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ColunasInforme JP - Ética à la Cafeteira

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17 de junho de 2007
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Carta ao leitor da Veja que já está nas bancas:

“Os processos de apuração de desvios de conduta dos próceres de uma nação precisam resultar em algum aprendizado para a classe política, em benefício da sociedade. Sem esse saldo positivo, o que se tem são casos que geram mais calor do que luz. No caso atual envolvendo Renan Calheiros, presidente do Senado, corre-se o risco de que a exposição de suas perigosas ligações com um lobista de empreiteira e de seus negócios agropecuários obscuros termine sem uma apuração cabal dos fatos como quer o complacente relator do Conselho de Ética do Senado, senador Epitácio Cafeteira.

Os senhores senadores precisam estar cientes do fato de que ao varrerem para debaixo do tapete as suspeitas em torno do senador Calheiros estarão escrevendo um permissivo código de conduta ética para a vida pública brasileira.

Ficamos então combinados que pelo código Cafeteira todo senador ou deputado de agora em diante pode:

• Pagar contas de 100.000 reais usando dinheiro vivo sem declarar os gastos ao imposto de renda.

• Valer-se dos serviços de lobistas de empreiteiras para resolver questões pessoais de foro íntimo e que envolvam dinheiro.

• Apresentar emendas orçamentárias que beneficiem justamente a empreiteira do lobista-amigo-secretário-tesoureiro.

• Usar escritórios de empreiteiras como sua tesouraria pessoal.

• Usar apartamentos de lobistas para encontros amorosos.

• Ter lobistas como fiadores de suas despesas.

• Ter suas campanhas políticas financiadas por empreiteiros com interesses diretos em suas decisões de como gastar o dinheiro do povo.

• Apresentar emendas ao Orçamento que beneficiem empresas de lobista-amigo-secretário-tesoureiro.

• Vender bois com uso de recibos frios.

O filósofo grego Aristóteles em sua Ética a Nicômaco alertou para o fato de que as qualidades morais precisam ser praticadas até se tornarem um hábito. O código Cafeteira é a negação dessa verdade”.

(Ricardo Noblat – O Globo)

Contas confusas

A coluna Radar, da revista Veja que já está nas bancas, informa que o senador Epitácio Cafeteira é “heterodoxo na prestação de contas”. E diz:

“O pizzaiolo Epitácio Cafeteira, relator do caso Renan no Conselho de Ética, não viu nenhum problema nas contas apresentadas pelo presidente do Senado. Não é para menos. Veja-se a prestação de contas que Cafeteira encaminhou ao TRE do Maranhão depois de sua eleição para o Senado em 2006.

Cafeteira garante que gastou 81 274 reais para eleger-se (sua previsão de gastos era de 2,5 milhões de reais, conforme o TRE). Dá 8 centavos por voto – um recorde. Campanha barata, hein? Na verdade, o que há é um festival de omissões visível.

Por exemplo: ele fez, é claro, campanha de rádio e TV. Só que em sua declaração de despesas não consta nenhum gasto em produção de programas. Não há dúvida de que Cafeteira mediu Renan pelo seu próprio metro”.

Resguardo

Publicado, ontem, na coluna da jornalista Mônica Bérgamo, do jornal Folha de Sào Paulo:

“Estrela mais aguardada no festão de 50 anos do deputado Zequinha Sarney (PV-MA) em Brasília, o senador Renan Calheiros ‘desconfirmou’ presença logo depois de o Jornal Nacional mostrar que ele pode ter usado notas frias para simular venda de gado”.

Chá de sumiço

Depois de aparecer na foto com Renan Calheiros, antes de estourar a denúncia do Jornal Nacional, os senadores José Sarney e Roseana “tomaram um chá de sumiço”.

Quem informa é a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, em sua edição desta sábado:

Diz a nota: “Ninguém viu. José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA), respectivamente primeiro-aliado de Renan e líder do governo no Congresso, tomaram chá de sumiço desde que a situação do presidente do Senado começou a se complicar”.

No comando

Renan Calheiros (PMDB-AL) desistiu de aparentar distanciamento institucional do processo a que responde no Conselho de Ética do Senado. Por meio de Romero Jucá, líder do governo que funcionou anteontem como seu pombo-correio, tomou as rédeas da apuração ao definir o adiamento da votação do relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

O presidente da Casa tomou essa decisão por avaliar que a escolha de Cafeteira foi um erro. As queixas se estendem à sua tropa-de-choque.

Aliados se disseram alarmados com o fato de Demóstenes Torres (DEM-GO) não ter sido rebatido quando elevou o tom, fragilizando publicamente Renan, que mostra desconforto por depender tanto do PT: descontada a fidelidade incondicional de Ideli Salvatti (SC), teme o preço a ser cobrado pelo partido. (Painel da Folha)

Nosso guia

Também da coluna Painel, da Folha de São Paulo: “Petistas que ajudaram a derrubar a lista fechada não perdem a chance de alfinetar colegas da esquerda que apoiaram o projeto de Ronaldo Caiado (DEM-GO).

‘Passou de ex-líder da UDR a ídolo dos comunistas’, diz Domingos Dutra (MA).

‘Porrinha’

O deputado Ricardo Murad sugeriu, no plenário da Assembléia, que o caso do assassinato do prefeito Bertin fosse decidido na ‘porrinha’.

Seria interessante, então, que o deputado sugerisse, também, uma solução, ‘talqualmente’ cínica, para o caso da empresa Nanasel, do Nana; afinal, não se sabe, no caso, quem era motorista e quem era segurança.

Volta por cima

A história das vaias que uma ala dos professores grevistas armou para Lourenço Vieira da Silva, terça feira, ainda não foi bem contada. Entraram no auditório do Centro de Convenções uns cinqüenta manifestantes, exibindo uma faixa enorme. Esperaram o discurso do titular da Seduc para ‘mandar bala’, com o claro objetivo de constrangê-lo.

Mas Lourenço deu a volta por cima. Ao responsabilizar, em seu discurso, a oligarquia política quarentona pelo atraso na Educação e à resistência do analfabetismo no Maranhão, foi aplaudido de pé, pela platéia e pela mesa.

Com isso, a turma enrolou a faixa e saiu à francesa. Tanto que quando o governador Jckson Lago discursou, já foi num ambiente de relativa calmaria.

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