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PolíticaDeputados travam duelo verbal sobre criação de CPI do Grampo

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2 de março de 2007
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Os deputados Ricardo Murad (PMDB), líder do Bloco Parlamentar de Oposição (BPO), e Edivaldo Holanda (PTC), líder do governo na Assembléia Legislativa, travaram, ontem, um intenso duelo verbal em torno da apuração de um sistema de escuta clandestino, descoberto no Palácio dos Leões. Murad disse que, nos últimos três anos, muitas conversas foram gravadas no gabinete do governador. “Todo mundo gravava todo mundo”. Holanda reagiu com surpresa e manifestou-se disposto a endossar o pedido de CPI. “Fico estarrecido de ver essas declarações. É importante que se esclareça qual o momento em que todo mundo era grampeado”.

Murad usou a tribuna para comentar a entrevista de Edivaldo Holanda a uma emissora de rádio, na qual o líder do governo questiona a importância de uma CPI para apurar o suposto “grampo” no gabinete do governador, e aponta o senador José Sarney (PMDB-AP) como “o suspeito número um” pela instalação do sistema de escuta. Sarney afirmou, em artigo publicado no jornal “O Estado do Maranhão”, dispor de uma gravação (supostamente feita pelo sistema de escuta) entre o ex-governador José Reinaldo e um prefeito do interior.

Ricardo Murad se disse “chocado” com a declaração do líder do governo, acrescida da sugestão para que o senador Sarney seja o primeiro a ser ouvido, na hipótese de a CPI ser instalada, mas advertiu que nada o fará recuar na tentativa de instalar a comissão. “Podem chamar (para depor) quem quiser, desde que dentro do que determina o Regimento Interno e as leis”.

No entendimento do peemedebista, o fato de Sarney ter afirmado possuir uma gravação não constitui prova do envolvimento dele. “Todo mundo gravava todo mundo. Pode ser que o prefeito (que participou da conversa gravada com o ex-governador José Reinaldo) tenha dado (a fita) a ele (Sarney)”.

Omissão – O líder do BPO disse que a instalação de uma CPI se justifica pela gravidade dos fatos e por um suposto desinteresse do governo em apurar as responsabilidades. “Existe equipamento (de escuta no Palácio dos Leões)? Existem. Eles foram usados? Foram. Grampeou gente? Grampeou”, disse Murad, complementando em tom categórico: “(tudo isso) Estava no gabinete do governador, que recebe tanta gente. É mais importante (o gabinete do governador) que o confessionário do padre”.

Murad explicou que decidiu solicitar a criação da CPI em face de uma suposta omissão do governo. “O governo não abriu inquérito nenhum. Se o líder do governo me dissesse que o governador mandou a Polícia Civil abrir inquérito com o acompanhamento do Ministério Público, não havia necessidade de CPI”. E repetiu a acusação contra a ex-primeira-dama Alexandra Tavares de envolvimento no sistema de escuta. “Digo que é inspiração dela (o “grampo”) porque era ela quem mandava, ditava ordens, tudo se fazia sob as bênçãos dela”.

Edivaldo Holanda rechaçou a acusação de negligência do governo. “O governador mandou a polícia fazer uma varredura e tem sim um procedimento instalado”. Ele exibiu um documento do superintendente da Polícia Federal no Maranhão, que encaminha três relatórios técnicos sobre o assunto e um despacho do comandante da Polícia Militar para proceder à investigação sigilosa sob responsabilidade do serviço de inteligência. “A coisa esta sendo investigada na instância correta”.

Holanda classificou a acusação de Murad contra a ex-primeira dama como “uma leviandade inominável”. “Como condenar uma senhora (Alexandra Tavares) afirmando que ela mandou instalar o que ele chama de grampo?”. E, dirigindo-se ao líder do BPO, completou: “O que vossa excelência quer é trazer querelas políticas (para o plenário da Assembléia), quer ofender a (ex-) primeira-dama e o ex-governador”.

Coronelismo – Quanto à sugestão para que o senador José Sarney seja ouvido, em caso de instalação da CPI, Holanda disse não ver nesse fato qualquer ofensa. “Não é nenhum demérito à figura do ex-presidente (da República), até porque ele declarou que tem uma gravação. É a única pessoa que declara que tem uma gravação. Se ele o fez é porque não quer esconder nada”.

Em aparte, o deputado Jura Filho (PMDB) lembrou que na época em que foi vice-governador também foram descobertas escutas ilegais em sua residência oficial. “Acionei o Icrim, determinei à polícia (que investigasse), registrei ocorrência. Fiz tudo o que podia e pedi que se chegasse aos culpados”. Segundo ele, a investigação jamais produziu os resultados esperados.

O deputado Rubens Pereira Junior (PRTB) disse acreditar que alguém do grupo Sarney possa estar envolvido no sistema de escuta ilegal. “Não isento todo o grupo, porque é o tipo de política típica do coronelismo que dominou o Maranhão por 40 anos”.

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