BASTA!
QUEM SERÁ A PRÓXIMA VÍTIMA?
Os últimos acontecimentos públicos e notórios nos deixaram atônicos, perplexos e o pior de tudo causando uma impotência geral no seio da sociedade maranhense. Restando-nos somente a caneta para numa tentativa dramática. Mas, deveras urgente e coerente com o que se prega nesta Trincheira da verdadeira Maranhensidade, cuja simbologia acima de qualquer coisa defende até as extremadas conseqüências a cidadania plena de todos os maranhenses, sem quais exclusões e/ou distinção. Não será apregoando tricas e futricas, distorcendo autorias, invertendo valores, acoitando apropriações indébitas, que serão valorizados as nossas coisas e nossa gente. Acima de tudo, os valores devem ser reconhecidos em vida e não com o pagamento mais caro possível para um artista que é a sua própria vida. A morte de maneira estúpida, inconseqüente, irresponsável e covarde, que vitimou o compositor, repentista Jeremias Pereira da Silva, o nosso amigo, parceiro Gerô. A truculência policial desenfreada e galopante concomitantemente estourou em dois cenários estaduais, mostrando que estão por demais evidentes e impunes os malfeitores em todos os segmentos até na policia. Sobra para o cidadão indagar: QUEM SERÁ A PRÓXIMA VÍTIMA? A bola da vez para pagar o pato?
Do lado político é morto um prefeito o que tudo indica, pura queima de arquivo, em virtude de falcatruas dentro do erário público – dinheiro do povo sendo roubado -, não é necessário que o total das notícias veiculadas na imprensa local seja verdadeiro, vamos dar crédito para unicamente 1/3 do propagado. Isso não é crime organizado? Esse filme não já passou outro dia mesmo? O pior é que a execução do referido crime foi feita por policiais, fato acontecido no interland maranhense. Em plena capital – Cidade da Poesia - um artista é brutalmente assassinato outra vez por policiais, devido tê-lo confundido com um marginal/assaltante ou foi somente porque Gerô era negro? Puro racismo, o que não pode e nem deve acontecer por essas bandas de “brasis”, onde todos nós temos e honrarmos a nossa negritude. Os p.... loucas dos policiais assassinos são de derme genuinamente maranhense “mulata”, descendente diretos de negro com branco, o que nos deixa mais estarrecidos o irmão matando irmão de cor, o “homem é lobo do próprio homem!”. Numa falta total de preparo humano, psíquico para exercer a função de guardiã da sociedade. A sociedade continua repleta de dúvidas: Os dois assassinatos possuem as mesmas raízes? A nosso ver sim, pois ambos demonstraram a falta de preparo de nossos policiais; a corrupção dos políticos desenfreada que campeia os nossos “brasis” e o bestial racismo persistente em nosso torrão brasileiro. Foi preciso Gerô morrer para serem reconhecidas as suas autorias musicais? Supomos que todos nós envolvidos com a arte em qualquer de um dos segmentos da cultura maranhense, devemos refletir juntos: Quanto recebeu o compositor pelos seus trabalhos profissionais em contrapartida de suas composições musicais produzidas para gregos e troianos? Quantas vezes foram citadas o nome do autor das referidas músicas antes de sua morte? E os direitos autorais onde ficam? Não basta de se apoderarem de idéias e obras dos outros? Até quando as tapinhas nas costa serão substituídas pela remuneração condigna e devidas aos artistas? O que realmente os policiais envolvidos nesses crimes ganharam ou irão receber das mãos dos mandantes? Aliás, e os mandantes? E agora a sociedade assistirá punições ou promoções? Pizzas acreditamos que jamais!
Não resta a menor dúvida de que a conjuntura de segurança está à mercê de medidas realísticas e imediatas, cujos cenários se estendem além das punições, cadeias superlotadas, penas já cumpridas, etc. Esses tópicos são apenas os efeitos, as causas são oriundas da enorme falta de emprego e renda; de uma educação mais pé no chão, que propicie de imediato o maior índice possível de absorção de mão-de-obra local. Ponto esse de grande estrangulamento, pois vivemos num Pan-Brasil, os currículos escolares devam ser coerentes com cada região brasileira e não deixar a enorme psicose de ser “doutor” frustrar mais ainda a sociedade. Exatamente isso, de que adianta um jovem sair de umas dessas inúmeras faculdades e não saber nem fazer um bilhete? A frustração é bem maior do que ficar semi-analfabeto. A cegueira do conhecimento é bem maior do que a cegueira natural da vista!
A natural inocência do parceiro Gerô, característica essa que é comum aos homens não materialistas, em virtude de acharem que o “bom julgador por si julga os outros!”. Somado a simplicidade de um autêntico sertanejo nordestino, com seu chapeuzinho a la vaqueiro dos bravios trechos das boiadas, símbolo que ostentava para maior identificação com os seus belos repentes. Improvisos que perturbaram e muito alguns metidos a “reis das cocadas pretas” com prioridade na área cultural. Era um exímio gozador, nos seus devaneios pelas eiras e beiras da sua também querida Praia Grande foram inúmeras ocasiões que tivemos oportunidade de ouvir as suas composições e principalmente os seus lamentos de um não reconhecimento pelo seu destemido labor diuturno em prol de nossa riquíssima cultura. Mas são de suma necessidade que sejam dados os devidos e merecidos valores aos nossos Vates em vida e não após morte. Basta de violência, corrupção, racismo! A nossa esperança é que a justiça seja feita, já que a concepção de - igualdade, liberdade e fraternidade - ficou lá na queda da Bastilha não veio até aqui, nem com a Invasão Francesa!