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cidadesSem-terra exigem desapropriação de fazendas em Bom Jesus das Selvas

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1 de março de 2007
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Por Aurelio Carvalho

Representantes dos acampamentos dos sem-terra de Bom Jesus das Selvas estão em São Luís para cobrar do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), vistorias em fazendas improdutivas da região. O objetivo é tirar as famílias dos acampamentos e encaminhá-las a um lugar digno de moradia e sobrevivência. Segundo Valdenira Gomes, do Acampamento Pedreiras II, e Francisco das Chagas, do Acampamento do Ferrugem, em Bom Jesus, o Incra já está sabendo do problema na região, mas alegou que ainda não tomou providências porque a verba para o orçamento da União ainda não foi liberado para suas despesas.

De acordo com os sem-terra, a situação em Bom Jesus das Selvas é caótica. Três crianças já teriam morrido vítimas de desnutrição, sendo que uma delas morreu em decorrência do calor da lona do acampamento. “Além disso, as crianças que conseguem sobreviver não têm escola e nem direito à educação. Isso é um crime e as autoridades precisam tomar medidas urgentes para resolver esse problema social”, disse Francisco das Chagas. “Também sofremos com a água de má qualidade, que vem causando hepatite e infecção renal nos companheiros. O Incra sabe disso e ainda não resolveu a situação”, completou.

Terra – Segundo os lavradores de Bom Jesus das Selvas, já foram constatadas como terras improdutivas, as fazendas Cajazeira II, Portal, Boa Sorte, Boa Vista, Beira Rio e Rio Verde/Taboca, totalizando 30 mil hectares. Com a desapropriação dessas áreas, daria para beneficiar 470 famílias da região. “Isso sem falar que o Incra também prometeu uma vistoria nas fazendas Pedreiras II, Cristal e Mutum, que serviram para nos tirar dos acampamentos de Bom Jesus das Selvas, mas informou que ainda não pôde vistoriar porque não encontra os fazendeiros para serem citados no processo. Até aí tudo bem, sabemos que lei é lei. Agora, eles poderiam muito bem fazer o comunicado das vistorias por meio de edital. Então, existe uma solução, mas que até agora não foi acatada porque eles não têm interesse na nossa causa”, argumentou Francisco das Chagas.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema), Francisco Sales, todas essas desculpas para a falta de vistorias foram criadas como empecilhos para a Reforma Agrária. “Hoje, quando um fazendeiro ocupa uma fazenda, o Incra só pode fazer vistoria dois anos após essa ocupação. Então, quando o dono da terra sabe que o Incra pretende fazer vistoria, ele trata de ocupar a terra imediatamente. Dessa forma, consegue, pelo menos, adiar a visita do Incra ao local. Isso é ruim para a reforma agrária porque dificulta os direitos dos sem-terra”, comentou Francisco Sales.

Segundo os lavradores, que estão em São Luís para negociação com o Incra, existem 150 famílias vivendo no Acampamento Pedreiras II e 100 famílias no Acampamento Ferrugem. “Queremos uma solução rápida, pois já faz quatro anos que a gente vem a São Luís resolver o problema e só ouvimos promessas e desculpas sem fundamento”, finalizou Francisco das Chagas.

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