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SaúdeMá qualidade do sono afeta desenvolvimento infantil

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14 de maio de 2007
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ISABELA MENA

A qualidade do sono na infância, principalmente nos três primeiros anos de vida da criança, pode influenciar na memória e na capacidade de aprendizagem, especialmente no período pré-escolar.

O sono nessa etapa tem relação direta com a consolidação de funções orgânicas fundamentais. É a fase em que o cérebro, ainda em desenvolvimento, sofre aumento de nervos e de suas redes de comunicação.

Durante o sono, ocorre ainda a secreção de hormônios como o cortisol, importante para a maturação do sistema imunológico, e o GH, responsável pelo crescimento. Noites maldormidas levam a um desarranjo geral das secreções hormonais.

Apesar de não haver estatísticas brasileiras a respeito, sabe-se que problemas neurológicos ou psicológicos correspondem a apenas uma pequena parcela entre as causas de distúrbios do sono infantil.

Segundo a neuropediatra Rosana Cardoso Alves, da divisão de neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e responsável pelo serviço do Laboratório do Sono do Fleury Medicina e Saúde, as desordens do sono com aumento de movimentação, sonolência ou insônia são reconhecíveis pelo pediatra, que pode conduzir a maior parte dos casos.

A indicação do exame de polissonografia e de tratamentos específicos é ocasional. “O pediatra vai investigar o histórico da criança para entender o que a família chama de insônia. Também é pedido para que os pais escrevam um ‘diário de sono’, para avaliar questões da dinâmica familiar. Há famílias sem rotina nenhuma.”

A maioria das crianças que dorme mal o faz em função de maus hábitos, aprendidos em casa e ensinados pelos pais.

“Problemas biológicos do sistema nervoso são raros. O mais comum é a criança associar o sono a fatores ligados ao despertar, como mamadas, presença da mãe, colo do pai e então perpetuar essas despertadas durante a noite”, diz o pediatra Gustavo Moreira, do Instituto do Sono da Unifesp (Universidade Federal de SP).

O pediatra relata ainda que muitos pais têm dificuldade em readequar os hábitos e, com medo de fazer o filho sofrer, cedem ao choro. “Eles acham que o médico é muito militar”, diz.

O sono debilitado da criança têm impacto direto na vida dos pais, segundo estudo realizado no Royal Children’s Hospital e na Universidade de Melbourne (Austrália), publicado neste mês. Entre dez mil famílias com filhos pequenos e em fase pré-escolar pesquisadas, 17% das crianças têm problemas para dormir, e seus pais, por conseqüência, também apresentam problemas de saúde.

Também é preciso atenção a questões emocionais. Crianças muito agitadas e ansiosas podem dormir mal por não conseguirem organizar no sono as situações vividas durante o dia. Já crianças mais quietas e fóbicas podem ter medo de ficar sozinhas e ter pesadelos. “Os pais devem conversar sobre os pesadelos. Ao quebrar a barreira do ‘falar’, o medo também é quebrado”, diz a psicanalista Miriam Debieux Rosa, professora da USP e da PUC (Pontifícia Universidade Católica).

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que é sono REM? Qual é sua importância para a criança?

Em português, significa movimento rápido dos olhos. É o estágio do sono em que regiões do cérebro utilizadas na aprendizagem e na organização da informação são estimuladas. Importante para a memória. O lactente tem 50% de sono REM. Esse número começa a cair por volta dos seis meses de idade. No adulto, 20% do sono é REM. É durante esse estágio que acontecem os sonhos.

2. É comum a criança ter pesadelo?

Entre quatro e cinco anos de idade, pesadelos são normais. Acontecem uma ou duas vezes por mês e passam com o tempo.

3. E o sonambulismo?

Em torno de 30% de crianças em idade pré escolar apresentam sonambulismo. Acontece na primeira metade da noite com a criança parcialmente desperta e dura de cinco a trinta minutos. Acontece porque o cérebro está em desenvolvimento.

4. O que é apnéia obstrutiva do sono?

É uma doença que causa pausas respiratórias durante o sono por obstrução das vias aéreas. Provoca queda da saturação de oxigênio, o que pode interferir no aprendizado e memória. O ronco pode ser um sintoma da doença. A remoção das amígdalas e adenóide (carne esponjosa do nariz) tende a resolver o problema.

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1 pessoa comentou a notícia "Má qualidade do sono afeta desenvolvimento infantil"

  1. 1
    bruno filipe, inspector

    boa noite gostaria que me enviassem a voça opiniao, tenho uma filha de 3 anos e no infantario dela deixarao de dormir sesta, e as crianças chegam às 18 e 19 horas a casa em stress e logo depois do banho por vezes já nao consegue dormir, já alertei para o prejuizo causado pelo acto no desenvolvimento do cerebro das crianças na escola mas dezem-me que nao faz mal e a segurança social quer assim, queria saber se cientificamente prejudica a minha filha para eu poder actuar com bases, obrigado pela atença gostaria que fossem breves até me podem recomendar algum livro onde se trate disso claramente.

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