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Entrevista Exclusiva - Secretário garante que o MA possui grande potencial na área da economia da cultura

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Data de Publicação: 20 de maio de 2007
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Por Waldemar Terr (Repórter de Política)

wter@uol.com.br - wter.blog.uol.com.br

O secretário de Cultura, Joãozinho Ribeiro, faz um balanço da realização do “I Fórum Estadual da Economia da Cultura”, que aconteceu na semana passada em São Luís. O secretário assegura que o Maranhão possui um grande potencial na área da economia da cultura e que “nos primeiros meses do governo Jackson Lago a Secretaria de Estado da Cultura tem levado às últimas e boas conseqüências o compromisso de incorporar definitivamente a cultura na agenda de desenvolvimento do estado”.

Ribeiro diz que “isso tem se dado através da integração e parcerias com as demais secretarias de governo, no plano estadual, e no plano federal, com um ótimo relacionamento com o Ministério da Cultura, o que tem sido alvo de muitos elogios, por assessores credenciados do próprio MinC”.

“Do ponto de vista orçamentário, o Maranhão aparece na pesquisa de indicadores culturais divulgada pelo IBGE em 2006, como o 2º do Nordeste e 8º do país. A diversidade cultural que possuímos é o nosso mais precioso ativo, ainda mal explorado, fato que não tem permitido que haja um retorno social em termos de benefícios econômicos para a própria população responsável por esta produção”, contou.

A seguir a entrevista.

JORNAL PEQUENO - Como anda a economia da cultura no Estado?

JOÃOZINHO RIBEIRO – Independente das vontades individuais, ou mesmo coletivas, é um dado considerável que já não pode ser ignorado, nem pela esfera pública, tampouco pela esfera privada, levando-se em conta os aportes financeiros que o ano inteiro mobilizam toda uma cadeia de produção, que vai dos simples festejos religiosos aos grandes eventos, passando por publicações de livros, CDs, DVDs, cachês de artistas, direitos autorais, contratação de produtores etc. Eu diria que a economia da cultura, tal como as bruxas, muita gente ainda duvida da sua existência, mas que ela existe, garanto que existe.

JP - Qual a avaliação sobre a realização do I Fórum Estadual da Economia da Cultura?

JR – Não é só minha esta opinião, mas de todos os palestrantes e debatedores que compuseram as oito mesas do evento, representando respeitáveis instituições do setor público e privado, além de entidades da sociedade civil, que a principal contribuição do fórum foi a capacidade de articulação de um leque plural de instituições poderosas como Petrobrás, Vale do Rio Doce, BNDES, Caixa Econômica Federal, BNB, Banco do Brasil, IBGE etc., com o objetivo de inserir definitivamente a discussão da Economia da Cultura na Agenda de desenvolvimento do Maranhão.

JP - O potencial econômico da cultura maranhense é grande?

JR – Do ponto de vista orçamentário, o Maranhão aparece na pesquisa de indicadores culturais divulgada pelo IBGE em 2006, como o 2º do Nordeste e 8º do país. A diversidade cultural que possuímos é o nosso mais precioso ativo, ainda mal explorado, fato que não tem permitido que haja um retorno social em termos de benefícios econômicos para a própria população responsável por esta produção. Então, acreditamos que alguma coisa deve estar errada, e precisa urgentemente ser corrigida, considerando o volume de recursos que nos últimos anos sempre vem sendo destinado ao setor, principalmente às duas grandes festas populares: carnaval e São João.

JP - A realização do fórum foi um fato inédito no Estado?

JR – Sem dúvida. Palavras proferidas pelo assessor da presidência do BNDES, Sérgio Sá Leitão, que saiu do nosso Estado maravilhado com o evento, reconhecendo o ineditismo da iniciativa de um Estado da Federação, pois até então somente o Ministério da Cultura tinha tratado do tema, através de um seminário internacional realizado durante o primeiro mandato do Presidente Lula. Também informou que o BNDES, recentemente, criou o Departamento de Economia da Cultura, para tratar exclusivamente da questão, englobando estudos e financiamento para a área, e que o Maranhão estava fortemente credenciado para abrigar o próximo seminário internacional, além do financiamento a projetos de pesquisa.

JP - Quais os próximos passos?

