Sarney quer um estado? Por que não paga por ele?Por Zé Cuxá
O irreverente publicitário e pesquisador norte americano, Richard Monturo, numa recente palestra na Federação do Comércio em São Paulo, declarou que os milionários são pessoas que detêm muito mau gosto. Segundo ele, por possuírem muito dinheiro, compram de tudo, em função da dúvida que têm sobre o que é bom e o que é ruim. Eu diria que pior são os novos ricos, pois estes sequer têm - por piores que sejam – referências de bom gosto para as suas febres de consumismo. São muito influenciados pela publicidade e fazem de tudo para parecer o que jamais serão, mesmo pagando para aparecer nas colunas sócias.
O senador José Sarney, até tomar conta dos cofres do Maranhão, em 1965, não era um homem rico. Não possuía um império de comunicação, cerca de 56 concessões de rádio e TV, Jornal, segundo o Observatório da Imprensa. Também não era dono de mansões, apartamentos de luxo, em São Luís e Brasília, ilhas, fazendas, latifúndios shoppings e até faculdades (dizem por aí).
O ex-presidente da República já conseguiu tudo (?) que queria na vida: fama, fortuna e poder. Quando recebeu o Estado, paupérrimo, saído da oligarquia vitorinista, era como se entrássemos numa casa vazia. Faltava o básico para funcionar e ele só fez o básico. Na presidência na República, fazendo dupla no Maranhão com o ex-arquinimigo, Epitácio Cafeteira, não fizeram nada para tirar o Maranhão da condição de Estado mais pobre do Brasil, pelo contrário, secaram o “jarro” chefiando uma corja de lacaios, muitos deles ainda sobrevivendo como zumbis políticos sustentados pelo nosso dinheiro.
O Maranhão está quebrado, endividado e “engessado” para investir em desenvolvimento. Entretanto, a ficha do senador do Amapá parece que ainda não caiu. Ele não é mais o manda-chuva do Maranhão. O povo lhe concedeu esse direito há quarenta e dois anos e o tirou por legitimidade: pelo voto.
Por que o cacique quer tanto tomar o cargo de Jackson Lago, por meio dos apadrinhados de Brasília que lhes devem favores? Por achar que o nosso voto não tem valor? Que não temos liberdade de escolha? Ou porque julga que os seus métodos de ganhar eleições são os mais lícitos do mundo?
O Maranhão não está à venda. O que tínhamos de público agora está empenhado com os bancos. Não temos mais instituições financeiras estaduais para fomentar o desenvolvimento, nem empresa de energia, as estradas são apenas crateras com raros fragmentos de asfalto. Até o arroz que consumimos é importado. Restou o privado ou a privada?
Mas, Sarney com a sua reconhecida “habilidade” política, e por que não dizer também, empresarial, parece que ainda enxerga uma luz no fim do túnel, afinal temos terras férteis a perder de vista, clima amazônico, um competitivo porto para exportações e ainda uma legião de analfabetos, dispostos a trocar o voto por algo que lhes mate a fome ou a sede de cachaça. Porém, se quiser o Maranhão de volta, o coronel vai ter que pagar caro, muito caro. Muito mais que os cem mil reais (para cada prefeito) que ele levou de helicóptero para todos os municípios na última eleição para governador, quando reconheceu que a candidatura da filha Roseana tinha virado picolé.
Resta-nos saber se a incontável fortuna, que ele acumulou nesses anos de fartura financeira dos cofres do Maranhão, é suficiente para calar ou comprar a consciência de um povo que aprendeu a dizer NÃO ao engodo midiático e ao sofisma dos nossos inimigos políticos.
GOLPE NÃO – isso é um tremendo mau gosto!
Manifeste-sepelo
www. zecuxa. blogspot.com
(Reproduzido a pedidos)
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