Empacotadora de arroz do Suriname é interditada no ItaquiA ida de uma comissão de deputados, ontem, pela manhã, ao Porto do Itaqui, resultou na interdição, pela Vigilância Sanitária, da empresa Cereal Cereais Araguaia Ltda., sediada no Distrito Industrial. A empresa faz o beneficiamento e empacotamento do arroz procedente do Suriname, embalado, em São Luís, com as marcas Tio João, Painho F1 e Gol. A interdição da empresa se deu a partir de denúncias constatadas por uma comissão da Assembléia Legislativa, formada pelos deputados Fátima Vieira (PP), Fufuca Dantas (PMDB), Pedro Veloso (PDT), Marcos Caldas (PT do B) e Maura Jorge (DEM).
Os parlamentares, acompanhados do promotor de Defesa do Consumidor, Carlos Augusto Oliveira, estiveram no Porto do Itaqui e constataram uma série de irregularidades sanitárias no descarregamento, transporte e empacotamento do arroz a granel descascado que chega de navios ao Maranhão, procedente do Suriname.
“A Assembléia cumpriu a sua parte. Nós denunciamos o problema, investigamos. A partir de agora, as providências têm que ser tomadas pelos órgãos públicos”, declarou a deputada Fátima Vieira, que levou a reivindicação dos agricultores e atacadistas do Maranhão ao plenário da Assembléia Legislativa.
A empresa Cereal Cereais foi interditada pela Vigilância Sanitária por não estar adequada às normais de higiene necessárias para o empacotamento e beneficiamento de arroz. Os deputados puderam observar as condições em que toneladas de arroz descascado e a granel são guardadas no galpão da empresa: no chão sobre pedaços de plástico, com piso quebrado. A máquina que deveria fazer a lavagem do produto, segundo a Vigilância, também não está fazendo o processamento adequado.
De acordo com Paulo Jessé, chefe do Departamento Estadual de Vigilância Estadual, a empresa tem prazo de 15 dias para se defender e se adequar às normas que serão exigidas pelo órgão. Além disso, os fiscais recolheram amostras do arroz a granel (antes de ser beneficiado) e ensacado, para fazer análise de qualidade.
O gerente Administrativo da Cereal Cereais, Wanderson dos Santos, disse que a empresa vai se adequar às normas exigidas pela Vigilância Sanitária para que continue a beneficiar e empacotar o arroz.
Itaqui – Os parlamentares se depararam com um quadro de negligência grave por parte dos órgãos federais (Anvisa e Ministério da Agricultura), que deveriam fazer a fiscalização do arroz no Porto do Itaqui. O arroz, descascado e a granel, é retirado dos navios por meio de equipamentos sujos de óleo e jogado, sem qualquer proteção, sobre caçambas que também são utilizadas para o transporte de areia.
O presidente interino da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Antonio Carlos Lago, responsável pelo Porto do Itaqui, disse que o órgão não tem qualquer responsabilidade de fiscalizar os produtos que chegam de navios. “Nós apenas alugamos os nossos berços. Toda a parte de fiscalização alfandegária e de Vigilância Sanitária é feita pelos órgãos federais instalados no porto”, declarou.
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