JR – É superar os limites do evento, e trabalhar junto aos investidores públicos e privados locais, secretarias de governo, universidades, sistema “S”, Associação Comercial, Fecomércio etc.: primeiro para implantação de um fórum permanente, visando a ampliação da discussão, do ponto de vista acadêmico, técnico-científico; segundo, consolidar definitivamente a dimensão econômica da cultura, como fator importante para o desenvolvimento do Maranhão, entendendo também a delicadeza da questão, para construir um outro entendimento que não aquele utilizado pelas indústrias culturais, que teimam em considerar os bens culturais como simples mercadorias, iguais às demais, sem levar em conta as suas singularidades.

JP - Quais os principais caminhos que o fórum indicou que devem ser seguidos?

JR – Como frisei na resposta anterior, a necessidade do Fórum se tornar permanente. Mais do que isso, a implementação de mecanismos que possam contribuir para o envolvimento e sensibilização do empresariado, e mesmo das empresas estatais, visando as suas participações ativas no processo. Dentre estes mecanismos, três idéias merecem destaque: 1) a criação do Selo de Responsabilidade Cultural; 2) a implantação de Editais Público-Privados Regionalizados de Apoio à Produção Cultural; 3) a instituição do prêmio Cidade Cultural do Maranhão.

JP - Como é possível haver parceria entre poder público nas mais diversas esferas e iniciativa privada para desenvolver a área da economia da cultura?

JR – Creio que nos primeiros meses do Governo Jackson Lago a Secretaria de Estado da Cultura tem levado às últimas e boas conseqüências o compromisso de incorporar definitivamente a Cultura na agenda de desenvolvimento do Estado. Isso tem se dado através da integração e parcerias com as demais Secretarias de Governo, no plano estadual, e no plano federal, com um ótimo relacionamento com o Ministério da Cultura, o que tem sido alvo de muitos elogios, por assessores credenciados do próprio MinC. Uma nova e respeitosa relação com a iniciativa privada, pode ser perfeitamente confirmada pelo entusiasmo do Presidente da Associação Comercial do Maranhão, Dr. Zeca Belo, quando da sua participação na mesa do Fórum que tratou exclusivamente do tema.

JP - A realidade maranhense na área da cultura é complicada, com alguns municípios não tendo nem livraria ou qualquer outro instrumento cultural. O que pode ser feito para mudar a realidade?

JR – Primeiro, antes de qualquer coisa, aprofundar o processamento do problema a fim de vislumbrarmos as soluções corretas. Ou seja, temos que realizar um grande mapeamento cultural do Maranhão, que possa detectar todos estes gargalos. Sabemos de antemão que a falta de equipamentos culturais (bibliotecas, teatros, bandas de música, museus etc.), é um deles; a mão de obra qualificada para a gestão da cultura é outro. A própria inexistência de órgão de cultura nos municípios, com certeza se constitui num dos maiores entraves. A capacitação de gestores culturais hoje é uma exigência constitucional, e um pré-requisito para podermos implantar o Sistema Estadual de Cultura. Temos a nosso favor quatro excelentes parceiros que já se disponibilizaram para a construção de parcerias neste sentido: o BNDES, o IBGE, o SEBRAE e o MinC.

JP - O Estado tem vários tipos de manifestações culturais, mas falta divulgação, principalmente para fora do Maranhão. Algo vai ser feito na área?

JR – Em particular, não tenho muita expectativa em relação ao sistema atual de comunicação do país, que tem sido alvo de contundentes contestações no seu caráter puramente comercial, resultando na invisibilidade de mais de 90% da nossa diversificada produção cultural. Acredito que a implantação da TV Pública no país é um acontecimento irreversível e inadiável, principalmente com a TV digital, cujo primeiro sinal deve estar ativo até dezembro deste. Com este advento, poderemos até pensar numa mudança de comportamento dos próprios meios de comunicação, que são considerados por muitos bastantes avançados em sua forma, porém reacionários por demais em seus respectivos conteúdos.

JP - Algo mais a acrescentar?

JR – Agradecer o espaço democrático oferecido por esta página a todos os participantes e colaboradores do I Fórum Estadual da Economia da Cultura, e destacar um grande exemplo que nos dá o Ministério Público Estadual, nas pessoas do Procurador Geral de Justiça, Dr. Francisco das Chagas Barros de Sousa, e da Promotora de Justiça, Drª Theresa Maria Muniz Ribeiro, que nesta 4ª feira, 23 de maio, estarão inaugurando o Instituto Maná, na cidade de Codó, uma associação sem fins lucrativos, cuja missão é contribuir para a defesa dos direitos de crianças adolescentes e seus familiares, utilizando como um dos elementos para ressocialização de menores infratores a Cultura.

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