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ArtigosA outra lâmina da navalha

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20 de maio de 2007
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Roberto Rocha

Por continuar em Brasília, avaliando os últimos acontecimentos ocorridos no meu Estado, repriso, aqui neste espaço, conteúdo de pronunciamento que fiz na Câmara dos Deputados, nesta sexta-feira, denunciando um golpe de inversão de valores e de fatos que só quem mora no Maranhão e acompanha, atento, as coisas da política pode compreender e se indignar.

“Volto a esta tribuna para comentar episódio da maior importância e gravidade acontecido ontem no Estado do Maranhão. Por determinação judicial, a Polícia Federal chegou ao Maranhão com ordens de prisão para mais de 26 pessoas, entre elas o ex-governador do Estado, José Reinaldo Tavares, e o Secretário de Estado de Infra-Estrutura, Dr. Ney Bello. Quero trazer aqui um pouco do sentimento da população do Maranhão, que assistiu àquilo tudo com muita perplexidade.

“Sr. Presidente, tudo que acontece no Maranhão é em razão da política. O Maranhão é um Estado diferente. Nós, deputados do Maranhão, recebemos centenas de telefonemas das pessoas querendo saber o que estava acontecendo, quando nem mesmos nós tínhamos conhecimento do que realmente estava ocorrendo. Em verdade, a Polícia Federal, numa operação chamada Operação Navalha, estava investigando as relações de uma empreiteira da Bahia com os Estados onde ela atua. Não podemos formar nenhum juízo de valor sobre o mérito porque ainda não tivemos oportunidade de ter acesso aos autos para fazer a defesa daqueles que foram presos sem sequer ser citados.

“Queremos respeitar as instituições, somos daqueles que lutam para o fortalecimento das nossas instituições. Estamos aqui imbuídos do propósito republicano de fortalecê-las cada vez. Não fazemos nenhum reparo ao comportamento da Polícia Federal, muito embora no Maranhão — não sei em outros Estados — ela tenha desrespeitado a determinação judicial para não utilização de algemas. Mas, diante das câmeras da TV Mirante, de propriedade do Senador José Sarney e da Senadora Roseana Sarney, a Polícia Federal algemou o ex-governador José Reinaldo.

“Ele foi preso às 6h da manhã e foi levado à Superintendência da Polícia Federal, onde passou o dia aguardando o trabalho da PF. Depois foi para o aeroporto. Quando desceu do carro para entrar no avião, a Polícia Federal, na frente da televisão e dos jornais, algemou o Governador para colocá-lo em exposição pública nacional.

“Na tarde de ontem, reunimos uma comissão de dez deputados e formos ao Ministério da Justiça. Reunimos como o Sr. Ministro Tarso Genro, um cidadão da maior respeitabilidade nacional. Dez deputados do Maranhão, num total de 18 nesta Casa. Somos da coligação que elegeu o Governador Jackson Lago nas últimas eleições.

“É preciso dizer que no Maranhão nunca acabou a campanha. O grupo que domina o Estado há 40 anos, oprimindo, humilhando o povo, não precisa mostrar que tem poder. Foi tudo uma demonstração de quem tem poder. No Maranhão, toda a população sabe que o Senador José Sarney tem poder na República. Uma parte da população votou na Senadora Roseana Sarney sabendo que o Senador tem poder; uma parte maior votou no Governador Jackson Lago também sabendo que o Senador tem poder. Mas esse poder não tem nenhuma serventia para a população do Estado. Por isso, o povo disse não ao Senador José Sarney elegendo Jackson Lago Governador, que não consegue governar porque o Senador José Sarney, em vez de usar seu poder para ajudar o Maranhão, prejudica o Governo, da mesma forma como fez durante o Governo de José Reinaldo.

“Sr. Presidente, tento trazer aqui um pouco da indignação do povo maranhense. Falo aqui em meu nome e sei que falo também em nome de vários companheiros do Maranhão com assento nesta Casa. Coincidentemente, os presos da Bahia são adversários do Senador Antônio Carlos Magalhães, como os presos do Maranhão são adversários do Senador José Sarney. Não quero, com isso, fazer nenhum juízo de valor neste primeiro momento. Vou voltar à esta tribuna da Câmara dos Deputados para comentar esses fatos porque entendo que chegou o momento de passarmos o Maranhão a limpo.

“Pedimos ao Ministro da Justiça que faça com que essa investigação não se restrinja apenas a um ano. Que ela vá até o período em que a construtora Gautama se implantou no Maranhão, ao período em que ela ganhou o primeiro contrato, que foi exatamente no período da Governadora Roseana Sarney, que teve a oportunidade de governar, mas passou essa tarefa para seu esposo Jorge Murad, durante os oito anos de governo.

“O Governador José Reinaldo cometeu algum desatino? Admito que sim. Conheço um grave: nomear Jorge Murad, Secretário de Estado para este não ser preso pela Polícia Federal durante o nacionalmente conhecido caso Lunus, do qual nunca mais se ouviu falar neste País.

“Vamos aproveitar este momento para, em nome da população do Maranhão, cobrar as investigações do caso Lunus, cobrar os recursos federais que, durante esses últimos anos, foram enviados ao Maranhão, mas foram desviados. São os casos Salangô, da Lagoa da Jansen, do pólo de Rosário. Vários esqueletos estão guardados no armário. Vamos aproveitar a oportunidade para apurar esses casos.

“Repito: não faço nenhum reparo sobre a ação da Polícia Federal, a não ser aquele já feito para o próprio Ministro sobre o comportamento da instituição no Maranhão. Não está no exercício de polícia do Executivo, mas de polícia judiciária. Sabemos disso. Vou denunciar à Nação brasileira o comportamento daquele que não se conforma com a vontade popular. Perdeu as eleições, não admite e tem como único projeto de vida devolver o Governo à sua filha.”

O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos.

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