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Direito 2 - Notícias de Direito

José Reinaldo pediu ao MP investigação de seu governo

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23 de maio de 2007
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AO REAGIR A UMA DENÚNCIA DA “VEJA”

No dia 4 de janeiro de 2005, o governador José Reinaldo Tavares encaminhou ofício ao então procurador geral de Justiça, Raimundo Nonato de Carvalho Filho, solicitando ao Ministério Público investigação de denúncias sobre a existência de obras irregulares em seu governo. Com esta decisão, José Reinaldo foi o primeiro governador do Maranhão a tomar a iniciativa de “abrir”, por ofício, o governo do estado para que o Ministério Público Estadual investigasse, com toda a profundidade possível, denúncias de irregularidades, publicadas pela revista “Veja”, no final de 2004, anunciando a existência de um esquema, dentro da Secretaria de Infra-Estrutura, para o pagamento de trechos de estradas vicinais não realizados, na modalidade carta-convite. Isso depois de criar duas comissões de sindicâncias internas para apurar os fatos, afastando todos os envolvidos de suas funções e demitindo o seu secretário de Infra-Estrutura, João Dominici.

Ao contrário de José Reinaldo, no governo, Roseana Sarney trabalhou contra todas as iniciativas de apurar denúncias de corrupção em suas duas administrações, nos conhecidos escândalos do empréstimo do Banco do Estado, da estrada fantasma Paulo Ramos-Arame, do Projeto Salangô, do Pólo de Confecções de Rosário, do Telensino e muitos outros.

O ex-governador José Reinaldo foi mais além: criou uma corregedoria geral para apurar toda e qualquer denúncia contra o seu governo. Pediu, ainda, ao Ministério Público que estendesse sua atuação às irregularidades cometidas nos dez anos anteriores, no governo do estado. “Garanto que aquele que cometeu ou vier a praticar alguma irregularidade ou corrupção, vai ter que responder e pagar por isso”, declarou então.

O Ministério Público concluiu a investigação, apontou culpados e todos foram punidos, no âmbito administrativo, conforme sugerido pelos fiscais da lei, sem prejuízo das ações judiciais cabíveis. Durante as investigações, os promotores teriam descoberto que a prática de “construir” vicinais através de cartas-convites era um “costume” na Sinfra desde os dois governos anteriores ao de José Reinaldo. Mais: se as denúncias feitas pela Veja, através do repórter Policarpo Júnior, que teve o dedo notório do deputado estadual Ricardo Murad – instrumentalizado pelo Grupo Sarney – listavam obras na modalidade carta-convite, no valor de R$ 150 mil, apenas uma das estradas não construídas e paga pelo governo Roseana, a Paulo Ramos-Arame, custou aos cofres públicos do Maranhão a quantia de 33 milhões de reais, ou 33 milhões de dólares, por causa da paridade, à época, da moeda brasileira com a americana.

Origem – O ex-deputado Freitas Diniz chegou a escrever artigos mostrando a origem das estradas fantasmas aqui no estado. Segundo seus escritos, a primeira delas data de 1968, o trecho Pindaré-Santa Luzia, faturado duas vezes na administração de José Sarney no governo do estado. Nos anos da ditadura militar, recursos federais só chegavam ao Maranhão através das mãos de Sarney e com cartas marcadas para determinadas empresas construírem as obras. Segundo Diniz, esse mesmo esquema funcionou no período em que Sarney foi presidente da República.

No escândalo da Paulo Ramos-Arame, Roseana Sarney, em 1995, baixou um decreto avocando para si e seu marido, o secretário de Planejamento Jorge Murad, a exclusiva competência de pagar obras de outros governos empenhadas por ela. Não há dúvida de que Roseana pagou a duas empreiteiras – E.I.T. e Planor – pela construção fantasma da estrada Paulo Ramos-Arame.

Depois que José Reinaldo deu uma entrevista, em janeiro de 2005, em Brasília, listando para a mídia nacional o que chamou de “um armário cheio de ‘esqueletos’ [casos de corrupção] do governo Roseana Sarney” – a senadora fez publicar alguns esclarecimentos em jornais do Sul, afirmando que a estrada existia e que o que fora pago teria sido requerido pelo seu secretário de obras [José Reinaldo], quando se sabe que nada era pago no governo dela sem a anuência do marido Jorge Murad, principalmente se processo relacionado com “débitos anteriores”.

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