Coluna do Othelino (Especial)ACORDA, ACORDA BRASIL: UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA (*) (**) (***)
Sonolenta,/nessa manhã que começa /busco em vão o meu Brasil. / São belezas e quimeras/que em brumas se escondem/como rezas de anil./Mas não encontro riqueza/ nas gentes do meu Brasil. / Fizeram de nossa pátria/ um prostíbulo senil/ onde quem manda mais/é que mais rouba,/ onde quem mata escapa./ Procuro em vão a mãe gentil/que outrora embalou/ o meu sonho juvenil/e só encontro pobreza/ onde antes havia riqueza/nas gentes do meu país./Fecho os olhos sonolenta/nesta manhã que desponta/e murmuro resoluta:/acorda,acorda Brasil,/que um filho teu não foge à luta.
(*) MARIA LUCIA VICTOR
(**) Depois de um mês afastado por motivos pessoais, o jornalista e excelente caráter Luís Vasconcelos volta a colaborar com a COLUNA DO OTHELINO, a partir de domingo, 11. O mestre LV está conosco desde que assumimos esse compromisso específico com o JP e a luta libertária do Maranhão. Convidado a assinar o trabalho em conjunto (seriam, então, pai, filho e irmão-tio), preferiu atender às ponderações compreensíveis da família. Mas, sempre esteve solidário e atuante, oferecendo informações e opiniões valiosas – estas últimas sujeitas à adaptação apenas por questão de estilo. A proposta e os ideais estão afinadíssimos. Em virtude das férias jornalísticas dos signatários oficiais (cumprindo orientação médica, após quase três anos ininterruptos de trabalho), Vasconcelos assumirá interinamente a Coluna, com a inestimável colaboração da fantástica escritora conterrânea Magdala. Não poderia ficar eticamente em mãos melhores, orientada por talentos mais privilegiados. Continuará fiel à causa, dedicada aos queridos leitores, sob a bênção de Deus.
(***) Jornalistas Othelino Filho e Neto: Fiquei muito alegre ao ver estampada hoje no JP a notícia da chegada do primeiro navio de turistas da temporada, ao Porto do Itaqui, os preparativos para recebê-los, e a declaração do Secretário de Turismo. Auspicia-se uma alternativa agradável de fomento a empregos e renda, para nossa economia combalida. Tudo que soma não prejudica. Ontem, ao acessar o JP on line, inteirei-me do aniversário de falecimento do fundador, o jornalista Bogéa, ocorrida há onze anos, li atentamente sua coluna, e outras, destacando esforços esboçados pelo novo governo e legisladores responsáveis (“Julião Amin prega a união política para livrar o Maranhão do atraso”), em busca de caminhos que erradiquem a miséria do Estado.
Os meandros da política partidária são incompreensíveis para mim, entretanto não me posso furtar à percepção de um embate mal dissimulado, entre o partido perdedor das eleições no Maranhão e o atual governo. Surpreende-me a argumentação desenvolvida pelo comandante em chefe das Organizações Mirante, através de sua “nau capitânia” impressa, o jornal de elite, lido por nove entre dez socialites, sobre “A pobreza do Maranhão” através dos séculos, assunto palpitante que acompanho interessada, curiosa que sou sobre verdades históricas. Aguardo ansiosa, para conhecer e registrar, o momento memorável em que nos será revelado o milagre que fez o Estado referido, evadir-se de um destino maldito, atingindo IDH comparável ao dos países escandinavos, graças à eficaz administração promovida sob sua batuta, durante 40 anos.
O que deixou de ser feito ao longo dos quarenta malfadados anos já se conhece. Seria alvissareiro começar saber, o que está sendo feito, em termos concretos. Afinal, a equipe senatorial maranhense é de peso, possui expoentes de primeira grandeza, não se há de furtar ao dever de defender a vinda de recursos para as urgentes necessidades do querido Estado, “nossa terra, nossa paixão”. A TV Senado nos permitirá testemunhar os pronunciamentos dos representantes e seu vigorosoempenho, claro. Pergunto-me até que ponto a miséria e a desesperança contribuirão para agravar o quadro de desagregação social e criminalidade. Serão circunstâncias excludentes ou se fundem nos efeitos deletérios? Indago-me, também, sobre o nível de consciência crítica dos que se empenham em obstruir a possibilidade de carrear recursos públicos, produto do imposto pago pelos cidadãos brasileiros corretos, para erradicação dessa chaga que envolverá a todos, a continuar no crescendo em que se desenvolve.
