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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 2 de junho de 2007
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FESTIVAL DE IMPOSTURA

Rio – Pedro Paulo Penido, dentista da Polícia Militar de Minas, professor nomeado da Faculdade de Odontologia e Farmácia da Universidade Federal, autor do livro “Contribuição ao Estudo da Morfologia Dentária em Relação à Antropometria da Infância”, era reitor da nossa UFMG entre 52 e 55.

Os estudantes lançaram a campanha por uma reforma da Universidade, sobretudo para a abertura de concursos para novos catedráticos e assistentes, que não eram feitos há muito tempo. O reitor e seu grupo, que controlavam a Universidade, resistiam. E nosso movimento esquentando e engrossando.

Houve uma solenidade na Faculdade de Direito, o reitor foi. Jorge de Melo Castro, aluno talentoso e exemplar, levantou-se e o interpelou, perguntando se ele era contra concursos porque não tinha feito concurso. O reitor gritou que a pergunta era um desacato. Resposta de Melo Castro:

- Exmo. senhor reitor, contra a impostura só o desacato.

EMPREITEIRAS

Mas há outros remédios contra a impostura. A verdade, por exemplo. A grande mídia (TVs, revistas, jornais) está desossando a pequena empreiteira picareta da Bahia que a Operação Navalha flagrou distribuindo dinheiro no governo federal e em alguns estaduais, para conseguir obras que não faz.

São milhões roubados de dinheiro público. Mas a Gautama é apenas a 10ª empreiteira do país. Imaginem o que não fazem as nove maiores, com muito mais força, mais dinheiro, mais ligações políticas, mais verbas e obras.

Delas, não se ouve nada. Fazem parte do poderoso sindicato do poder, há gerações instalado nos governos, no Congresso, na grande imprensa.

É um festival de impostura.

MULTINACIONAIS

Muito mais do que as empreiteiras, que já corrompem demais, corrompem as grandes empresas privatizadas, as multinacionais concessionárias de serviços públicos, favorecidas em um processo de privatizações que na realidade foi de doações, sem terem que entrar com dinheiro nenhum, porque o BNDES e os Fundos de Pensão financiaram tudo.

As empreiteiras corrompem em dezenas de milhões. As multinacionais, em centenas de milhões. E nem escondem. Está nos jornais. O BNDES financiou e algumas não pagaram. O BNDES transformou as dívidas em ações e depois vende as ações a elas mesmas, como agora está fazendo com a Light. É um festival de impostura.

BANCOS

E os bancos? Esses são os piores, os campeões absolutos da pan-corrupção. As multinacionais corrompem em centenas de milhões. Os bancos, em bilhões. Quanto pagou e ainda paga, o Santander, à corrupção, para ganhar, de graça, por um só real, o Banespa, o segundo maior banco do país?

São propinas, comissões, “consultorias” de valores inacreditáveis. Estava ontem na “Folha”. Um tamborete, um banco virtual, sem agências e sem clientes, o Opportunity, do falso banqueiro baiano Daniel Dantas, “teve uma disputa com os fundos de pensão pelo controle acionário da Brasil Telecom. Quando Daniel Dantas controlava a empresa, contratou Mangabeira Unger como consultor: o filósofo teria recebido US$ 2 milhões pelo trabalho”.

É um festival de impostura.

RENAN

O ti-ti-ti da semana é o “pecado”, o “martírio” do presidente do Senado Renan Calheiros, por ter uma filha com a jornalista Mônica Veloso, que foi da TV Globo em Brasília. De julho de 2004, quando a filha nasceu, a dezembro de 2005, quando a registrou e a Justiça fixou uma pensão de R$ 3 mil, agora R$ 7 mil, Renan pagou à jornalista R$ 12,5 mil por mês, para ela calar a boca.

Não calou. Queria mais. Inconformada com a pensão fixada pela Justiça, abriu a boca no mundo, na “Veja”. Uma chantagem evidente, manipulada pelo notório advogado Pedro Calmon Filho. Mônica acusou Renan de pagar os R$ 12 mil com dinheiro da empreiteira Mendes Júnior, porque quem lhe levava todo mês o dinheiro era um velho amigo dele, Cláudio Gontijo, empregado da Mendes Júnior, gente boa, que vive há anos em Brasília e todo mundo conhece. A denúncia está no Senado. Renan entregou todos os extratos bancários. A “Folha” disse que “seus extratos listam saques compatíveis com os valores”.

A “Veja”, que circula sábado, alterou toda a sua caríssima engenharia empresarial e antecipou a saída para sexta de manhã, só porque à tarde haveria a audiência na Vara de Família, que aumentou a pensão para R$ 7 mil. Qual o interesse de a “Veja”? Mino Carta disse em livro que a “Veja” é um cifrão gráfico.

FERNANDO HENRIQUE

Fernando Henrique “defendeu o afastamento de Renan da presidência do Senado”. Por que ele não se afastou da presidência da República, quando nasceu seu filho com uma também jornalista da TV Globo, concessionária pública, que mantém mãe e filho em Barcelona, em um exílio já de 15 anos?

Com uma diferença gravíssima. Renan registrou a filha. FHC não registrou o filho, ao menos até há pouco, quando a revista “Caros Amigos” publicou a certidão de nascimento de Tomás, filho de três pontinhos.

É um festival de impostura.

www.sebastiaonery.com.br

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