Secretário reconhece militares como os matadores do prefeitoCaso Bertim: Polícia avança
A Secretaria de Segurança Cidadã deu um importante passo, ontem, na investigação do assassinato do prefeito de Presidente Vargas, Raimundo Bartolomeu Aguiar, o Bertim. A principal testemunha ocular do crime reconheceu os dois militares que estão presos temporariamente em uma das celas do Comando Geral da Polícia Militar como sendo autores do assassinato.
O reconhecimento foi feito na tarde de quarta-feira, na Delegacia de Homicídios. Sobrevivente da ação que levou Bertim à morte, o secretário de Esportes e Lazer, Pedro Albuquerque, conhecido como “Pedro Pote”, confirmou aos delegados que investigam o caso o que já havia dito em depoimento oficial, colhido e assinado na madrugada de terça-feira. “Sim, foi aquele que atirou em mim... “, disse “Pedro Pote”, apontando para o soldado Raimundo Salgado.
Como manda a praxe do reconhecimento, houve uma segunda rodada com cinco homens sem camisa e cada um deles apresentando uma tabuleta com um número. Mais uma vez, “Pedro Pote” foi decisivo em sua fala, diante de duas testemunhas: um oficial da Polícia Militar e um agente da Polícia Civil.
O mesmo ritual foi seguindo para o reconhecimento do sargento José Evangelista dos Santos: em alguns segundos, o reconhecimento foi feito. “Foi ele”, disse o secretário de Esportes e Lazer, que ainda se recupera dos ferimentos sofridos durante o ataque do último dia 6 de março, às 23 horas, na estrada que liga São Luís a Presidente Vargas, próximo a Itapecuru Mirim. “Foi ele”, disse a testemunha, apontado para o sargento Evangelista dos Santos.
Para cumprir a agenda do reconhecimento, policiais civis o levaram de ambulância até a sala especial da Delegacia de Homicídios. A sala especial para reconhecimento exige que a testemunha não seja vista pelos suspeitos. A testemunha procura o suspeito por uma janela escura. Dentro de outra sala contígua, cinco pessoas são apresentadas com tabuletas numeradas.
Anteontem, em entrevista à imprensa na sede da Delegacia Geral, os militares acusados negaram envolvimento no crime, alegando inocência.
“O reconhecimento dos suspeitos é mais um passo importante para elucidar o homicídio – disse o delegado geral, Jefferson Portella. “A outra peça importante é o depoimento da testemunha que já recolhemos na madrugada de terça-feira”, complementou.
Risco de morte – Em uma ação inexplicável e condenável, uma ‘comissão’, verdadeira ‘tropa de choque’, formada pelos deputados Raimundo Cutrim, Ricardo Murad, Jura Filho, Antonio Pereira e Carlos Filho decidiu deixar a Assembléia pela manhã para fazer uma “visita de surpresa” à testemunha “Pedro Pote”.
A atitude não foi entendida por nenhum policial que estava dando proteção à principal testemunha do homicídio. “Eles chegaram e perguntaram sobre o paciente, mas a testemunha avisou que não queria falar com eles”, explicou o delegado Joviano Furtado, superintendente do Interior. “Mesmo assim, os cinco deputados insistiram em ver a testemunha. Entraram no quarto e começaram a fazer perguntas sobre o caso. “Pedro Pote” disse que já havia identificado os dois militares e que só falaria com a Polícia. A ação intempestiva dos deputados obrigou a Polícia a remover a testemunha da clínica particular do Bairro do Cohatrac.
“Foi uma irresponsabilidade. Temos o maior cuidado com a segurança da testemunha e ninguém tem o direito de colocar a vida do secretário sob ameaça. Qual o objetivo disso tudo? O endereço da clínica foi mencionado da tribuna da Assembléia e na rádio Mirante, a vida da testemunha agora está ameaçada”, condenaram os policiais que investigam o caso.
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