Nota dez o décimo número da revista Almanaque JP Turismo, cada vez mais investindo na garimpagem do universo cultural maranhense, rico em sua diversidade, como ferramenta indispensável na exploração racional do turismo cultural. A revista sai em junho, a época do ano que reflete a identidade do povo maranhense, com o reinado joanino expresso na magia do Bumba-Boi. Em matéria batizada de São João do Maranhão, Inara Rodrigues mergulha nas raízes das tradições da nossa cultura popular, enveredando pelo Tambor-de-Crioula, pelo Cacuriá e pelo próprio Bumba-Boi.
Na carona da temática, Juliana Manhães oferece ao leitor a riqueza de uma experiência estética vivenciada em meio aos nossos artistas populares, caixeiras do Divino, mestres do Tambor-de-Crioula e amos de Boi, artesãos e coreiras. Desse contato surgiu o espetáculo Divino Emaranhado na Baixada Maranhense, trabalho sobre o qual a artista revela em texto as mais profundas particularidades. Também no Bumba-Boi investe o teclado de Flávia Moura, que informa sobre o projeto social Floresta Criativa, desenvolvido pelo Bumba-Boi da Floresta que atende a 180 jovens adolescentes carentes no bairro de São Luís que dá nome ao Boi.
Dedicando especial atenção ao nosso patrimônio cultural e arquitetônico, Martha Barros viaja no tempo e revela aos leitores a história da Escola de Música Lilah Lisboa, criada em 1973, inaugurada em 1974 e que desde aquela época vem formando talentos musicais, como é o caso do músico maranhense Josias Sobrinho, que dá um depoimento importante sobre os primeiros momentos da Escola. Ainda na linha patrimonial, Martha escreve sobre o Estaleiro-Escola, recentemente inaugurado em São Luís, e que representa um investimento de suma importância para a manutenção da arte dos carpinteiros navais do Maranhão, sob a coordenação do incansável engenheiro civil Luiz Phellipe Andrés, idealizador do projeto e do primeiro Curso Técnico de Nível Médio em Construção de Embarcações Artesanais Maranhenses.
Dando continuidade ao projeto da revista de visitar um por um cada município maranhense, resgatando ou descobrindo as suas potencialidades turísticas, o ABC do Turismo visitou o município de Icatu, dono de uma história fascinante e que abriga lugares paradisíacos. O texto de Paulo Melo Sousa explora o potencial do turismo ecológico, revelando ainda as particularidades culturais de toda aquela região sagrada, abençoada pelas águas do Munim. Na entrevista da vez, Paulo Melo Sousa oferece aos leitores uma aprofundada conversa com a especialista alemã Karin Weber, na qual a restauração das obras de arte revela seus mistérios e evidencia sua importância para a sobrevivência dos bens culturais.
Colaboração auspiciosa é proporcionada pelo jornalista Ed Wilson Araújo que nos apresenta em matéria especial, intitulada “Agricultura e artesanato impulsionam desenvolvimento no Território Lençóis-Munim”, todo um trabalho que vem sendo desenvolvido a partir da criação do Centro de Capacitação e Produção de Artesanato, financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA e que se localiza no município de Santo Amaro. O texto se aprofunda no trabalho artesanal da cerâmica, como a do Periá, e do artesanato com a fibra do buriti, descortinando novos horizontes para os artesãos maranhenses.
A arte da alfaiataria é explorada pela jornalista Cida Macedo, que descobre nos artesãos do tecido, que ainda resistem ao tempo, uma das nuances da velha São Luís, atividade que precisa ser resgatada pelos órgãos públicos ligados ao Turismo. Cida viaja ao interior do Maranhão e relata a experiência vitoriosa da ONG Formação, com atuação na Baixada Maranhense. Entre Palmeirândia e São Bento, a jornalista descreve o sucesso do Condomínio Cauaçu, um dos projetos do Centro Integrado de Projetos Jovem Cidadão (PJC) da ONG Formação.
Fernando de Noronha abre as suas portas ao leitor sob o olhar do editor da revista, Gutemberg Bogéa, que visitou o arquipélago durante reunião do Conselho Nacional da ABRAJET – Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo. As belezas do lugar são estimulantes e o turismo ecológico ali desenvolvido serve de lição para quem estiver disposto a investir nesse maravilhoso ramo do turismo. A revista oferece ainda conto de Nelin Vieira, texto poético de Zema Ribeiro e ensaio de Herbert de Jesus Santos sobre o artista popular Gerô. A revista atinge a sua maturidade e funciona como território livre para a divulgação das potencialidades que o Maranhão possui no segmento turístico e cultural. Destinado a estudantes e profissionais da área de turismo, a publicação possui conteúdo trabalhado para os mais diversos paladares, representando informação de qualidade para a comunidade em geral, interessada em um produto dotado de primeira qualidade informativo.