A Secretaria da Educação anuncia que as escolas do ensino médio, localizadas nos 217 municípios maranhenses, receberão, até maio, 464 laboratórios de informática. Isso nos permite algumas reflexões. A primeira delas é que o governo não estava brincando quando decidiu priorizar a educação no Estado. Outras dizem respeito ao próprio uso da informática na educação escolar.
A educadora Edla Maria Faust Ramos, do Centro Tecnológico da Universidade de Santa Catarina escreveu um artigo no qual tratava da incorporação de novas tecnologias no processo educativo. E lembrou que no início dos anos 80 houve o temor de que essa tecnologia pudesse produzir a massificação do ensino e, por conseqüência, a eliminação da figura do professor. Chegaram a discutir como sendo um disparate o uso de microcomputadores em escolas paupérrimas que são o que, pelo menos por enquanto, não faltam no Maranhão.
Na verdade, a Informática traduz-se como mais um processo revolucionário no mundo, capaz de expandir assustadoramente a capacidade de comunicação. Um processo revolucionário que pode ter peso maior para a humanidade que a invenção da máquina a vapor ou a criação da imprensa, não sabemos ainda. Já se percebe, entretanto, que essa tecnologia é capaz de provocar novas formas de divisão do trabalho e até o surgimento de novas classes sociais. Algumas dúvidas colocadas pelos estudiosos, inicialmente, são se ela levará à centralização e controle ou ao acesso livre e democrático à informação; se produzirá o absolutismo ou a democracia participante como forma de governo; se levará à eficiência econômica ou ao desemprego em massa; à segurança pública ou à instalação do terror.
Do que ninguém tem dúvida hoje é de que a alfabetização em informática deve ser uma decisão política sob pena de transformar o distanciamento cultural entre as classes abastadas e os excluídos num fosso enorme, promovendo o caos e a barbárie.
O computador propicia ao estudante o lúdico instigante e atrativo, a resposta imediata, resultados interessantes, flexibilidade do pensamento, desenvolvimento do raciocínio lógico, expressão emocional, etc.
Em suas palestras para educação profissional e empresarial Sérgio DalSasso tem dito que não é só instalando máquinas que a escola, especial ou não, estará contribuindo para a educação de seus cidadãos. Entende que o computador deve ser utilizado para o desenvolvimento integral do sujeito e não apenas como armazém de informações disponíveis; deve ser um instrumento para o próprio sujeito ampliar seu potencial intelectual.
Pelo menos é evidente que o computador por si só não atende ao objetivo de formar o homem social com que sonha a humanidade. O que formará o homem será a maneira como ele usa a máquina. E isso, certamente, dependerá dos professores responsáveis por controlar laboratórios de Informática como os que ora se instalam no Maranhão.