Petrobras anuncia resultados de 2006, mas presidente evita a imprensaPor Kátia Persovisan
Enviada Especial*
Maranhão está nos planos da empresa e diretor financeiro conta que o Estado pode ser excelente opção para a produção de biocombustível
A Petrobras reuniu jornalistas de todo o país na última terça-feira, dia 12, no 24º andar de sua imponente sede localizada na avenida Brasil, no Rio de Janeiro, para anunciar os resultados que obteve nas mais diversas áreas no ano de 2006. Estiveram presentes o presidente da empresa, Sérgio Gabrielli; o diretor executivo de Comunicação Institucional, Wilson Santarosa; Raul Campos, gerente executivo de Relacionamento com Investidores; o diretor financeiro de Relação com Investidores, Almir Barbassa, além de representantes dos mais diversos segmentos da Petrobras e auditores. O que era para ser rotina – uma coletiva para anúncio de dados – transformou-se, em parte, numa frustração.

Coube então ao diretor Financeiro de Relações com Investidores, Almir Barbassa, responder às perguntas dos jornalistas. Sobre a Bolívia, Barbassa foi econômico e cuidadoso com as palavras, e respondeu apenas que há alguns prazos a serem cumpridos até que a Petrobras se retire totalmente do país. Ele falou ainda sobre os mais diversos projetos que a Petrobras tem pela frente e o principal deles, que é transformar-se em produtora de biocombustíveis. O esforço é enorme: até na ilustração dos relatórios entregues aos jornalistas, a figura que ilustra as capas é de uma mamona. Mas se hoje a Petrobras vive com um produto que chega pronto – o Petróleo – terá agora que lidar com uma cadeia que vai desde a produção (preocupação com quem planta, utilização de mão-de-obra infantil ou trabalho escravo, etc.), passando por toda a logística de aquisição e distribuição.
E hoje, tudo ainda está bem no começo. Até agora, já foi enviada a primeira carga de álcool para o Japão, apenas para um teste de entrada, pois não há contrato para longo prazo. Um dos principais problemas para a exportação de uma carga maior do combustível para o Japão e outros países é a falta de um mercado internacional do produto, que seja capaz de definir seus preços “Eles (os japoneses) querem firmar contratos de 10 a 20 anos, mas temos dificuldades em estabelecer preços para um período desses”, afirmou. Mas nem por isso a empresa deixa de estabelecer metas audazes: quer exportar, até 2011, 3,5 bilhões de litros de álcool anuais em 2011. No ano passado, a produção total do Brasil foi de 16 bilhões de litros do produto.
Quanto aos biocombustíveis, atualmente estão sendo construídas no semi-árido brasileiro, três indústrias: uma Montes Altos (MG), Quixadá (CE) e Candeias (BA). Questionado a respeito de investimentos no Maranhão, Barbassa revelou estar informado de que o Governo do Maranhão estará prospectando negócios na área de bioenergia e ter conhecimento de que na safra 2006/2007, o Maranhão produziu 2 milhões e 784 mil toneladas de cana-de-açúcar.
E não apenas isso: segundo estudo realizado pelo Pólo Nacional de Biocombustíveis, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e a Universidade de São Paulo (USP – Esalq), o Maranhão produz álcool suficiente para abastecimento do mercando interno, chegando a gerar um excedente, que já é exportado para outros dois estados nordestinos. “Sabemos que o Maranhão possui excelentes condições de clima, solos e disponibilidade de terras e com certeza isso será levado em conta”, afirmou.
Dados
Entre os números apresentados pela Petrobras aos jornalistas destaca-se o fato de que a execução de programas sociais, o desenvolvimento sustentável e resultados financeiros incluiram, no ano passado, lucro recorde de R$ 25,9 bilhões.
Em 2006, os projetos sociais, ambientais, culturais e esportivos apoiados pela Empresa absorveram investimentos totais de R$ 591 milhões – 14,1% a mais que em 2005.
Na área social, cabe destacar o Programa Petrobras Fome Zero (PPFZ), desenvolvido em linha com as diretrizes definidas pelo Governo Federal. Desde que foi criado, em 2003, o PPFZ já atendeu 10,7 milhões de pessoas (2,4 milhões de pessoas diretamente e 8,3 milhões de pessoas indiretamente), por meio de mais de 18 mil parcerias e 2.058 projetos que totalizaram cerca de R$ 386 milhões. Somente em 2006 a Petrobras patrocinou 742 projetos inseridos PPFZ, destinando o total de R$ 176 milhões.
A Companhia também adotou o Programa Petrobras Jovem Aprendiz, que oferece formação profissional e educação para o trabalho a 2.555 jovens. Além disso, no ano passado a Petrobras repassou R$ 48,6 milhões ao Fundo para Infância e a Adolescência (FIA). Esses recursos atenderam a 1,2 milhão de crianças e adolescentes.
O Plano de Negócios da Companhia para o período 2007/2011 prevê que o equivalente a US$ 49,9 bilhões dos investimentos relacionados aos projetos no Brasil - ou 66% do que será investido nos próximos cinco anos – sejam destinados ao mercado fornecedor local. Com este montante, estima-se que a Petrobras seja capaz de gerar, em média, 840 mil postos de trabalho por ano, sendo 225 mil diretos. Para este ano estão previstos a criação de 970 mil novos empregos diretos, indiretos e efeito renda.
Na área ambiental, foi investido em 2006 cerca de R$ 1,4 bilhão em programas que visaram à valorização, à preservação e à recuperação do meio ambiente. Com os avanços em seus processos a Petrobras deixou de emitir o equivalente a 171 mil toneladas de carbono na atmosfera. Ações nesse sentido proporcionaram avanços importantes nas comunidades onde a Companhia atua e da força de trabalho que utiliza para o seu crescimento.
Ao que se refere às práticas ambientais, cabe ressaltar o desenvolvimento do diesel Podium, combustível que gera menos emissão de partículas e fumaça; o novo processo de refino H-Bio, que produz um óleo diesel mais limpo; e a produção de etanol a partir de rejeitos vegetais, que cumpre ainda a tarefa de criar condições de desenvolvimento econômico de pequenos produtores.
Vale destacar, ainda, que a Petrobras encerrou o ano de 2006 com 100% das suas unidades internacionais e 84% de suas unidades no Brasil certificadas com a ISO 14001, que trata dos aspectos ambientais.
EM NÚMEROS
Em 2006: lucro líquido recorde de R$ 25,9 bilhões; investimento de R$ 302 milhões em desenvolvimento de recursos humanos e mais de 50 mil empregados participaram de cursos oferecidos pela Universidade Corporativa Petrobras.
Para sustentar a expansão dos negócios, foram contratados 8.539 novos empregados.
Em seus projetos, a Petrobras prevê 15 grandes projetos de produção de petróleo e 10 grandes projetos de produção de gás natural até 2011, o aumento da oferta de gás natural no Sudeste para 40 milhões de m3/dia até 2008, no contexto do Plangas e aumento da produção total de petróleo e gás para 3.493 mil boed em 2011 e para 4.556 mil boed em 2015.
A jornalista viajou a convite da Petrobras. A matéria também utilizou informações da assessoria da empresa.
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