FOGO AMIGO ATINGE EM CHEIO A PRÓPRIA TRUPE OLIGÁRQUICA
Antes e depois de entregar o cargo – prontamente aceito pelo presidente Lula – o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, vem reafirmando a sua mais profunda indignação em virtude de um “prejulgamento horrível” por ele enfrentado, a partir das suspeitas da Polícia Federal de que teria participado do esquema de fraudes em licitações de obras públicas para beneficiar a empreiteira Gautama.”Eu não posso aceitar isso. Tenho toda uma história e uma biografia a zelar, que estão acima do cargo e acima de tudo”, desabafou o engenheiro elétrico bem sucedido, ainda em Assunção, Paraguai, quando integrava a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na inauguração de duas unidades geradoras de energia hidrelétrica de Itaipu. “Me causa indignação, porque esse prejulgamento é uma coisa horrível. Acho isso um processo extremamente nocivo e cabe à Justiça confirmar e esclarecer”.
Pelo esforço extraordinário da sua editoria de jornalismo na tentativa de desqualificar a denúncia, o Sistema Mirante deu um eloqüente testemunho de desaprovação quanto aos critérios com que a TV Globo conduziu o noticiário sobre o possível envolvimento do ex-ministro no episódio. Enquanto a Globo mostrava imagens de uma funcionária da Gautama caminhando nos corredores de acesso ao gabinete do ministro de Minas e Energia, conduzindo uma pasta que, segundo a Polícia Federal, continha 100 mil reais destinados a Silas Rondeau, a Mirante colocava no ar apenas declarações do então ministro e seus auxiliares negando, firmemente, as acusações.
O Sistema Mirante teria de repente apelado para o bom senso, considerando precipitado o conjunto de denúncias desencadeadas com a divulgação de investigações preliminares sobre a chamada Operação Navalha? Decididamente não! A questão é que os “gênios” da oligarquia moribunda jamais suspeitaram, nem por hipótese, que o tiro pudesse, de alguma forma, sair pela culatra. Como os mafiosos imaginariam que, investindo contra adversários indefesos, para matar, terminariam atingindo com fogo amigo a própria organização criminosa, ferindo de morte, incontinenti, um aliado tão importante? Os alvos preferenciais, José Reinaldo e Jackson Lago, foram, sem a menor dúvida, alcançados pelo golpe traiçoeiro. Mas o Supremo Tribunal Federal já começou a reparar arbitrariedades e abusos cometidos, sem nenhum prejuízo da apuração minuciosa de todas as acusações formuladas, rigorosamente dentro da lei, como a sociedade e o Estado Democrático de Direito exigem.
Os falsos estadistas, fariseus, hipócritas podem sofismar, mentir, fingir que não estão em pânico com a queda da bastilha tupiniquim. José Reinaldo iniciou e Jackson Lago vai avançar na construção de uma fortaleza inexpugnável, onde em vez de traição, prosperará a lealdade; o ódio será banido para florescer o amor e a truculência covarde sucumbirá pela bendita hegemonia da paz como sinônimo de desenvolvimento sustentável e justiça social. A biografia de ambos, que a vilania da sarneyzada tentou inutilmente macular, aponta nesse sentido, para o caminho retilíneo das memoráveis jornadas, aprovado pelos maranhenses, com a soberania dos homens e mulheres livres e esperançosos e a bênção de Deus.
O cacique José Sarney não se perdoará pela inesperada demissão de Silas Randeau, reconhecido e prestimoso afilhado, há décadas. Grudado nas barbas e no saco de Lula, no entanto, deverá indicar, em parceria com o presidente do Senado, Renan Calheiros, o novo ministro de Minas e Energia. É o lado pegajoso do PMDB cumprindo sua desprezível trajetória fisiológica. Contudo, o desfecho em parte malogrado da armação espúria reforça argumentos anteriores, segundo os quais o velho oligarca – historicamente tão odiento quanto imperturbável – não está suportando a curva decadente. Não assimila a idéia de que lhe fugiu definitivamente das mãos sujas o poder regional que, no seu egocentrismo exacerbado, parecia eterno.
- A população estará vigilante no sentido de evitar que o martírio de vítimas inocentes ou “compensações” ignóbeis para picaretas levianos “lavem a honra” maculada de carreiristas desalmados que fizeram da “política” e da “gerência” dos bens coletivos um balcão de negociatas. Que costumam agir desconsiderando quaisquer padrões éticos, afrontando até aqui impunemente as leis do País, muitas delas elaboradas, discutidas, votadas e aprovadas, às vezes até promulgadas pelas casas legislativas; outras sancionadas pelo presidente da República. São também imunes ao menor incômodo de consciência com os dramas e as tragédias que nascem, se ampliam e infiltram-se em todo o tecido social, tornando-o presa fácil do crime organizado em todas as suas variantes. Tudo começa a partir da atitude covarde e insana dos “canalhas cevados” que se apropriam indebitamente dos recursos que deveriam ser aplicados atendendo ao interesse comum. Espera-se que os calhordas, seus protetores e protegidos, frustrem-se e se lambuzem ainda mais no mar de lama que produziram, fazendo dela o melhor proveito possível.
- E que a lição sirva como uma luva, de modo especial em relação a todos os poderosos ameaçados, geralmente indivíduos “sujos e mal-lavados” que, com atitudes irracionais, tentam caçar desesperadamente “bodes expiatórios” para aplacar a indignação das pessoas de bem diante do despudor e amesquinhamento das suas vidas públicas. Mesmo com o beneplácito de certos arautos da República, que ostensivamente não medem esforços em defesa dos seus apaniguados e/ou cúmplices, acreditamos que graças à pressão popular, à coragem cívica e o patriotismo dos brasileiros – particularmente dos maranhenses -, haveremos de dar um basta na oligarquia da serpente, fazendo a rapina do abutre, conduzidos pelas asas da águia libertária!
Chegam hoje a São Luís o governador Jackson Lago e o ex-governador José Reinaldo. Certamente serão recebidos por uma multidão que, da mesma forma que soberanamente conduziu o Maranhão à liberdade, demonstrará a solidariedade aos líderes que têm sido vítimas de formas variadas de violência, talvez como punição por ter ousado enfrentar e destronar o rei e seus súditos.
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