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EditorialA notícia assassinada

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20 de maio de 2007
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Perdemos a notícia. Não há mais nada a ser noticiado. Nessa manhã do dia 19 de maio não houve nenhum crime. Ninguém assaltou ninguém, ninguém foi vítima de estupro, ninguém, por incrível que pareça, apossou-se dos dinheiros dos cofres públicos.

Acordamos com esse sentimento de que o lavrador Manoel da Conceição nunca foi torturado, de que não arrancaram sua perna, nem as pernas de sua classe.

Há tanta paz no ar, tanto silêncio, que sobra a impressão de que o Banco do Estado do Maranhão ainda existe, de que a estrada Arame—Paulo Ramos é uma vicinal entre o céu e a terra.

Não há notícia nenhuma, nada a ser dito, escrito ou falado. É como se por magia nunca tivesse existido o escritório da Lunus, como se fosse essa a hora de repousar sobre a fraude dos cartórios de Curupu.

A sensação é de que todos estão dormindo e não pensam em acordar tão cedo. Nenhuma coisa sobre o Maranhão, sobre a China, sobre Kai Kuo Cheng, sobre a polícia investigando nossas vidas.

Nunca saberemos o que aconteceu ontem, nem podemos prever o que acontecerá amanhã. O Estado entrou em completa letargia. Não existem ídolos, nem líderes, nem juízes, nem ninguém que diga quem foi o responsável por tanta dor.

Nossos editores nem sabem dizer qual é o assunto da próxima reportagem, onde estão os ladrões que devemos criticar. Até porque não há mais ladrões. Todos foram anistiados pela própria imprensa, pela Justiça e pela usurpação.

Não há o que ler, não há o que ouvir, não há o que dizer no Maranhão. É como se essa hidra, esse estranho bicho de sete cabeças matasse primeiro a verdade e depois a informação.

Esquecemos os nomes de todos os corruptos, de todos os que não deveriam estar livres para acusar ninguém de nada. Esquecemos que o Maranhão passou 40 anos sendo um Estado sem novidades, sem dados relevantes, sem nada que possa ser dito que alguém possa acreditar.

O que colocaremos agora na nota de pé de páginas? O que servirá de manchete, se não há mais engodos, tirania e mistificação?

Nós só sabemos quem engoliu nossas esperanças, quem parou todos os relógios, quem matou nossa liberdade. Mas isso não é notícia e, se for, é notícia proibida, até porque estamos impedidos de pensar, de denunciar e anunciar a nossa revolta e a nossa dor.

O que era televisão virou espelho. O que achamos que fosse jornal, virou papel de embrulho. Todos os jornalistas ficaram analfabetos. Todos os radialistas estão afônicos. Só o que resta é uma legião de pobres coitados maranhenses querendo saber o que a família Sarney fez e nos proibiu de noticiar.

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