadeiras recém-criadas por determinação do Ato Institucional n° 2, editado no dia 27 de outubro de 1965. Aposentou-se do cargo em janeiro de 1968, entregando-se a partir de então às atividades jurídicas.

Fonte: ABREU, Alzira Alves de & BELOCH, Israel (coords.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro, 1930-1983. Rio de Janeiro, Forense-Universitária/FGV-CPDOC/Finep, 1984, v.2.

No mundo jurídico nacional vieram compor a legenda da UDN, vários personagens. Prado Kelly foi o espírito combativo em que incorporou aquela elite que muito enalteceu a legenda da UDN.

Lamentamos que após a Revolução de 64, essa legenda foi extinta. Seus membros a maioria incorporou-se ao partido da revolução (Arena), porém com o desaparecimento das respeitáveis figuras este partido se descaracterizou e hoje a UDN é apenas uma legenda histórica que deixou com traços indeléveis vários acontecimentos que enobrecem a memória de uma pequena parcela de cidadãos que ainda cultivam o civismo.

A UDN se dissolveu no oceano do tempo como a elite de intelectuais coordenada por Caio Mecenas durante a gestão do imperador Augusto “O Grande”.

A luz da sabedoria romana apagou-se no término do império de Augusto “O Grande” e a UDN dissolveu-se por ocasião da Revolução de 64. Os seus membros já combalidos pelos anos e pelas crises políticas que se repetiram de 45 a 64.

O túmulo foi o refrigério destes grandes vultos e que a história atual, não tem colocado em um destaque merecido. Esperamos que os estudiosos, deste século, procurem investigar este grande tesouro de sabedoria e civismo e que irá servir no futuro de paradigma para as futuras gerações.

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