As melhores terras do Estado estão sendo destinadas para parques de reservas ecológicas
Patrocinado pelo Sindicato da Indústria de Ferro do Maranhão - Sifema, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão - Fiema, está disponível para a classe empresarial, pesquisadores, professores, estudantes e, principalmente gestores públicos, um dos mais bem elaborados documentos sobre a realidade sócio-econômica do Estado, o Zoneamento Econômico e Ecológico do Estado do Maranhão, elaborado pelo pesquisador Evaristo Eduardo de Miranda, da Embrapa de São Paulo (Capinas). O documento foi apresentado quinta-feira, no Palácio Henrique de La Roque, oportunidade em que o coordenador dos trabalhos fez uma explanação sobre esta sua pesquisa.
Segundo Evaristo de Miranda, o que mais existe hoje no Maranhão são estudos sobre os mais diversos setores, entretanto poucos sabem onde estão e o que resultou deles, portanto espera que este tenha sua aplicabilidade e sirva, pelo menos, de reflexão sobre o que se passa no Estado, principalmente sobre investimentos agropecuários.
Maranhão - Evaristo diz que não se pode querer aplicar no território maranhense as mesmas regras impostas aos demais estados nordestinos, tampouco trazer para cá exemplos de outras regiões da Amazônia, devido às suas peculiaridades. Ele vê com preocupação, por exemplo, as limitações para novos investimentos, por conta de exigências para preservação ambiental em locais já ocupados, alguns por mais de dois séculos.
- Ora, uma propriedade adquirida há décadas não pode de uma hora para outra ser encarada como invasão de uma reserva ambiental criada há menos de dois anos, pois neste caso foi a reserva que invadiu a propriedade - ironizou.
Reservas - Para o pesquisador da Embrapa - SP, o Maranhão enfrenta hoje um problema que pode se tornar muito preocupante no futuro: boa parte de suas áreas agricultáveis está sendo transformada em parques ambientais, ficando para gerar riquezas, empregos e alimentar restante da população terrenos de produção com pouco retorno. “Ninguém prega o desmatamento, mas é preciso adequar o homem a seu meio”, diz ele, acrescentando que um excessivo rigor nessa política ambiental vai acabar afastando, mais ainda, o homem do campo.
Investimentos - Citando um exemplo, Evaristo diz que é praticamente impossível investir ao longo do corredor da Ferrovia Carajás, que deveria ser um estímulo à agropecuária ou à agroindústria.
No seu estudo, ele aponta os cinco municípios mais vantajosos para investimentos agropecuários. Seriam Açailândia, Mirador, Balsas, Campestre do Maranhão, Formosa da Serra Negra e Porto Franco. Do outro lado, como regiões menos atrativas para esse tipo de empreendimento, estariam os municípios de Humberto de Campos, Icatu, Primeira Cruz, Santo Amaro e Tutóia.