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A ROTA DA FOME - A sodomização das cidades

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Data de Publicação: 6 de maio de 2007
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Reverendo Luiz Porto*

A existência humana sempre deve ser vista por vários ângulos diferentes. Podemos e devemos fazer a leitura de uma pessoa do ponto de vista físico, moral e espiritual. Mesmo considerando que a pluralidade de composição do ser humano não deve ser fragmentada no sentido de que um de seus aspectos seja considerado como o todo, isto é, analisar as emoções de alguém e emitir um juízo sobre toda a pessoa, ainda é fundamental que tenhamos em mente que a formação holística e integral de uma pessoa depende obrigatoriamente da relação de todas as partes.

Por que estou introduzindo este assunto dessa maneira? Faço isso para deixar bem claro que a saúde de uma pessoa depende da saúde de todos os aspectos de sua existência. É uma grande tolice enfatizar um aspecto e subestimar outro aspecto. O psicólogo realça as emoções, o médico realça o aspecto físico e o sacerdote enfatiza os pontos morais e espirituais. Ao olhar o ser humano por um ângulo, o analista normalmente tenta emitir uma opinião sobre todo o ser, como se ele estivesse analisando todo o ser.

Pensando nisso é que afirmo a necessidade de olharmos para a cidade, tentando enxergá-la sob o ponto de vista espiritual, sociológico, antropológico, econômico e ideológico.

Toda cidade possui todos esses componentes. Corremos um grande risco quando analisamos a cidade sob apenas um ou dois ângulos e pensamos estar assimilando uma visão integral de toda a cidade. A cidade para ser conhecida precisa ser conhecida por completa.

Pesquisa, discernimento, sensibilidade e empatia são atitudes que determinam nossa capacidade de analisarmos corretamente uma cidade. Pensando nisso é que pretendo fazer um paralelo entre a antiga Sodoma e as cidades de hoje.

Em primeiro lugar, a Bíblia Sagrada afirma que a cidade abandonou os seus pobres. Sodoma era uma cidade de muita fartura e prosperidade “mas nunca amparou o pobre necessitado”. Havia uma realidade de fartura e prosperidade, e paradoxalmente, havia muita gente com o estômago roncando de fome. E as pessoas que se beneficiavam das riquezas da cidade eram soberbas, arrogantes e abomináveis. Não há muito futuro para uma cidade que abandona seus pobres á sua própria sorte. Esmagar os esmagados é um comportamento abominável diante de Deus e diante dos homens. Se queremos ser uma cidade fora do juízo de Deus, e consequentemente, com um futuro exuberante para os nossos filhos e irmãos, então, precisamos cuidar dos nossos pobres.

Em segundo lugar, a Bíblia sagrada afirma que a cidade perverteu os valores. Sodoma era uma cidade desumana e promíscua. Afetividade era uma jóia rara e sexualidade estava fora dos padrões estabelecidos pelo Criador. Não é incomum ver na televisão um acentuado estimulo ao erotismo precoce. Bebês já são encorajados, mesmo que não entendam, a se vestirem e a dançar sexualmente. Lembra da dancinha da garrafa? Não é verdade que você viu varias garotinhas de cinco anos de idade, acompanhadas pelos pais, dançando a dança que Deus não dançaria? Não é verdade que a televisão, as revistas para adolescentes e até alguns pais estão encorajando adolescentes a andarem sempre com uma camisinha a tiracolo, para se prevenir? Uma sutil prevenção. Por que não ensinar que não é a hora? Já ouviu de muitos jovens a expressão: “se um dia eu pegar uma boquinha na política, vou fazer meu pé de meia!” isso significa que estamos respirando a cultura da desonestidade. Há muito deixou de ser constrangedor mentir e ser desonesto. Os valores estão invertidos. Sodoma foi julgada e achada culpada pelo fato de perverter os valores que engrandecem a existência humana, a saber, justiça, verdade, afetividade, etc. Se desejamos uma cidade fora da rota da sodomização, então, precisamos investir nos valores morais que nos enaltecem. Isso começa em casa, e desde cedo.

Em terceiro lugar, a Bíblia Sagrada afirma que a cidade não tinha intercessores espirituais suficientes. Nem dez (10) pessoas justas e íntegras que acreditavam em Deus foram encontradas na cidade. E por falta de intercessores o juízo de Deus foi implacável. A história tem um rol de cidades, nações e impérios que sucumbiram porque não se importaram com o Deus verdadeiro. Para que nossa cidade tenha um futuro glorioso e seguro, não só devemos denunciar a corrupção dos sistemas econômicos, políticos, sociais, ideológicos e religiosos, mas também devemos falar com Deus diariamente suplicando a sua misericórdia por todas as cidades do Maranhão. Deus pode, também pela oração, subverter os sistemas de Sodoma e instalar os sistemas do Evangelho em nossas cidades.

*Vice-governador do Maranhão

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