A aparente unidade do PMDB, conquistada após a decisão do partido de integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu segundo mandato, já dá sinais de que não vai se sustentar a longo prazo. Além da disputa pela presidência da legenda entre Michel Temer e Nelson Jobim, que promete resultar no racha interno do PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) adiantou nesta quinta-feira que vai se manter na oposição ao governo federal – mesmo que o partido permaneça na base de Lula.
Hoje termina o prazo para o registro das chapas dos candidatos que vão concorrer à presidência do PMDB na convenção nacional, marcada para 11 de março. Por enquanto, Temer e Jobim ainda não se inscreveram oficialmente na disputa. Como não há acordo para chapa única entre os dois peemedebistas, a expectativa é que os dois registrem chapas em separado até o final desta sexta-feira.
No total, 564 delegados do PMDB têm direito a voto na convenção —entre deputados, senadores e integrantes do diretório nacional. Como alguns ocupam duas funções simultaneamente no diretório, poderão votar duas vezes na disputa, o que eleva o número de votos para 782.
Críticas – Em seu primeiro discurso na tribuna do Senado desde que foi empossado, Jarbas reconheceu que a maioria do PMDB defende a permanência na base de apoio de Lula. Mas cobrou dos colegas de partido mudança de postura para assegurar a independência crítica do PMDB.
“Governos não devem buscar a unanimidade. Já disse uma vez Nelson Rodrigues que a unanimidade é burra. O direito de fiscalizar a administração é tão necessário quando a própria administração”, defendeu.
Lula tem no PMDB o seu principal aliado no Congresso, uma vez que o partido reúne as maiores bancadas na Câmara e no Senado. O presidente adiou o anúncio da reforma ministerial à espera da decisão dos peemedebistas sobre o seu novo presidente —gesto que tem como principal objetivo evitar o desembarque do partido do governo após a escolha de seu novo comandante.