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Muito além da poesia

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Data de Publicação: 5 de fevereiro de 2007
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Muito se tem comentando, repetido, interpretado e difundido a obra poética de José Tribuzi Pinheiro Gomes, o Bandeira Tribuzi, que, sexta-feira, completaria 80 anos de nascimento. Mas há uma outra contribuição deste intelectual que precisa ser melhor analisada, para que se compreenda sua outra manifestação de amor ao Maranhão, esta não dita de forma lírica, mas sua visão de economista sobre os meios de produção no Estado e as alternativas para o desenvolvimento econômico e social.

Adepto da filosofia socialista, como aluno da Universidade de Coimbra, Tribuzi acumulou todo seu conhecimento econômico através da leitura de Kal Marx, Rosental, Plekanov, Rosa Luxemburgo, Kautsky, Engels e outros. Em a Formação Econômica do Maranhão - Uma Proposta de Desenvolvimento, publicado em 1981, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais - Fipes (já extinto), Tribuzi faz uma radiografia da economia maranhense, desde a era colonial, e apresenta suas propostas para tirar o Maranhão do atraso.

O livro, organizado por Joaquim Itapary, hoje presidente da Academia Brasileira de Letras, foi deixado pelo autor dentre outros trabalhos que não foram públicos em vida. A ele se somam outros estudos sobre Economia: Esboço do Comportamento da Economia Maranhense, Esforço Tributário em Região Sub-Desenvolvida, Esboço da Formação Econômica do Maranhão, Pesquisa Histórica do Algodão Maranhense e Síntese da Evolução Histórica do Desenvolvimento Urbano de São Luís.

Todo este acervo está à disposição dos economistas, cientistas políticos e demais interessados em desvendar o outro lado do poeta, autor da Louvação a São Luís, Imagem e tantos outros poemas de rara beleza. Consultor econômico de órgãos estaduais, foi um dos fundadores do Banco de Desenvolvimento do Maranhão - BDM e da Superintendência de Desenvolvimento do Maranhão - Sudema.

Contribuição - Em Formação Econômica do Maranhão, Bandeira Tribuzi, após analisar a pobreza histórica do Maranhão, apresenta algumas sugestões para desenvolvê-lo. Apesar dos equívocos, se comparadas à realidade de hoje, entendia que aqui deveriam ser adotadas, dentre outras, as seguintes providências:

- Identificação e desenvolvimento de tecnologias visando ao máximo aproveitamento dos recursos naturais ao nível do potencial dos outros fatores disponíveis ou mobilizáveis.

- Elevação relativa da tecnologia do fator trabalho e redução da ociosidade relativa da mão-de-obra rural.

- Eliminação dos impasses estruturais/institucionais que limitam a capacidade de modernização da estrutura de produção agrícola.

- Estímulos ao investimento privado, com ênfase para os projetos industriais.

Siderurgia - Bandeira Tribuzi, embora nesta obra seu foco prioritário seja o setor rural, já manifestava entusiasmo com a chegada de uma siderúrgica, que, acreditava, iria empregar mais de 5 mil pessoas, diretamente, além de 15 ou 20 mil, indiretamente, mas lamentava as carências de material e humano (mão-de-obra capacitada) para serem absorvidos pela indústria, que seria resultado da implantação do Projeto Carajás, explorado pela Companhia Vale do Rio Doce.

Segundo ele, “o impacto desses dois projetos será bem mais significativo “se for alterada a legislação que isenta as exportações de produtos siderúrgicos de ICM (hoje ICMS).... Neste caso o governo terá sua Receita Tributária dobrada e, pois, substancialmente ampliada sua capacidade de ser o grande agente do processo estadual de desenvolvimento econômico”.

Apesar do alerta de Tribuzi, quando resurgiu o debate sobre o Pólo Siderúrgico, em 2004, os mesmos problemas ainda estavam expostos: qualificação de pessoal, identificação da participação da economia estadual no suprimento de matérias-primas e demais insumos do projeto, identificação de oportunidades industriais efetivas (vantagem locacional) decorrentes, adequação urbana da capital para absorver o impacto do pólo siderúrgico-exportador.

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