Por Beatriz Veras
Neste bate-papo, Marcos conta como foi o começo da Cibernautas, nos fala sobre os seus trabalhos e ainda boas previsões para o mercado de tecnologia no Maranhão.
JP ONLINE - O que levou a mudança da Cibernautas de um mercado grande como o de Minas Gerais (Belo Horizonte) para São Luís?
Marcos Nahuz - Quando eu vim para São Luís em 98, a Cibernautas trabalhava dando consultoria e desenvolvendo sistema para área de produção de indústria farmacêutica, que era o nosso foco. Constantemente aparecia para a empresa um conjunto de novas oportunidades que nós tínhamos uma dificuldade muito grande de atender, porque essas oportunidades eram muito diversas. Nós queríamos concentrar na indústria farmacêutica para não estar criando coisas novas e não diversificar, pois isso aumentaria muito o custo estar lidando com consultorias diferentes. Enquanto estávamos no mercado em Belo Horizonte, recebi um convite para desenhar um plano diretor de informatização do setor judiciário do Maranhão, era um convite para ficar 1 ano e meio no Estado, enquanto minha empresa continuava a funcionar em BH. Novamente, fui convidado para exercer um cargo público, onde não tinha outra opção a não ser me mudar para São Luís de uma vez. Tive então que parar as atividades da empresa, pois ela permaneceu apenas com os clientes que ela já tinha. Em 2003, resolvi reativar minhas atividades a partir daqui, não tendo mais nenhuma intenção de voltar à BH, aceitando ainda mais um convite para reestruturar o judiciário estadual. Nesse período já tinha reestruturado a empresa, mas não conseguia ainda operá-la por ainda me encontrar em órgão público. Ela só voltou a ser operada de fato em 2006, quando saí do Tribunal de Justiça, onde hoje a empresa passou a trabalhar a área de consultoria, não só em TI, mas também a área de Gestão Estratégica e Mercadológica.
JPOL - Além dos produtos de Tecnologia de Informação (TI), o senhor ampliou o leque em atuação com consultoria, treinamento, cursos e até mesmo lançando no próximo mês literatura empreendedora. Até que ponto o senhor acha que estes demais trabalhos contribuem no desenvolvimento de seus produtos de TI?
MN - Todo gestor ou toda pessoa que trabalha com consultoria, normalmente começa a acumular experiências que facilitam muito o desenvolvimento de uma visão bastante ampla da situação e dos problemas, e começam a procurar uma maneira de colocar isso de volta para a sociedade. O Romanesco é o primeiro de quatro livros que devemos estar lançando nos próximos dois anos nessa área, é um romance de gestão que têm o objetivo de mostrar como precisamos da teoria e de arte na prática para ter sucesso nos negócios.
JPOL - O senhor acha que o mercado de TI em São Luís é promissor?
MN - Eu acredito de que todo mercado de novas tecnologias é promissor no MA, por uma razão simples: nós temos muito que desenvolver. O nosso Estado ainda é muito pouco desenvolvido nessa área, e tem um potencial muito grande de novos negócios a partir do Agrobusiness, passando pela área de turismo e até mesmo pela área de serviço de inteligência que está aberta para qualquer cidade do Brasil que tenha interesse em se desenvolver nessa área.
JPOL - Quais os trabalhos que o senhor desenvolveu em TI em São Luís?
MN - Eu fiz o plano de informatização do Judiciário Estadual, depois nós reestruturamos o Fórum Desembargador Sarney Costa, trabalhamos também na reestruturação do modelo logístico do TRE nas eleições de 2002, implantando uma nova filosofia de trabalho que hoje já está bastante amadurecida no local. No Tribunal de Justiça, nós desenvolvemos uma maneira diferente de administrar o Judiciário focado em planejamento e previsão de custos e investimentos.
JPOL - Sua crença é enxergar a vida centrada em projetos para frente. Como o senhor observa o futuro do mercado de tecnologia e em quanto tempo São Luís vai absorver isso?
MN - Quando falamos no mercado de tecnologia, devemos saber fazer a distinção daquilo que se entendia por tecnologia há 5 anos. Tecnologia não é um computador e um monitor. Tecnologia vai desde serviços de infra-estrutura com a possibilidade de se ter cobertura de rede sem fio para acesso a televisão e internet em qualquer parte do Estado, passando por vários tipos de serviços que podem ser disponibilizados como a própria prestação de serviços de voz por um preço só. Hoje, pagamos operadoras de telefonia fixa, telefonia celular separadamente, onde daqui a pouco teremos empresas que estarão explorando serviços diretamente pela tecnologia de rede como ligações telefônicas mais baratas, através de softwares como skype, ou outros que utilizam serviços mais baratos.