Jersan Araújo
O Maranhão está em festa. Bumba-Meu-Boi, quadrilhas, tambor de crioula, danças cigana, portuguesa e tantas outras atrações fazem à alegria da população. Antes, só São Luís e algumas cidades mergulhavam nesse sonho. Hoje é o Maranhão inteiro que vive esse momento festivo. O festejo junino, além de oportunizar a divulgação da nossa cultura popular estimula o povo a esquecer as desgraças promovidas pelos escândalos envolvendo a classe política e participar das brincadeiras.
E por falar em escândalos, o país assiste a teimosia e a arrogância do presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB) que insiste em não renunciar e peita os colegas como alguém que, apesar de tudo que já foi divulgado, não se considera pior que os outros. Em suma: todos são iguais na prática de irregularidades que chegam a dar náuseas?
Mas vamos esquecer essa bagunça que alguns políticos resolveram transformar o Brasil. O fato é grave, mas falar na nossa cultura popular é mais prazeroso. Depois da festa voltaremos a tratar de política. De política? De política e de escândalos. Sim. Nos últimos anos uma não se separa da outra para decepção de milhões de brasileiros. Mas é bom lembrar que a minoria que participa e se locupleta com essa postura condenável, não está nem aí.
Agora, na gestão de Jackson Lago o festejo junino rompeu a barreira da ilha, atravessou ponte e mares para abranger o interior. O poeta e secretário Joãozinho Ribeiro comandou a elaboração de uma programação audaciosa que contempla todos os municípios (ou quase todos) que fazem o recheio com as brincadeiras locais. É contagiante, é bonita de se vê. O bumba-meu-boi puxa o cordão, ouriça a sociedade. Têm as bandas, o tambor de crioula, o bambaê, as danças e comidas típicas. É só alegria.
A tristeza é patrocinada pelos políticos descompromissados com as causas desse povo bom que se contenta com o mínimo. Enquanto eles querem sempre mais e mais. Mandam ética e decoro as favas. Comprometem a imagem das instituições, zombam da boa fé da população. Como diz o Macaco Simão “nós sofre, mas nós goza.” Estamos aqui a brincar o São João. Vamos brincar no dia de São Pedro. Veremos bois de todos os tipos. Já o Renan, quem diria, não terá condições de ir a Alagoas para olhar o próprio gado.
Com todos os problemas que enfrenta pela prática de irregularidades, o presidente do Senado Federal deverá permanecer em Brasília. Caso consiga, com ou sem pressão e ameaças se livrar da cassação, nunca mais Renan Calheiros será o mesmo. Como aquele autoritário que conduziu com ar de o mais honesto dos homens, a cassação dos mandatos dos Capibaribe... Viva São João, abaixo Renan.
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