Por Manoel Santos Neto
GERÔ É SEPULTADO EM CLIMA DE INDIGNAÇÃO
O cantor e compositor Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, foi sepultado, no final da tarde de ontem, no Cemitério do Turu, em clima de revolta e indignação. Entidades do movimento social, como a Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos (SMDDH) e o Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA), promoveram um ato de protesto, na Praça do Panteon, no momento em que o cortejo fúnebre passou em frente à Biblioteca Pública Benedito Leite.
O protesto contra a violência policial foi feito com a presença de filhos, irmãos e da viúva de Gerô, Marilene de Jesus Coelho Rodrigues. Militantes do CCN e da SMDDH, como Magno Cruz e Socorro Guterres, proferiram discursos, condenando a maneira brutal que marcou o assassinato de Gerô, espancado e torturado por dois policiais militares. “A polícia do Maranhão não pode continuar como uma fábrica de monstros”, declarou Magno Cruz.
A fundadora e ex-presidente do CCN, escritora Maria Raymunda Araújo, também criticou a violência, defendendo rigor na punição dos culpados, para que a impunidade não sirva de estímulo para mais violência. No final do velório, realizado no Hospital Português, o secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, disse que o assassinato de Gerô foi mais do que um crime doloso e hediondo. “Este crime, com tanta monstruosidade, que ceifou a vida de um autêntico representante da nossa cultura popular, deve ser tipificado como crime de racismo”, ressaltou Joãozinho Ribeiro.
O deputado federal Flávio Dino (PCdoB), a deputada estadual Helena Heluy (PT) e o ex-deputado Neiva Moreira participaram do enterro, como também a vice-prefeita de São Luís, Sandra Torres, os secretários estaduais João Francisco dos Santos (Igualdade Racial), Sálvio Dino (Direitos Humanos), Weverton Rocha (Juventude) e membros da cúpula da Segurança Pública, como o delegado geral da Polícia Civil, Jefferson Portela.
Clamor por justiça - Familiares, amigos, artistas, intelectuais, sambistas, repentistas, como Moisés Nobre, e um grande número de representantes de grupos culturais e militantes de entidades do Movimento Negro foram dar o último adeus a Gerô, numa cerimônia carregada de emoção. Carregado nos braços de amigos, o radialista Moisés Pereira da Silva, mais conhecido como Manezinho do Rádio, lamentou a morte de seu irmão, pedindo que seja feita justiça para este bárbaro assassinato.
Sob aplausos, o corpo de Gerô foi sepultado no momento em que muitas pessoas rezavam e gritavam palavras de ordem pedindo punição para o crime.
Nascido em Monção, no dia 6 de janeiro de 1961, Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, era cordelista e chegou a ocupar o cargo de secretário adjunto de Cultura e Turismo do município de Vargem Grande. Como compositor popular, Gerô – que se dizia fã de João do Vale - foi parceiro de Joãozinho Ribeiro, Josias Sobrinho e Ribão da Flor e de outros compositores.