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Entrevista Exclusiva - Antônio Crioulo

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Data de Publicação: 30 de dezembro de 2007
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Por Waldemar Terr (Repórter de Política) /

wter@uol.com.br - wter.blog.uol.com.br

Líder comunitário afirma que fóruns abrem as portas do governo à população

O sindicalista e líder comunitário Antônio Crioulo, coordenador do Fórum Cerrado Sul Maranhense realizado em novembro por entidades da sociedade civil e o Governo do Estado, assegura que esse tipo de evento mostra que o governo abre as portas para ouvir a população. Crioulo tem uma vasta experiência: é também coordenador da Comissão Pastoral da Terra de Balsas e integra a comissão especial criada pelo Fórum para acompanhar o andamento das reivindicações feitas diretamente ao governador Jackson Lago, que acompanhou integramente os três fóruns realizados em regiões diferentes e que serão retomados em 2008.

Antônio Crioula conta que “foi criada uma comissão de monitoramento de todos os compromissos assumidos, que terá justamente esse papel de acompanhar o andamento de nossas reivindicações e isso foi acordado com o governo, para que ela tenha legitimidade nesse monitoramento. Vamos todos estar marcando cerrado, no bom sentido, para que nossas propostas sejam garantidas na sua execução”.

Líder comunitário acompanha o andamento das reivindicações feitas para Cerrado Sul Maranhense

A seguir os principais trechos da entrevista, na qual ele faz uma avaliação do que foi o Fórum, cuja Carta do Cerrado foi entregue ao governador, contendo as reivindicações apresentadas pelos delegados dos 28 municípios que participaram do evento.

Trabalho cansativode preparação do palco de debates

- A gente vem de uma caminhada desde 2002, quando trabalhamos o Congresso Estadual de Políticas Públicas, depois fizemos a Assembléia do Povo de Deus, realizamos a IV Semana Social, e o seminário do Cerrado, sempre trabalhando a preparação do povo para conquistar esse espaço de respeito à cidadania. Estamos também trabalhando o nosso lado de assumir, enquanto sociedade civil, o nosso papel como cidadão e cidadã, e culminamos com a participação dos representantes de 28 municípios no encontro. Todo esse processo de quase quatro meses, de discutir nas bases, levantar-se o diagnóstico da realidade e as propostas, com a realização de nove encontros regionais, para que pudéssemos assim melhorar cada vez mais as nossas propostas que foram apresentadas ao Governo do Estado na forma da Carta do Cerrado.

Resultado gratificante e cara a cara com o governo

- Foi cansativo, mas gratificante, porque só assim a gente pôde sentar com o governo e dizendo: “os nossos desejos são esses e vamos ver como será sua participação para que sejam solucionados os nossos problemas, que tanto sofremos nessa região”. É gratificante, porque quando vejo as pessoas serem respeitadas como gente isso é gratificante, porque o nosso objetivo não é me promover, mas que a sociedade toda seja vista como gente, porque todos somos filhos e filhas do mesmo pai, que é Deus.

Trajetória até chegar à coordenação do Fórum

- Desde 1986, através de um trabalho na Paróquia de Nossa Senhora de Loreto, que entrei para o movimento social. Primeiro, foi como catequista e depois assumi a luta dentro do movimento sindical e me tornei presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a partir daí fui me envolvendo, gostando do processo e hoje estamos aqui, contribuindo naquilo que a gente pode dentro do movimento social, seja na parte pastoral, no sindicato, na cooperativa ou na militância política.

A evolução das lutas dentro dos movimentos sociais

- Foi a partir desse trabalho de formação e conscientização, para que as pessoas assumam o seu protagonismo, porque não admitimos mais que em pelo século XXI a autoridade seja aquela que manda. A autoridade deve estar a serviço da população e só foi possível quando a gente tomou consciência de um processo de formação, para que as pessoas assumissem o seu próprio protagonismo e aí as autoridades têm que reconhecer que esse é o papel da sociedade civil. Várias entidades da sociedade civil: sindicais, pastoral, todas as igrejas, conselhos municipais, conselhos regionais, foram diversos segmentos de 28 municípios.

Disposição do governo em conversar com a sociedade

- Primeiro, gostaria de dizer que o governo topou o desafio de participar, isso para nós já demonstrou que existia uma vontade política de ouvir a sociedade. Esperamos que a partir de agora ele possa cumprir com aquilo que foi acertado com os delegados, colocados na Carta do Cerrado. No nosso projeto trabalhamos as reivindicações em oficinas, que foram apresentadas na plenária, apontados as nossas prioridades.

Delegados reclamaram de agressão ao meio ambiente

- Nós apresentamos a realidade do meio ambiente, através de um vídeo, no primeiro dia do Fórum. Sabemos que o agronegócio se instalou na região e está matando os nossos rios, as florestas estão se acabando, estão transformando toda madeira em carvão, tudo isso para exportação e não está ficando nada para nós, a não ser o deserto que está se gerando na região, por isso precisamos que o governo do Estado olhe com carinho para a nossa região, porque daqui a pouco vamos ser realmente apenas um deserto do Maranhão.

A sociedade cobrando do governo

- Acho isso importante, porque você consegue ver que a sociedade civil não agüenta mais um governo que chegue e imponha, precisamos estabelecer um diálogo, um debate, se possível, pode ser até um debate um pouco acirrado, mas no sentido de construir uma sociedade nova, onde todos possam se sentir cada vez mais cidadão.

Os principais problemas enfrentados pela região

- São as questões da educação e da saúde. No caso da saúde, na nossa região está ausente, porque não existem ações concretas, temos todos que levar os doentes para Teresina ou Araguaína. Por isso, queremos aproximar cada vez mais as ações do governo com a sociedade Outra área carente é a questão da agricultura familiar, não existem projetos do Governo do Estado presente para nós para atender a agricultura. Tem também a questão da ação social e dos direitos humanos. Os nossos direitos são violados e assim precisamos gritar para que eles sejam respeitados, não dados, porque ninguém dá direito para ninguém. O governo precisa reconhecer que temos direitos que precisam ser respeitados.

Disposição do governo em resolver esses problemas

- Nesse governo existem diversas pessoas que vêm de uma caminha de lutas populares, por isso esperamos que ele seja sensível realmente aos nossos problemas. É o caso do próprio governador. Assim esperamos que esse governo possa realmente atender os apelos da saciedade, porque é nisso que acreditamos.

Acompanhamento da execução das obras e serviços acertado

- Foi criada uma comissão de monitoramento de todos os compromissos assumidos, que terá justamente esse papel de acompanhar o andamento de nossas reivindicações e isso foi acordado com o governo, para que ela tenha legitimidade nesse monitoramento. Vamos todos estar marcando cerrado, no bom sentido, para que nossas propostas sejam garantidas na sua execução.

*Obs.: O titular desta página entra de férias durante o mês de janeiro. Feliz ano novo a todos.

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