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Gospel
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A soberania de Deus na salvação II

A soberania de Deus na salvação II

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Data de Publicação: 18 de junho de 2007
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Pr. Irailton Melo de Souza

Base Bíblica:

João 1.12,13; Romanos 8.1-4; Tito 3.4-7

INTRODUÇÃO

Na primeira parte deste estudo, ao vermos o ensino bíblico sobre a impossibilidade do homem, concluímos que, se a salvação é uma impossibilidade para o homem, aquele que é salvo, o é por iniciativa e obra exclusiva e soberana de Deus.

Ao lado da impossibilidade do homem a Bíblia ensina, com toda clareza, a possibilidade de Deus. Em Lucas 18.27 Jesus diz aos seus discípulos que “os impossíveis do homem (a respeito da salvação eterna) são possíveis para Deus” (Lucas 18.27).

Ao dizer: “Ninguém pode vir à mim”, Ele disse também: “se o Pai que me enviou não o trouxer” (João 6.44). Isto é: “Se forem trazidos pelo Pai, poderão vir a mim”. Desta forma, do começo ao fim, a salvação é uma obra de Deus.

1. COMO A TRINDADE OPERA A SALVAÇÃO

1.1 NA DETERMINAÇÃO DE DEUS PAI

Vimos que, por causa da corrupção da vontade, o homem não deseja a salvação. Assim sendo a vontade que determina a salvação é a vontade de Deus. Este é o ensino claro e abundante das Escrituras.

João ensina que aqueles que crêem em Jesus nasceram, espiritualmente, da vontade de Deus (João 1.12,13).

Paulo, escrevendo aos Gálatas, disse que Jesus “se entregou a si mesmo, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gálatas 1.4).

Foi segundo o beneplácito de Sua vontade - diz Paulo - que Deus nos predestinou para adoção de filhos (Efésios 1.5).

E foi segundo a Sua determinação - afirma o mesmo Apóstolo - que Deus nos salvou (2 Timóteo 1.9). Assim o que determina a salvação não é algo que esteja no homem, mas é a vontade livre e soberana de Deus.

No homem nada há que possa determinar a sua salvação, nem o arrependimento ou a fé. É claro, na Bíblia, que não há salvação sem arrependimento e fé. Mas é claro também que tanto o arrependimento quanto a fé são dons concedidos por Deus. Que o arrependimento é um dom concedido por Deus é ensinado em 2 Timóteo 2.24,25; Atos 5.31 e 11.18.

A fé como dom concedido por Deus

Que a fé é um dom concedido por Deus é ensinado em Atos 13.48; 2 Tessalonissenses 2.13; Efésios 2.8,9; Tito 1.1. 

Assim toda e qualquer pessoa que é salva, não o é por vontade própria, mas pela vontade de Deus. Isto não significa que aquele que vai à Cristo, faz isto contra a sua vontade. Significa, sim, que Deus renova, soberanamente, a vontade humana corrompida, para que o homem, em harmonia com sua vontade renovada, vá livremente a Jesus, o Salvador.

1.2 NA JUSTIÇA DE DEUS FILHO

Na primeira parte deste estudo nós vimos que a culpa é um impedimento para homem aproximar-se de Deus. O homem culpado não pode se aproximar de Deus se não for inocentado antes, pois Deus, por seu caráter justo, não pode receber pecadores para Si, a menos que Sua reta e santa justiça seja satisfeita.

Em Hebreus 9.22 lemos que “sem derramamento de sangue não há remissão de pecados”. É exatamente nesta questão que Jesus opera a salvação.

A Bíblia ensina que Jesus Cristo veio para satisfazer as exigências da justiça de Deus, e desta forma Deus pode receber pecadores sem deixar de ser justo.

Com o sacrifício de Cristo, Deus se tornou justificador, sem deixar de ser justo (Romanos 3.26). A punição que a justiça de Deus exige para o pecado é a morte (Romanos 6.23). E Jesus veio para receber, no lugar daqueles que Deus quis salvar, a referida punição. Ele morreu, satisfazendo assim as exigências da justiça de Deus, no lugar dos eleitos de Deus.

