» Busca Avançada

Acesso Rápido

Shopping #

Direito 2 - Notícias de Direito
Home » Edições » 2007 » Junho » Edição 22,280 » Colunas

ColunasColuna do Othelino (Especial)*

Diminuir corpo de texto Aumentar corpo de texto
14 de junho de 2007
Envie para: Envie para o Del.icio.us  Envie para o Digg  Envie para o Reddit  Envie para o Simpy  Envie para o Yahoo My Web  Envie para o Furl  Envie para o Blinklist  Envie para o Technorati  Envie para o Google Bookmarks  Envie para o Stumble Upon  Envie para o Feed me links  Envie para o Ma.gnolia  Envie para o Newsvine  Envie para o Squidoo  

Obsessão da oligarquia Sarney: Tomar o poder custe o que custar...

Objeto de experimento da teoria política elaborada por Maquiavel, imortalizada em O Príncipe, cuja síntese vulgarizou-se na concepção de que para se conquistar e manter o poder pouco importam os meios,  o que vale é o fim, o Maranhão viveu, durante 40 anos, sob o jugo da mais duradoura e perversa oligarquia brasileira. O chefe é um exímio travestir. Encobrindo-lhe a real postura de ditador truculento, sobressaem trajes clássicos no melhor estilo europeu, dignos dos mais admiráveis fidalgos do Velho Mundo. Indumentária perfeitamente adequada a uma fisionomia simpática, realçada por um sorriso amável e constante.

Quem diria que, por trás daquela figura de um “gentleman”, boa-praça, se esconde um ser profundamente egoísta, capaz das mais sórdidas vilanias para atingir seus escusos objetivos? Ou o líder de uma verdadeira falange do mal que em quase quatro décadas conseguiu fazer os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres na sua terra natal, “seu amor, sua paixão”?

O Sr. José Sarney concentra o que lhe resta no conturbado encéfalo para, diuturnamente, articular  tudo o que estiver ao seu alcance, ou fora dele,  para manter o “status quo” que o domínio do seu grupo sobre o Maranhão vinha lhe propiciando. Daí o grau de obsessão que exige dos vassalos e de si próprio na guerra imunda que vem travando, desde o resultado desfavorável à filha mimada, nas últimas eleições governamentais, na vã tentativa de virar o jogo democrático no tapetão.

Considera uma questão de honra tomar o poder de quem nele foi investido pela vontade livre e soberana da população, Jackson Lago, e entregá-lo, de mãos beijadas, à herdeira da moribunda oligarquia, Roseana Sarney Murad, como um troféu pela fragorosa derrota expressada nas urnas. Pouco se lhe dá que seja através de armações espúrias que maculam as disputas leais ou por força de golpes traiçoeiros que garantem as “honrarias” acumuladas na biografia dos covardes, que deveriam se envergonhar de haver nascido. Daqueles que terão compaixão de si mesmos, porque em momento algum sentiram o orgulho de combater o bom combate, independente do resultado. Mas, para o “estadista-imortal”, os meios que se danem; o que vale é o fim!

- Ninguém julgue que o Convento das Mercês tenha sido a prioridade máxima da dinastia. A briga serviu de biombo  para que o oligarca-mor se movimentasse em surdina, fazendo as jogadas com  as quais pretendia surpreender a  Frente de Libertação do Maranhão. É claro que jamais imaginou abdicar da posse do convento,  porque, com a ambição e o egocentrismo mórbidos, Sarney não quer perder essa fonte de renda e de cultivo do seu narcisismo. Mas, a retomada do Governo do Estado é mais importante, pois lhe permitiria lá na frente reaver o convento e seu mausoléu e continuar a sua política de empobrecimento dos maranhenses.

- Se as oligarquias são uma variante das mais degeneradas dos regimes colonialistas, a comandada pelo Zé Perversidade fez do Maranhão um verdadeiro paraíso para ele próprio, a sua família e apaniguados. Detém o poder econômico, a maior parcela dos meios de comunicação, considerável influência nos poderes judiciário e legislativo, sobretudo em relação aos senadores e sobre boa parte dos cargos federais. Perdeu o controle da política estadual e ungiu uma minoria de privilegiados em detrimento da maioria de excluídos, para quem se criou o inferno. A mais cruel e injusta contradição dos governos oligárquicos é que, em âmbito muito mais restrito, envolvendo famílias ou pequenos grupos, repetem a lógica do capitalismo selvagem: as riquezas, fruto da interação dos meios de produção, concentram-se excessivamente nas mãos das elites dominantes.

