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Cartas ao Dr. Pêta

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Data de Publicação: 24 de março de 2007
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(drpeta@box.elo.com.br)

Caro Dr. Pêta;

Porque mataram Gerô? No começo da tarde de quinta feira, mais precisamente às 12h10, avistei de longe a figura pequena do amigo Gerô, Geremias Pereira da Silva. Neste momento, ele atravessava a Avenida Beira-Mar, no sentido ponte de São Francisco. Não deu tempo de lhe oferecer carona. Segui o meu destino, e ele o dele.

À noite, já em casa, quando ouvia o jogo de futebol Moto x Bacabal, soube da má notícia; “Gero fora morto por policiais”. Tomei um susto. Liguei para o amigo jornalista Aldionor Salgado, na tentativa de um desmentido. Ledo engano. Aldionor me confirmou a barbárie.

Fiquei pensando pelo resto da noite: como pode acontecer uma ação banal de abordagem policial em um crime tal perverso?

As pessoas que conheciam o cantor e compositor Gerô sabem muito bem que de mãos livres ele não oferecia nenhum perigo, muito menos algemado. Corpo franzino, mas dono de uma voz forte, Gerô não metia medo em ninguém, principalmente em dois policiais armados. Não dá para imaginar como sofreu o nosso amigo Gerô durante cinco horas de espancamento (tortura), e quantas humilhações ele passou.

No depoimento dos facínoras, há uma insinuação de que Gerô se machucou nas grades da prisão. Mentiras idênticas foram usadas na época da repressão militar. Lembram? Era assim que os militares justificavam as torturas, ou seja: tudo culpa da vítima.

Quando o jornalista Vlademir Herzog foi morto na prisão do DOI-CODE, no tempo da repressão, a polícia fascista da época anunciou um suicídio com uma gravata numa altura de 1,5 metros. Impossível tal façanha.

Neste episódio triste, vários procedimentos legais foram desconsiderados. Nos pareceu uma vingança contra um cidadão de bem, negro e pobre. Do governo Jackson Lago esperamos que estes crimes sejam totalmente esclarecidos e todos os envolvidos exemplarmente punidos. Gerô cantava a música de protesto, em favor do povo e contra os poderosos. Morreu não um animador de palanque de Dr. Jackson, como falou o jornal “O Estado do Maranhão”. Mas sim, um artista popular!

Viva Gerô!

José de Ribamar Cordeiro Filho

Ex-vereador/cartunista

e amigo de Gerô.

Dr. Pêta, bom dia;

Venho, através deste fato, demonstrar o meu ato de revolta sobre o assassinato cruel do ‘Gerô’, e o Jornal Pequeno é um dos que divulga casos e fatos com clareza, deixando todos os seus leitores bem informados. Este fato que hoje revolta a população em geral tem que ser divulgado nacionalmente, e vocês, jornalistas, têm que lutar para que esta publicação seja feita. Só assim esses assassinos que vivem em prol da segurança da sociedade sejam conhecidos pelo Brasil inteiro, para que os outros se envergonhem e possam desempenhar seus papéis com respeito e dignidade perante a sociedade.

(Ozinéa Lobato – São Luís)

Nota do editor – As cartas e e-mails endereçados ao JP e ao Dr. Pêta devem conter nome, endereço e o telefone dos respectivos autores.

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