Generalizações são perigosas e eu me recuso a associar pobreza a maldade, violência gratuita, embora reconheça que a falta de perspectivas, contribua para fermentar o caldo onde são geradas condições ideais à eclosão dos piores instintos destrutivos entre os humanos. Os fatos estão muito próximos para que qualquer pessoa responsável os possa ignorar. Acorre-me à lembrança uma experiência trágica presenciada há mais ou menos seis anos. Seria impossível esquecê-la, apenas adormece e ressurge, todas as vezes que estou prestes a me deixar dominar pela vaidade, orgulho, ou indiferença ante o sofrimento alheio. O desfecho determinou os rumos de vida que decidi tomar após vivenciá-la. Revi conceitos, projetos. Passei a sorver com maior intensidade cada minuto da vida, como se fosse o último, fruindo as oportunidades colocadas a meu alcance, em constante genuflexão agradecida, diante do meu Criador. Laços materiais, subordinação a formalismos sociais, que outrora pareciam essenciais, perderam a razão de ser.
Em uma das incontáveis viagens de serviço, empreendidas por meu marido, referentes a um trabalho de âmbito nacional, cuidadosamente elaborado e minuciosamente executado, o Chefe da Divisão de Informática, permanecera no Rio cuidando do desenvolvimento do mesmo, que naquele momento focalizava várias Unidades Militares dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Fui instada como “auxiliar informal” - ler motorista de emergência– a integrar a] “caravana”; durante o percurso, efetuado no nosso automóvel, percorriam-se trechos vicinais de estradas precárias.
Os deslocamentos eram longos, cansativos, às vezes monótonos e provocavam sonolência. Dormíamos nas cidades visitadas. Enquanto o chefe e o jovem capitão auxiliar, cumpriam sua missão no Comando de Aviação do Exército, Batalhão de Montanha, Escola de Sargentos das Armas etc..., eu me envolvia em incursões particulares, buscando conhecer melhor meu país em seus vários aspectos, sociais, culturais e econômicos, anotando e fotografando o que me parecia interessante.
À noite nos reencontrávamos para jantar, conversar, relaxar, trocando impressões.
Seguia tudo no melhor dos mundos. De repente, notei uma mudança súbita, estranha e indecifrável na atitude de ambos. Não quis ser indiscreta, talvez algum dissabor profissional, e assim voltamos à “base” silenciosos. Quando chegamos a nossa casa, me foi relatado o fato trágico que eles souberam durante o serviço e me haviam ocultado: o companheiro, Chefe da Divisão de Informática fora brutalmente assassinado, num desses episódios violentos que preenchem as páginas policiais do Rio. Saíra com a família, esposa e dois filhos, os bandidos fizeram-no parar, ele se atrapalhou, pensaram que iria acelerar o carro e atiraram à queima roupa. Tombou ensangüentado, morto, no colo da esposa, que viajava ao lado. Pasmem! Ao abrir o nosso computador, deparamos com todo o trabalho, volumoso, desgastante, enviado momentos antes de seu encontro com a morte. Realizara-o varando a noite, para honrar o compromisso assumido. A noção de dever elevada à máxima potência. Materialização nobre da “Palavra Alada”. O estado emocional em que submergi é fácil de avaliar. O perfil moral daqueles com quem habitualmente convivo é deste jaez.
Jornalistas, seu artigo de ontem remeteu-me a profunda reflexão sobre os pontos abordados. Oxalá todos assumamos nossa parcela de responsabilidade para minorar este quadro assustador em que se mesclam miséria moral e material. Independente do status social de cada um. Os desvios de comportamento não são apanágio de pobres e desvalidos. Certamente, porém, cabe aos mais esclarecidos e bem aquinhoados, lutar pela erradicação das distorções sócio-econômicas perversas, que fazem brotar tanta desgraça. Independente de cor política ou domínio do poder. Obrigada por me haverem incluído em seu espaço jornalístico, uma vez mais. Magdala. Rio, 5.3.2007.
(othelinofilho @yahoo.com.br)
(othelinoneto@ yahoo.com.br).
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