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cidadesOnda de assaltos assusta motoristas de ônibus da área Itaqui-Bacanga

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22 de junho de 2007

Por José Linhares Jr.

Apenas na última terça e quarta-feira (19 e 20) os motoristas que trabalham nas linhas Vila Nova, Vila Ariri, Ilha da Paz, Vila São Luís e São Mateus, que servem a área Itaqui-Bacanga, registraram cerca de 10 assaltos a ônibus nessas comunidades. Os motoristas afirmaram estar convivendo com o terror diariamente e que temem por suas vidas. “Antes os assaltos tinham intervalos de alguns dias e até de semanas. Hoje eles acontecem pela manhã, tarde e noite. A coisa está caindo em uma normalidade absurda. Não há segurança nem para motoristas, cobradores e passageiros”, disse um condutor que preferiu não se identificar.

Os motoristas relataram que na terça-feira foram realizados mais de cinco assaltos. Mas o pior caso foi registrado na quarta-feira, quando cinco homens assaltaram um ônibus e, logo em seguida, pararam outro e levaram toda a renda. “A situação é exatamente esta: eles não têm nem mais a preocupação de fugir depois que cometem os assaltos. Parece que está tudo liberado”, disse um cobrador, afirmando que já está com medo que os assaltantes comecem a botar os ônibus em fila para roubar.

As vítimas relataram que os assaltantes agem, geralmente, em duplas, sendo que um entra pela porta de embargue e o outro aproveita o desembargue de passageiros para entrar pela porta de trás, e se aproximam do cobrador e do motorista para anunciar o assalto. “Já fui assaltado mais de seis vezes. O problema está tão sério que basta eu ver alguém entrando pela porta de trás que já fico pensando se vou voltar para casa, ou se vou levar um tiro ou uma facada”, relatou outro motorista.

As armas utilizadas pelos assaltantes vão desde facas de mesa até revólveres de alto calibre. Os motoristas também informaram que os marginais agem sob o efeito de drogas, na maioria das vezes. “A gente percebe logo que eles não estão em estado normal. E nas mãos de uma pessoa drogada, uma faca ou um revolver é perigo em triplo”, disse outro motorista.

Nas linhas trabalham mais de 35 pessoas, entre cobradores, motoristas e fiscais. Um motorista afirmou que a audácia dos assaltantes aumenta a cada dia. “Eles nos ameaçam. Dizem que se nos vir em delegacia ou de conversa com PMs dentro dos ônibus irão nos matar e nada vai acontecer”.

Apesar de os assaltos estarem alastrando durante todo o dia, os que mais sofrem com a ação dos bandidos são os trabalhadores do segundo turno. “Quem trabalha durante a tarde e a noite não tem sossego. Eles costumam pedir para que a gente pare no Morro do Boréu, lá na Vila Ariri. Quando está claro ainda dá para você se controlar um pouco. Mas, no fim da tarde e noite a escuridão aumenta o medo”.

Polícia – O coordenador do Centro Integrado de Segurança Cidadã – Área Sul (Cisec), capitão Elcio Bahury, reconheceu o problema. “Nossa tarefa aqui no Cisec é fazer um trabalho mais voltado para a convivência social e menos repressivo. Justamente por isso já nos chegaram informações sobre estes assaltos”.

Apesar de saber do problema, Elcio Bahury explicou que a falta de contingente atrapalha as ações de prevenção. “Não temos um contingente grande o suficiente. Somos poucos, e a área é uma das mais populosas de São Luís. Dessa forma qualquer ação exclusiva da Policia Militar não é suficiente”.

Mesmo assim, o capitão afirmou que o Cisec já estuda formas alternativas de atuação. “Vamos chamar o Corpo de Bombeiros, policiais da Delegacia de Costumes, 16º e 5º Distrito Policial para iniciar grandes operações em conjunto por toda a área. Além disso, já estamos em conversações com a Secretaria de Segurança Cidadã pedindo que o Cisec deixe de se tornar apenas um centro de prevenção de crimes e que possa também atuar como força repressora da criminalidade”, explicou.

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