- Com esses privilégios despudorados, nenhum País, nenhum Estado – como o Maranhão, por exemplo –, pode interromper, quanto mais reverter a realidade adversa imposta, caracterizada pelo acúmulo de verdadeiras fortunas pelos poderosos, enquanto crescem nas mesmas proporções os que não têm acesso nem mesmo aos bens imprescindíveis à subsistência. Sem ruptura com esse modelo egoísta e cruel, o processo seguirá seu ritmo histórico, agravando o fosso entre os ricos e os pobres, com os “escolhidos” atingindo o status de milionários ou bilionários, e os desafortunados cumprindo a sua via-crúcis irreversível rumo à miséria, à indigência. As conseqüências aí estão, a olhos vistos, sentidas na carne e na alma, com os males incuráveis enraizados no tecido social. O crime organizado não poderia encontrar terreno mais fértil e presas mais fáceis para implantar um estado paralelo, infiltrando seus representantes nas instituições públicas, inclusive nos organismos de segurança, em todos os níveis de poder. Os cidadãos de bem passaram a ser reféns dos bandidos, que se apresentam das mais variadas formas, desde o tradicional assaltante encapuzado aos criminosos de colarinho-branco, entre os quais políticos carreiristas, desonestos e covardemente desumanos. O pior é se ver a multiplicação da marginalidade com participação de crianças, jovens e adolescentes abandonados atraídos e utilizados impunemente pelos facínoras que dividem o comando dos destinos da Nação.

- O clã não admite sequer a idéia de deixar de usufruir vantagens, privilégios etc. inerentes ao poder. Da mesma forma que não abre mão da capacidade de promover o mal quando deseja e convém, fazendo-o de forma desonesta e odienta. Ninguém se iluda: o Zé Perversidade, do Maranhão, e o Toninho Malvadeza, da Bahia, encarnam, hoje, o que de mais abjeto possa se imaginar dos porões infectos da política brasileira.

- Pode, para algumas pessoas, parecer repetitivo o que temos escrito acerca da oligarquia Sarneyzista, mas não se trata de mera redundância. Um texto da Bíblia adverte que “estas coisas têm que ser lembradas de manhã, ao levantar, e, à noite, na hora de dormir, bem como no decorrer do dia, durante a execução das tarefas, para que fiquem guardadas no teu coração”. O escritor bíblico, desse modo, chamava a atenção dos judeus e, depois, dos cristãos, para terem sempre em mente os textos sagrados. Longe de nós, evidentemente, qualquer pretensão de igualar o que escrevemos com a importância do que está contido no Livro Sagrado, mas, a título de analogia, há a necessidade de que os maranhenses não baixem a guarda, porque o adversário é extremamente sutil e tenta, por todos os meios, aparentar o que não é. Como diriam nossos avós, referindo-se a um sujeito insistente: “Ele é tinhoso”.

- Velho estrategista na sua carreira política, Sarney continua tão camaleão como no começo. Já foi bossa-nova, a favor da ditadura de 64, contra a ditadura de 64; a favor de Antônio Dino, contra Dino; a favor de Pedro Neiva, contra Neiva; a favor de Castelo, contra Castelo; a favor de Luiz Rocha, contra Luiz Rocha; contra Cafeteira, a favor de Cafeteira, contra Cafeteira de novo, aproximou-se novamente de Cafeteira; contra Fernando Collor, a favor de Collor; contra Itamar Franco, a favor de Itamar; contra Fernando Henrique Cardoso, (a favor ou contra Fernando Henrique, tendo feito o filho, Zequinha Sarney, ministro de FHC?), contra Fernando Henrique; contra Lula, a favor de Lula (até quando?); a favor de José Reinaldo, contra José Reinaldo; contra Jackson Lago, a favor de Jackson (no momento em que era conveniente ao clã), contra Jackson mais uma vez. Em suma, o homem está onde se encontram os seus interesses.

(othelinofilho@yahoo.com.br)

(othelinoneto@yahoo.com.br).

Links Patrocinados
ImprimirRecomendar

0 pessoas comentaram a notícia "Coluna do Othelino (Especial)*"

    Deixe o seu comentário

    Utilize se necessário <b><em><i><u><strong> em seu comentário.

    Ao comentar, você está automaticamente concordando com os critérios de uso dos comentários deste site.

     Notifique-me dos próximos comentários por e-mail...


    Você deseja ver o seu avatar no seu próximo comentário? Você precisa do Gravatar.

    * Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Jornal Pequeno.

    Blogs #

    Arquivos #

    Shopping #

    Processada em 0.578s