Por Oswaldo Viviani
‘HACKERS’ EM SANTA INÊS
Policiais civis de Santa Inês (a 245 km de São Luís), chefiados pelo delegado Jefferson Antonio Serra de Souza, prenderam cinco jovens – três homens e duas mulheres – acusados de integrar uma quadrilha de “hackers” (invasores de contas bancárias “on-line”) que agia na cidade.
Joaílson de Moura Souza, André Conceição Oliveira, Jhonny da Silva Nascimento, Viviane Silva de Melo e Kelen Cristina de Souza Mota Gomes foram presos no sábado pela manhã, mas apenas ontem a prisão deles foi divulgada.
Um sexto membro da quadrilha, Gabriel da Conceição Oliveira, irmão de André, conseguiu fugir. A polícia acredita que ele seja o líder dos “hackers”. Com exceção de Jhonny, todos os outros membros do grupo são da cidade paraense de Parauapebas, considerada a “capital brasileira dos hackers”.
De acordo com os agentes Sandro e Dime, da delegacia de Santa Inês, os cinco jovens haviam alugado um quarto no bairro Laranjeira, em cima do Armazém Lopes, para realizar no local suas operações ilegais.
No quarto, a polícia encontrou três computadores, modems, telefones, cartões de crédito em nomes de outras pessoas e documentos de identidade sem foto.
A quadrilha atuava preferencialmente invadindo contas dos bancos Itaú, Bradesco e BB. A polícia ainda não tem certeza do tempo que o bando vinha atuando em Santa Inês nem de quanto a quadrilha desviou das contas, mas apurou que na semana passada Gabriel Conceição comprou três carros em São Luís – um Astra, uma Saveiro e um Gol. Os três veículos valem, juntos, perto de R$ 100 mil.
Como agem os ‘hackers’
A invasão dos “hackers” em contas “on-line” da internet é possibilitada com a implantação no computador do correntista de um “spyware” (vírus “espião”), por meio de um “spam” (mensagem não solicitada que chega pelo “e-mail”) ou do “site” de relacionamento Orkut. Com o “espião” ativado, assim que o correntista abre seu banco “on-line”, todos os seus dados pessoais (inclusive a senha) são copiados e chegam até o remetente do “e-mail” (o “hacker”).
Com os dados em mãos, o “hacker” transfere o dinheiro do correntista “invadido” para a conta de “laranjas”, previamente recrutados. Trata-se, geralmente, de pessoas humildes, que são cooptadas (na maioria das vezes, sem saber que estão participando de um crime) em troca de pequenas gratificações em dinheiro (R$ 150, em média).