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Entrevista com o professor Fernando Manzke, candidato a reitor da Ufma

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Data de Publicação: 20 de maio de 2007
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PELO FIM DO CLIENTELISMO

A Universidade Federal do Maranhão decide no próximo dia 5 de junho quem será o novo reitor. Isto é, decide em termos, pois a escolha final cabe ao presidente Lula, que vai decidir entre os integrantes da lista tríplice. O Jornal Pequeno vai publicar, a partir de hoje, uma série de entrevistas com os candidatos, e inicia com o professor Fernando Manzke.

Ele é graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fez doutorado em Educação em Cuba, no Instituto Central de Ciências Pedagógicas (ICCP). Atualmente, está vinculado ao Departamento de Educação I da Ufma, coordena vários projetos e grupos de pesquisa. Nesta entrevista, ele fala de suas proposições.

JP - Por que o senhor se candidatou a reitor?

FM – Eu sou um crítico das últimas administrações que a universidade teve, pois há uma série de problemas históricos que não vem sendo enfrentados corretamente. Então minha candidatura se propõe a ser uma ruptura contra este modelo centralizador, quase imperial, em que as questões da universidade não são discutidas claramente, como as questões financeiras, por exemplo. Algumas decisões que chegam aos conselhos superiores já chegam para aprovação em rito sumário, praticamente. Isso nos motivou, a partir do apoio de uma série de companheiros e diversos segmentos da comunidade universitária, desgostosos com esse estágio de coisas, à decisão de participar do processo para poder intervir e modificar esse quadro.

JP – A sua candidatura foi resultado de um sonho antigo ou foi uma decisão recente?

FM – Isso não era um projeto pessoal, um plano. O certo era participarmos ativamente, a partir deste diagnóstico, de uma mudança. Tenho recebido muita confirmação disso. Por onde passo, conversando com estudantes, professores, tenho sentido aprovação. A candidatura não era nosso projeto, pois o projeto era fazermos uma discussão e a partir dela participarmos ativamente de uma candidatura. Não concordamos com as posições das outras candidaturas e optamos por correr numa faixa própria. Esses outros candidatos estão muito próximos da atual administração.

Um dos problemas principais da atual administração é a falta de democracia. Você tem ao mesmo tempo uma centralização da figura do reitor, com conseqüente esvaziamento dos colegiados, sejam superiores ou não, e ao mesmo tempo a gente percebe uma fraqueza em enfrentar situações mais graves, como o problema do vestibular no ano passado em que houve fraude e não houve rapidez em dar uma satisfação pública, chamar a Polícia Federal e o Ministério Público para aclarar a situação. Demorou muito, atrasou e comprometeu o calendário acadêmico e o que se viu é que a falta de lisura nesse processo arranhou a imagem da instituição. Essa é uma questão que tem que mexer. O vestibular exige segurança. Recentemente, vimos que foi desbaratada uma quadrilha a nível nacional, cuja cabeça funcionava no Ceará e se sabe que hoje com esses equipamentos eletrônicos existem muitos recursos para a prática da fraude. Então, precisamos investir na segurança. A universidade é pública, tem um caráter social e filho de pobre não tem como comprar uma prova por R$ 100 mil, como o filho do rico faz.

JP – Qual a principal ação que o senhor fará caso seja eleito?

FM – Sendo eleito e empossado, porque temos que considerar que não é um processo eleitoral direto, porque é uma consulta em que a participação dos segmentos é diferenciado, professor tem peso de 70%, estudante e técnico, 30%. Há uma rejeição dos demais segmentos em relação a esta proporcionalidade. Depois dessa consulta, vai para o conselho eleitoral que vai formar a lista tríplice que vai para o Ministério da Educação e a decisão final cabe ao presidente da República, o Lula, que escolhe qual será o reitor. Não há garantia nenhuma que seja o primeiro, pode ser o segundo da consulta. É um processo aberto. Caso eu seja o escolhido, a minha primeira ação será adotar a transparência em relação às contas da Ufma. A contabilidade da universidade terá transparência ampla e irrestrita, pois a instituição é pública. Nós temos veículos de comunicação, tem um boletim hoje que é apenas para promover a atual administração e deveria ter outro caráter. Já falei disso em várias conversas e sempre ouço concordância. Outra coisa é que o site da universidade poderia ser melhorado muito, em vários aspectos e um deles é possibilitar uma maior visibilidade da instituição e de quem trabalha, de quem produz.

Temos necessidade de realizar um grande fórum sobre a universidade e os rumos que ela deveria tomar. E partir disso – sem clientelismos e compadrios como hoje ocorre – tomaríamos medidas para a adoção de políticas para as atividades-fim da universidade: ensino, pesquisa e extensão, que vem sendo negligenciadas pela atual administração, que fortaleceu muito a atividade burocrática. Hoje, se a universidade caminha, é devido ao esforço de docentes, técnicos e estudantes que cumprem sua parte.

Temos que ampliar os cursos de graduação, principalmente no turno noturno, partir para uma melhor interiorização; temos que ampliar a pesquisa, com a criação do fundo próprio de pesquisa, ampliação da iniciação científica, articulação da universidade com redes de pesquisa nacional e internacional. Também ampliar os mestrados e os doutorados. Hoje temos apenas um doutorado e nove mestrados, sendo que cinco são da área de saúde.

Fomos superados pelo Ceará, Pará, Piauí e até Tocantins, cuja universidade federal só tem 10 anos. A Ufma tem 40 anos. Eu proponho para os próximos quatro anos aumentar para 10 o número de doutorados e aumentar o número de mestrados para 20, 25 cursos, para atender a necessidade dos docentes que muitas vezes não têm oportunidade de sair daqui. Vamos buscar recursos para pesquisas com a articulação com as redes que já falei e para extensão – que hoje não temos política para a área – pretendemos fazer parcerias com diversas instituições, dando oportunidades iguais para alunos e professores.

JP – Qual a sua mensagem à comunidade universitária?

FM – Apesar da desmotivação que existe hoje, é possível reverter esta situação. Temos hoje quadros qualificados que poderiam ocupar posição de destaque e que são desprezados pela atual administração, que privilegia clientes políticos. Minha mensagem é de fé e esperança, dada à importância de nossa instituição. Somos referência na região em todos os cursos devido ao esforço de professores e técnicos e podemos virar esse quadro atual. Vamos melhorar a Ufma e torná-la uma agência de desenvolvimento regional.Ela pode cumprir sua missão e ser um instrumento de mudança social, para atender um estado tão carente como o nosso. Hoje, ela opera de costas para a sociedade que a mantém.

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