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Opinião - A cidade e os sistemas II

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Data de Publicação: 24 de junho de 2007
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*Reverendo Luiz Carlos Porto

“Os mais eficientes terão maior capacidade de competitividade, os menos eficientes receberão uma ajuda extra dos poderes constituídos”.

Este mundo é um campo de batalha, sendo que a maior de todas as batalhas é travada dentro de nossas cidades. Conhecer a ‘alma’ da cidade é um privilégio de poucos. A maioria dos habitantes da cidade existe em função dos sonhos pessoais e mais imediatos. É mínimo aquele sentimento de pertencer a um organismo maior, cujo funcionamento está diretamente relacionado com a ação de cada parte, isto é, de cada cidadão. A desarticulação dos sentimentos e das ações é um instrumento valiosíssimo para os mentores dos sistemas que operam nos bastidores da cidade. É infinitamente mais fácil vencer um exército fragmentado do que um exército bem articulado, com objetivos bem definidos e um comando aglutinador. Um rebanho sem pastor sempre estará à mercê dos lobos devoradores.

O sistema econômico sempre esteve presente dentro da cidade. Considerando que a cidade é um local de produção e de consumo, logo, é fácil concluir a existência de muita riqueza nos corredores dela. O sistema econômico de satanás, monitorado por pessoas que servem à causa dele, sempre procurará concentrar as riquezas da cidade nas mãos de poucos. É certo que a democracia e o livre mercado dão respaldo para que as pessoas possam concorrer em busca das riquezas que a cidade oferece. Entretanto, é bom que se diga, o sistema econômico estará sempre criando instrumentos para manter a maioria da população fora do páreo. Assim, as riquezas sempre cairão nos bolsos de alguns privilegiados.

O sistema econômico desconhece a palavra equidade. Ele sempre quer tudo para si. Esse sistema cria as leis de mercado sabendo de antemão que não existem concorrentes e sim, assistentes. A justiça é cega, mas enxerga alguns. Enxerga os mesmos de sempre. O mandamento do Senhor ‘é melhor dar do que receber’ recebe uma hermenêutica invertida pelo sistema econômico.

O sistema econômico desconhece a palavra solidariedade. A alma dele é alma bandida, sádica e implacável. Não interessa se os outros filhos tenham direito legal à herança. Se for preciso ele mata todos os irmãos para ficar sozinho com tudo. As cidades conhecem muito bem o apetite perverso do sistema econômico, pois são muitos os filhos que estão fora do testamento. Sem solidariedade, convivemos com riqueza ao extremo e miséria ao extremo. É assim: alguns montados em montanhas de ouro, outros em montanhas de choro. Uns dormindo em berço esplêndido e outros em miséria.

O sistema econômico de Deus possui um caráter distributivo. As riquezas produzidas pela cidade estão à disposição de todos. Os mais eficientes terão maior capacidade de competitividade, os menos eficientes receberão uma ajuda extra dos poderes constituídos. No fim do processo todos serão beneficiados e compartilharão das riquezas da cidade. Economia distributiva faz parte do caráter de Deus e de nações onde as leis são feitas e cumpridas levando em conta os anseios, necessidades e expectativas das pessoas da cidade. Manipular o sistema econômico para privilegiar um grupo seleto é próprio do caráter de satanás. A opressão operada por ele não ocorre apenas no plano espiritual. A miséria de um povo é a música de fundo do inferno. Oprimir um povo é agredir a Deus. Infeliz aquele que insulta ao Todo-Poderoso.

Se o sistema econômico estiver nas mãos de pessoas justas e solidárias, a cidade será mais rica, seus habitantes serão mais ricos e a vida será incomparavelmente melhor.

*Vice-governador do Maranhão

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