O PSOL decidiu ingressar com uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) no Conselho de Ética do Senado. Escutas feitas pela polícia flagraram Roriz negociando a partilha de dinheiro com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), preso durante a Operação Aquarela. A partilha seria feita no escritório de Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol. Neste mesmo dia, Constantino sacou R$ 2,2 milhões no BRB.
Para o PSOL, é preciso investigar melhor as ligações entre Roriz e Moura. O PSOL convidou o PV, PPS e PDT a assinarem a representação contra Roriz. Esses partidos, entretanto, ainda não deram uma resposta ao PSOL.
O senador José Nery (PSOL-PA) disse que a representação – que será apresentada na quinta-feira – vai coincidir com o lançamento da campanha “Fora Renan”. A presidente do PSOL, Heloísa Helena (AL), irá a Brasília para participar do lançamento da campanha.
Para Nery, a investigação contra Roriz não vai ofuscar o processo já em andamento no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). “O fato de existirem dois processos significa que temos que juntar forças para o combate à corrupção. Um não ofusca o outro”, afirmou ele.
Renan é acusado de usar o lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, para pagar aluguel e pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Renan chamou de “esquadrão da morte moral” a manifestação pública do PSOL. “Acho que tudo isso é um esquadrão da morte moral. São pessoas que ficam sem ter o que fazer, não tem o que apresentar à sociedade”, criticou.
O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ) reagiu às críticas de Renan. “Quem está canabalizando o erário não é quem denuncia. O esquadrão da morte é integrado por aqueles que lesam o dinheiro público.”
Outro lado – Roriz divulgou nota rechaçando “com veemência” o que chamou de “tentativas criminosas de confundir uma negociação normal, sem recursos públicos, entre pessoas físicas e jurídicas privadas”.
Roriz afirmou que contraiu empréstimo pessoal junto ao empresário Constantino no valor de R$ 300 mil em 12 de março deste ano. O dinheiro, segundo o senador, foi obtido por meio de um cheque no valor de R$ 2,2 milhões oferecido pelo empresário.
Roriz teria descontado o cheque no BRB (Banco de Brasília) para resgatar o valor em espécie, ficando com R$ 300 mil. O senador não menciona se devolveu o restante (R$ 1,9 milhão) ao empresário.
O motivo para o empréstimo, segundo o senador, foi a necessidade de “realizar pagamento inadiável” para a aquisição de um animal, além da ajuda financeira a Benjamin Roriz, seu primo.
Do total, o senador diz que repassou R$ 271.320 para o pagamento à Associação de Ensino de Marília, para a compra de parte de uma bezerra nelore.
O dinheiro, segundo Roriz, foi depositado em conta corrente no Banco do Brasil, na agência 3852-0. O restante, R$ 28.680, teria sido utilizado para socorrer financeiramente Benjamin.
Roriz disse que conversou por telefone com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), para que ele facilitasse o resgate do cheque de R$ 2,2 milhões no banco.
Roriz alega que tinha pressa no resgate do dinheiro porque, se efetivasse o pagamento da bezerra até o dia 14 de março, teria desconto de R$ 260.680 no pagamento do animal. Constantino divulgou nota confirmando ter realizado um empréstimo de R$ 300 mil para Roriz.