Por Robert Lobato
Não sei ao certo, mas parece-me que foi o filósofo Leandro Konder que disse: “por achar que tudo está ligado a tudo, um marxista tem a mania de querer falar sobre tudo”. Deve ser o meu caso.
Não sou especialista na área de Segurança Pública e nem pretendo ser algum dia. Mas enquanto cidadão, acho-me no direito de comentar sobre a forma como a oposição e setores da imprensa maranhense, notadamente o jornal O Estado do Maranhão, vêm tratando a questão da Segurança no Maranhão.
Em primeiro lugar, há uma preocupação nacional com a questão da Segurança Pública. Não é privilégio do Estado do Maranhão, e muito menos da sociedade maranhense, ser vítima de bandos de assassinos, assaltantes, entre outros tipos de delinqüentes. O próprio governo federal tem patinado no combate aos crimes no âmbito de sua atuação, embora aqui e ali a Polícia Federal tenha obtido êxito em algumas operações importantes.
Em segundo lugar, é um erro grave politizar de forma desqualificada a questão da Segurança Pública como estão fazendo. Quando o jornal O Estado do Maranhão estampa a sua primeira página com sangue, e isso quase que diariamente, percebe-se que a sua verdadeira intenção não é cobertura jornalística do fato de per si. O que há é uma pretensão, às vazes latente, às vezes manifesta, de derrubar a atual secretária, a senhora Eurídice Vidigal. Esse é o cerne da questão.
Então surge inevitavelmente uma pergunta: há quem interessaria a queda da secretária de Segurança? Precisa ficar claro que a oposição iria escolher alguém na tentativa desestabilizar o governo Jackson Lago e, tudo indica, a escolhida foi a Eurídice Vidigal. Mas por que ela? Por ser ‘um corpo estranho’ ao Sistema? Por “não conhecer o Estado”? Por ser mulher? Claro está que não é por nenhum desses motivos.
A principal motivação que impulsiona o jornal O Estado do Maranhão a uma campanha sistemática contra a atual gestão do setor do Sistema de Segurança Pública maranhense, é o fato da titular do cargo ser esposa do homem que contribuiu para levar à eleição de 2006 para o segundo turno, e depois derrotar a candidatura Roseana Sarney no segundo. Não fosse esposa do ex-candidato ao governo, Edson Vidigal – candidato oficial do então governador José Reinaldo – não seria a dona Eurídice a escolhida pela oposição. Isso é cristalino como o riacho que refletiu a imagem de Narciso.
O problema é que a oposição e os seus veículos de comunicação estão brincando com coisa séria. Segurança Pública é uma área em que o bom senso aconselha que a tratemos como ‘questão de estado’, e não apenas como questão de governo.
Ademais, sempre que se trata a Segurança Pública de forma sensacionalista e politiqueira, a conseqüência é uma sociedade amedrontada, sitiada, refém de uma fobia artificializada pelo excesso de informações deformadas. Cria-se, assim, um ambiente social de insegurança ou, como costumam dizer os especialistas, ‘uma sensação de insegurança’.
Não será com ‘terrorismo político e jornalístico’ que a oposição irá contribuir com melhoria da segurança pública do Maranhão. Aliás, essa mesma oposição passou anos e anos governando o Estado e não se tem notícia de que a Segurança Pública ou qualquer outra área da administração pública estadual tenha obtido resultados eficazes. Pelo contrário, as estatísticas socioeconômicas do Maranhão provam que em matéria de trato da coisa pública, há anos que o nosso Estado é malversado.
Robert Lobato – Administrador de Empresas / 88272843