Casos de GovernoA manchete não citava o nome do poeta, não falava de um ser humano com alma, coração e corpo dilacerados pela tortura. Falava de um “cabo eleitoral de Jackson Lago assassinado por policiais”.
Estão passando dos limites. Alguém devia convocar a Federação Nacional de Jornalistas para puni-los pela irresponsabilidade e torpeza de querer transformar cadáveres em moeda de troca de suas frustrações políticas e desespero anestesiado de não mais poderem lidar com o Poder.
O homem assassinado não era “um cabo eleitoral de Jackson Lago”. Era um ser humano, desses que tem pai, mãe, irmãos, esposa e filhos. Não podemos tornar permissível que queiram culpar o governo até pelos atos de violência que acontecem nesse estado. Isso não é fazer oposição. É extrapolar os limites da decência na defesa de prerrogativas que são apenas deles e com as quais o povo maranhense nada tem a ver.
Estão agora, através do assassinato de Gerô, querendo fazer o mesmo carnaval que fizeram com a morte do prefeito Bertim. É preciso que respeitem a dor alheia, dos familiares dos mortos e da sociedade consternada com esses bárbaros crimes.
Como ontem dissemos, a prisão dos assassinos, nos dois casos, foi imediata, mesmo se tratando de pessoas que fazem parte do sistema de segurança da capital. Nada foi esquecido. O poder público não tergiversou. Nem um por momento quis proteger seus agentes criminosos.
Como ontem dissemos, a postura da imprensa sarneisista é deplorável. Não podem transformar casos de morte em casos de governo. Há que se ter algum respeito pela opinião pública, respeitar, de alguma forma, os preceitos da lei de imprensa.
Tudo, mesmo que não queiramos, tem limite. A coragem cívica manda que também a imprensa aja dentro dos limites da lei. Quem são eles para achar que não têm satisfações a dar à sociedade?
Já fizeram de tudo, inclusive envolver um deputado, sem provas, sem indícios de provas, no terrível crime que ceifou a vida do prefeito Humberto. Não há lógica política nisso, não há razões eleitorais, nem de poder, que justifiquem tamanha idiossincrasia.
O trunfo político de que fazem uso são os cadáveres. Nem a salutar oposição que combateu as ditaduras que aconteceram no Brasil se permitiram tamanho exagero.
O que houve no Maranhão, senhores, foram assassinatos, foram casos de violência extremada. Não transformem isso em ganho político de suas frustrações pessoais.
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