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Potencial do Carnaval de São Luís

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Data de Publicação: 19 de fevereiro de 2007
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Manoel Rubim da Silva

Contador, professor da Universidade

Federal do Maranhão e auditor fiscal federal

manoel_rubim@uol.com.br

Cresci, ouvindo informações de que teríamos, nesta cidade de São Luís, o terceiro carnaval deste país. O primeiro seria o do Rio de Janeiro, embalado pelas belas marchinhas e pelo eterno samba, o segundo o de Pernambuco, pelo agito proporcionado pelo frevo. Naqueles tempos, nem falávamos na Bahia, muito menos no axé, tão presente, atualmente, em salões de festa espalhados por este país. O nosso carnaval não se resumia nas “Turmas”, como Águia do Samba, Duque do Samba, Marambaia e muitas outras, sendo que algumas ainda existem.

Lembro-me dos carnavais passados, com “um aperto no coração”: dos blocos, hoje tidos como tradicionais, como Pif-Paf, Vira-Latas etc, que se caracterizavam pelos “assaltos” que faziam nas casas dos que lhe convidavam, ou de amigos e integrantes de tais blocos, oportunidade em que bebiam e comiam, tudo; dos lindos e singelos corsos, montados em caminhões ornamentados, quase sempre imitando navios, cheios de moças cantando músicas que sensibilizavam as pessoas, ao tempo em que tocavam pandeiros; dos bailes populares, Moisés, Alô, Bigorrilho e muitos outros, caracterizados pelas presenças de mulheres com máscaras; das inesquecíveis “batalhas dos confetes e serpentinas” na “Rua Grande”, travadas entre moradores e transeuntes, principalmente aqueles que se deslocavam em veículos; dos fofões, que não são vistos em outras cidades, a meter medo nas crianças e pedir dinheiro, com bonecos nas mãos, para os adultos, aos pulos, com as devidas saudações: “olá, olá olá! Oh lalá!”; do Baile no Éden, afora os muitos bailes que aconteciam nos Clubes Sociais, como Casino, Lítero e Jaguarema. Ainda tínhamos as tribos de índios, como Apaches, Comanches etc e os Blocos de Sujo, que batiam em latas, como nos lembra a famosa música do “Bicho Terra”. Para emoldurar toda essa riqueza cultural, não podemos deixar de citar a Casinha da Roça e o onipresente Tambor de Crioula.

Algumas dessas manifestações culturais se foram, outras continuam. Todavia, não dispomos do carnaval que tínhamos, como uma espontânea manifestação de um povo, que quer e necessita se divertir, durante a folia de momo, tão bem retratada por um Rei Momo inesquecível, Haroldo Rêgo, que contava no seu séqüito com o grande sonoplasta José de Ribamar Elvas Ribeiro e Douglas Santos, também, intérpretes de dois personagens do programa humorístico, no rádio e depois na televisão, “Malho e Marreta”. Lembro, ainda, dos vendedores de roque-roque, óculos e cartolas de papel, que faziam a alegria das crianças.

Porém, creio que continuamos a ter um carnaval com variadas opções enraizadas em nossa cultura, que tem marcas de todas as vertentes carnavalescas, como religiosas, européias, africanas e indígenas, que justificam a rica diversidade do carnaval deste estado. Entretanto, ainda não conseguimos explorá-la, em prol do nosso povo, como acontece no Rio de Janeiro, em Recife e em Salvador. O valor agregado expressivo que o carnaval gera para tais cidades - e outras de menor potencial - poderia servir para minorar as nossas mazelas sociais, com a injeção de recursos originários da exploração do nosso carnaval, como uma atração turística. Em Salvador, Rio de Janeiro e Recife o carnaval costuma gerar milhares de empregos, alguns permanentes e outros temporários, assim como estão recebendo centenas de milhares de turistas, que injetam milhões nas economias dessas cidades.

Em outras oportunidades, já tratei da importância da chamada Economia Criativa para o desenvolvimento econômico e social. O carnaval, afora ser um momento de catarse coletiva, pode ser utilizado para incrementar a economia neste estado. Riqueza cultural, com certeza não faltará. Os turistas ficam boquiabertos com a criatividade e a rica diversidade cultural do Maranhão. Não tenho dúvidas, em termos de diversidade cultural, não perdemos para ninguém, inclusive no carnaval. Cabe-nos fazer a articulação, visando unir esforços, entre os vários segmentos que podem ganhar com o potencial do carnaval deste estado, quais sejam: governos, hotéis, restaurantes, bares, indústrias, imprensa e as comunidades envolvidas, que lutam para “botar o bloco na rua”, conscientizando-os de que poderão participar do jogo do “ganha-ganha”. Finalizando, rendo as minhas homenagens a todos os que lutam pelo nosso carnaval, saudando-os, através do “Fuzileiros da Fuzarca”, que comemora setenta e um anos de existência: “Vou de coração, vem você também”.

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