Uma vez satisfeita por Cristo, a justiça de Deus não exige mais punição daqueles que estão em Jesus (Romanos 8.1). Uma vez justificados por Cristo, os salvos têm paz com Deus (Romanos 5.1), têm acesso à Ele, pois com Ele foram reconciliados (Rm 5.10). O trono de justiça se tornou, para os salvos, trono da graça. O obstáculo da culpa foi retirado; mas foi retirado por Deus.

Deus Pai quis a salvação de um povo para Si e Jesus Cristo, o Deus Filho, enviado pelo Pai, retirou o obstáculo da culpa. Deus Espírito Santo atua gerando no ser humano a consciência do pecado, da justiça e do juízo de Deus (João 16.8). Assim, a Santíssima Trindade opera harmonicamente na realização dos propósitos divinos.

Jesus disse que veio para fazer a vontade do Pai (João 6.38) , e a vontade do Pai é que nenhum dos que Ele desejou salvar se perca (João 6.39)

1.3 NA REGENERAÇÃO DE DEUS ESPÍRITO SANTO

Na primeira parte do estudo nós vimos que outra razão que torna a salvação uma impossibilidade para o homem é a contaminação.

A humanidade, ao se rebelar contra o Criador, tornou-se não apenas culpada, mas também contaminada. O ser humano, desde então, sofreu avarias seríssimas em todas as suas faculdades. Desta forma, o homem não pode escolher a salvação, porque a sua faculdade de escolha, causa imediata de todas as ações, não funciona corretamente.

Em outras palavras, o homem não pode ir à Jesus para ser salvo porque não quer; e não quer, porque o seu entendimento e as suas afeições não funcionam corretamente. E como, por causa desta contaminação, não há nenhuma possibilidade do pecador compreender, amar e desejar as verdades de Deus, a Bíblia fala desta contaminação em termos de morte espiritual. Morto! É assim que a Bíblia descreve a situação do homem.

Sendo assim, ninguém poderá ser salvo, a menos que seja purificado desta contaminação, a menos que receba vida, a menos que seja regenerado, isto é, espiritualmente gerado outra vez. É exatamente esta a obra do Espírito Santo na salvação do pecador.

Em Tito 3.5 a Bíblia nos ensina que Deus “nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”. Este lavar regenerador do Espírito consiste na restauração do entendimento espiritual, outrora obscurecido.

Paulo diz que as verdades de Deus não podem ser compreendidas pelo homem natural, pois elas se discernem espiritualmente (1Co 2.14). Estas verdades que o homem não pode compreender por si só, Deus as revela pelo Espírito Santo (1Co 2.10).

Assim, a menos que o Espírito abra o entendimento do pecador, ele jamais desejará as coisas de Deus, posto que continuarão sendo loucura para o seu entendimento obscurecido. Em segundo lugar, este lavar regenerador e renovador do Espírito consiste na restauração das afeições, outrora contaminadas.

O ensino Bíblico é que a obra, livre e soberana, do Espírito Santo é absolutamente necessária para a salvação do pecador. Jesus disse a Nicodemos que quem não nascer do Espírito não pode ser salvo (João 3.3-5), e Paulo afirmou que todo o que reconhece e se submete humildemente ao senhorio de Cristo, o faz por obra do Espírito (1 Coríntios 12.3).

CONCLUSÃO:

Concluímos que, segundo o ensino bíblico, a salvação é, do começo ao fim, obra exclusiva e soberana de Deus.

Todos os que são salvos, são por causa da vontade de Deus. “Por que assim foi do Teu agrado, ó Pai” (Mateus 11.26).

Todos os que são salvos, são por causa da justiça de Jesus Cristo, o Deus Filho, sem o qual o homem permanece sob a ira de Deus (João 3.36).

E todos os que são salvos, são por causa da obra regeneradora do Espírito Santo.

APLICAÇÃO

Qual a importância prática desta mensagem para as nossas vidas?

Sobretudo de gerar uma vida de adoração, submissão e humildade; valores que têm sido substituídos por arrogância e insubmissão, impedindo-nos de experimentar uma vida cristã plena.

irailton@yahoo.com.br

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